Os donos de cães e gatos sempre enfrentam um problema quando vão se ausentar da cidade: quem vai cuidar do bichinho? Seja para um compromisso de trabalho, um passeio curto, férias ou até mudança de casa, ficar longe do animal de estimação é um sacrifício.

Para quem vai de avião, isso não é mais um problema. Viajar com o pet em aeronaves é algo plenamente viável. Mas, para isso, é preciso planejamento, adaptação do animal e cumprimento de algumas regras das companhias aéreas.

Quer saber como funciona? Então acompanhe este texto e garanta um trajeto seguro para você e para o seu melhor amigo!

1. Antes do voo

Se você está pensando em levar o seu bichinho em uma viagem de avião, responda às seguintes perguntas:

  • Seu pet já esteve em um meio de transporte durante pelo menos 1 hora?
  • Se sim, como ele reagiu? Gostou da experiência ou ficou desconfortável?
  • Ele está acostumado com caixas de transporte?
  • Ele se sente à vontade em lugares estranhos e com pessoas diferentes?
  • Seu pet é amigável ou é agressivo com outros animais?
  • Ele apresenta comportamentos inadequados que incomodam outras pessoas, como latir ou miar excessivamente, destruir objetos e fazer suas necessidades em qualquer lugar?

Com essas respostas e um pouco de reflexão, é possível definir se seu animal de estimação é sociável e se ele vai curtir a viagem tanto quanto você. Se o resultado for positivo, é hora de conhecer as regras, procedimentos, recomendações e o passo a passo para viajar com pets. Vamos lá?

1.1. Leve o animal ao veterinário

Antes de decidir se vai mesmo viajar com o pet, consulte um veterinário. Por mais dócil que seja o seu cão ou gato, e ainda que ele esteja muito bem-acomodado, voar sempre vai ser um fator de estresse e requer cuidados.

O primeiro passo é verificar como está a saúde dele. Só o profissional pode avaliar se ele está pronto para viajar de avião, e também vai indicar medidas preventivas para que ele se sinta confortável durante o trajeto.

Entre as recomendações mais comuns dos veterinários está a escolha por voos diretos e curtos. Isso diminui a ansiedade dos bichos e dos seus donos, bem como a chance de desidratação e riscos à saúde.

1.2. Tire todas as suas dúvidas

Viajar com o pet é muito significativo para o dono, mas existem casos em que é mais indicado deixá-lo em casa ou até em um hotel para pets. Você deve pensar na saúde do animal, nas regras da companhia aérea e no convívio com os outros passageiros. Para evitar chateações e constrangimentos, tire todas as suas dúvidas com antecedência.

Por exemplo, a viagem não é segura para cães e gatos mais velhos ou com insuficiência renal. Caso o animal esteja em uma dessas condições e o deslocamento for obrigatório, peça ao veterinário para prescrever um tratamento preventivo.

Algumas raças, como a pit bull, são impedidas de viajar de avião. Mesmo com as vacinas em dia e boa saúde, se a raça for proibida pela companhia, o pet não vai poder embarcar.

Cães e gatos de focinho curto passam por mais restrições, pois têm intolerância tanto ao calor quanto ao frio. Essa sensibilidade acontece por causa da anatomia do focinho, que não permite que eles se resfriem facilmente. O calor pode causar infartos e o frio dificulta a respiração.

Outra dúvida comum é se é possível sedar o animal para que ele tenha uma viagem tranquila. A sedação não é recomendada porque diminui a frequência respiratória e pode provocar efeitos colaterais, agravando eventuais problemas que surjam durante o voo. Só utilize se for expressamente recomendado pelo seu veterinário.

Todos esses cuidados são necessários para preservar a saúde do animal. Portanto, antes de levá-lo para uma viagem, converse com o veterinário e tire todas as suas dúvidas.

