Uma das cidades mais antigas do Brasil, a capital paraense une a magia da floresta amazônica às atrações turísticas e facilidades de uma grande metrópole. Se você deseja saber o que fazer em Belém do Pará, saiba que esse é o destino ideal para desvendar a cultura do Norte do país.

A cidade, que fica às margens do rio Guamá e é porta de entrada para a Floresta Amazônica, é um prato cheio para os turistas que buscam conhecer mais sobre a história das origens do Brasil, as raízes indígenas, as belezas da biodiversidade amazônica e, ainda, explorar as delícias culinárias da região.

A seguir, você vai descobrir tudo sobre a história, a cultura, as raízes e tradições de Belém do Pará. Acompanhe o post de hoje:

História e cultura de Belém

A história da cidade de Belém do Pará tem relação direta com outra importante capital do Norte do país, São Luís do Maranhão — que, até aquele momento da história, representava a única base da coroa portuguesa nessa região do Brasil.

A fundação de Belém se deu no ano de 1616, por Francisco Caldeira Castelo Branco, e tinha um objetivo muito específico: barrar a entrada de holandeses, franceses, irlandeses e ingleses que queriam tomar a região Norte brasileira, até então, pouco habitada e negligenciada pela coroa portuguesa.

Esses possíveis colonizadores de outros países europeus já haviam chegado ao Brasil e feito contato com comunidades indígenas da região amazônica, o que causou a necessidade de construir uma cidade na “porta de entrada” da Amazônia, a baía do Guajará.

Assim sendo, no dia de natal — o que levou à escolha do nome da cidade — Castelo Branco partiu de São Luís com cerca de 120 soldados para uma expedição até o local onde seria estabelecida a cidade de Santa Maria de Belém do Pará.

Com o passar das décadas e séculos, a cidade foi se estabelecendo e expandindo, especialmente devido à exploração das matérias-primas provenientes da floresta.

No fim do século XIX, uma onda de modernização e progresso tomou conta da capital paraense devido às riquezas provenientes do chamado Ciclo da Borracha, o processo de extração de látex das árvores seringueiras.

O porto de Belém era o principal ponto escoador da matéria-prima retirada dos seringais, o que trouxe para a cidade, mesmo que por um breve período, grande circulação de dinheiro, desenvolvimento e status.

Esse momento, chamado de Belle Époque em Belém, durou apenas até o início do séc. XX, mas deixou grandes marcas na cidade, especialmente na arquitetura e no urbanismo.

Belém fica às margens do rio Guamá e é composta por um arquipélago de 39 ilhas que correspondem a 65% do território da capital paraense. Atualmente, a cidade tem cerca de 1,5 milhão de habitantes e é também o polo industrial do estado.

Nas ilhas do arquipélago, as comunidades ribeirinhas tiram seu sustento dos frutos da floresta, especialmente da colheita do açaí. Os hábitos dos moradores dessas regiões também têm grande influência dos costumes e saberes tradicionais da floresta e dos povos indígenas nativos da região amazônica.

As raízes da cidade mesclam a cultura indígena às influências dos colonizadores portugueses e imigrantes de outras partes da Europa e do mundo, o que torna a cultura belenense bastante rica e singular.

As construções coloniais e ao estilo da Belle Époque, a culinária tradicional, as fortes origens indígenas, o carimbó e as festas típicas da região são um prato cheio para os turistas do mundo inteiro que se encantam pela capital paraense.

A Floresta Amazônica

Como contamos no tópico anterior, a cidade de Belém do Pará é o marco de entrada para a grande Floresta Amazônica. Dentro da cidade, é possível encontrar áreas de preservação da mata nativa, como o Parque Estadual da Utinga, por exemplo.

A cidade é cercada pela floresta e todas as suas riquezas e biodiversidade — mais de um terço das formas de vida existentes na terra são originárias da Amazônia.

Estima-se que, na região amazônica, existam 2,5 mil espécies de árvores, 30 mil espécies de plantas, 300 espécies de mamíferos e cerca de