1.3. Consulte as regras e condições de viagens com animais

Para levar o seu bichinho de avião, é preciso seguir as regras da Agência Nacional de Aviação Civil. As principais medidas são:

  • atualizar as doses de vacina;
  • apresentar um atestado de saúde para viagem de avião;
  • comunicar a companhia aérea com antecedência;
  • transportar o animal em uma caixa de transporte resistente, que permita a ventilação e acomodação do pet com folga.

1.3.1. Viagens nacionais

No Brasil, são pedidos o Certificado Veterinário Internacional (CVI) e o Passaporte para Trânsito de Cães e Gatos. Os dois itens são expedidos nas unidades de Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

O órgão exige a vacina antirrábica para animais com mais de 3 meses de idade. Ela precisa ter sido aplicada entre 30 dias até 1 ano da data de embarque.

O certificado de vacinação deve ter o nome do laboratório produtor, o tipo da vacina e o número da vacina ou ampola utilizada para verificar se está dentro do prazo de validade. Se estiver vencida ou não for possível comprovar a vacinação — comum nas campanhas de vacinação —, é preciso reaplicar em até 30 dias antes do voo.

Além do certificado, separe o cartão de vacinas com antecedência e leve o bichinho ao veterinário para emitir um atestado de saúde para viagens aéreas. As companhias nacionais aceitam atestados emitidos no máximo 10 dias antes da data marcada.

1.3.2. Viagens internacionais

Para viajar com cães e gatos entre países, o dono precisa de um documento especial, cuja emissão deve ser feita pela autoridade veterinária do país de origem. Também é indispensável que o documento seja aceito pelo país para onde você está indo. Esse item vai assegurar a saúde do animal e garantir que as condições sanitárias exigidas pelo local de destino estão sendo cumpridas.

O dono precisa se informar sobre essas demandas, além de verificar se a companhia aérea aceita o animal em uma viagem para o exterior. Em algumas situações, a preparação pode levar meses, incluindo exames, vacinas e até um período de quarentena. Se esse for o seu caso, procure a Embaixada ou o Consulado do país de destino.

1.4. Prepare a caixa de transporte

A caixa para transporte do cão ou gato precisa atender às especificações da companhia aérea. Quando for comprá-la, leve as dimensões indicadas para comparar. Lembre-se de que o animal vai se movimentar durante o trajeto, então verifique se ele cabe dentro da caixa e se fica confortável no espaço. Especialmente se ele for no porão da aeronave, identifique o objeto com uma plaquinha contendo os seus dados de contato.

Use um tapete higiênico para forrar a caixa e deixe uma peça pequena de roupa com o seu cheiro dentro. Isso tornará o espaço familiar e aconchegante.

Para que ele se acostume, inicie o processo de adaptação 15 dias antes, proporcionando experiências agradáveis dentro da caixinha. Deixe a porta aberta, em um local acessível e no cômodo que ele mais gosta de ficar.

Ofereça petiscos, ossos para roer e brinquedos. Pelo menos uma vez ao dia, deixe a refeição do animal dentro da caixa. À medida que ele se sentir confortável, feche a porta e abra ao término da refeição.

Quando ele estiver acostumado, estimule o uso da caixa em outros momentos. Mantenha-se afastado e observe se ele está preparado para a sua ausência enquanto estiver confinado. Passeios de carro com a caixa também podem ajudar.

2. Durante a viagem

Na véspera, dê um bom banho e apare as unhas do bichinho. No dia do voo, ofereça alimentos leves, pois não é recomendado que ele viaje de estômago cheio. A última refeição deve ser feita 2 horas antes do embarque, para evitar enjoos. Incentive-o a urinar e defecar antes de sair de casa.

A hidratação é muito importante: ofereça água em casa, no aeroporto e antes do embarque, permitindo que ele se hidrate o suficiente.

Ele precisa estar descansado, mas leve a coleira pois é bom passear com ele um pouco antes do horário do voo. Evite chegar no aeroporto com antecedência demais, para que ele não fique estressado. Caso o animal viaje no porão, espere limite de horário para despachá-lo.

Enquanto estiver aguardando o embarque, brinque e ofereça carinho. Isso vai ajudá-lo a relaxar e a se habituar. Ensiná-lo a beber água em bebedouros automáticos também auxilia na ambientação. O avião faz muitos ruídos, portanto o ideal é que ele já esteja acostumado com isso. Os gatos se assustam com mais facilidade, então reserve protetores de ouvidos para evitar desconforto.

Mesmo que o animal vá na cabine, ele não pode ir no seu colo. A caixa de transporte precisa estar fechada e localizada abaixo do seu assento durante todo o trajeto. Se ele estiver no compartimento de carga, no desembarque ele será recolhido do avião e levado para a área de retirada das bagagens. Posicione-se nesse local, pois ele não será colocado na esteira.

3. Chegando ao destino

Em ambientes diferentes, é normal que o animal tenha um estranhamento. Portanto, quando desembarcar, passe um tempo com o bichinho, dando carinho e atenção, para que ele se sinta acolhido e em segurança. Não o leve direto para um passeio ou o exponha a locais agitados. O ideal é que ele desfrute da sua companhia por um período de tempo suficiente para deixá-lo à vontade.

4. Diário de bordo

Que tal guardar essa aventura de recordação? Crie um diário de bordo com toda a preparação, desde as vacinas e a compra de passagens até o procedimento de segurança para o voo e a viagem em si. Faça anotações, fotografias e pequenos vídeos antes, durante e depois do passeio. Aproveite cada passo e vá acumulando arquivos. No final, você pode fazer um quadro ou até um scrapbook para celebrar essa experiência em conjunto.

Os animais proporcionam muitos momentos de felicidade, por que não criar um registro especial para eles? Além disso, você também estará se divertindo e vivendo experiências novas. Com tantos estabelecimentos pet friendly, você não terá dificuldade de curtir ao lado do seu cãozinho ou gatinho.

Compre lembranças do destino para você e para o animal. Quem sabe você até começa a uma coleção! O importante é celebrar a oportunidade de dividir momentos alegres.

5. Curiosidades

Veja a seguir uma lista de curiosidades interessantes sobre viajar com pets:

  • os cães-guias são liberados de alguns documentos. Entretanto, necessitam da carteira de identificação e vacinação, além do equipamento de guia;
  • as reservas precisam ser realizadas com antecedência, pois há uma limitação na quantidade de animais permitidos por aeronave. Também existem prazos para a solicitação do serviço;
  • se o seu voo atrasar ou tiver conexão, os funcionários da empresa são responsáveis por fornecer água e comida aos bichinhos.

6. Voando com a Azul

Cada companhia tem as suas próprias regras e exigências. Na Azul Linhas Aéreas Brasileiras:

  • o animal só pode ser levado na cabine, não é permitido o transporte no porão;
  • a idade mínima é de 4 meses e não é cobrado nenhum valor para o transporte de cães-guia;
  • para reservar o serviço, o passageiro precisa entrar em contato com a empresa em até 24 horas antes do voo;
  • a bordo, são permitidos três animais domésticos por voo, sejam cães ou gatos;
  • existe o limite de apenas um pet por passageiro e por embalagem;
  • o peso do bichinho junto com o da caixa de transporte não pode ultrapassar 5 quilos;
  • a caixa de transporte precisa ter 20 centímetros de altura, 31,5 centímetros de largura e 43 de comprimento;
  • a taxa cobrada é de R$ 250 ou US$ 100 por trecho;
  • de acordo com as regras de embarque, a empresa não transporta pets em voos internacionais.

Viu como é seguro viajar com o pet? Com alguns cuidados, ele pode ser o seu companheiro até fora de casa e garantir muitas aventuras divertidas. E depois da primeira vez, fica mais fácil incluí-lo nos seus próximos passeios. Mas não deixe de explorar um destino sem ele! Será uma experiência enriquecedora para os dois.

E aí, gostou do texto? Já levou o seu animal de estimação durante uma viagem de avião ou tem vontade de levar? Deixe seu comentário contando! Queremos saber a sua opinião sobre o assunto.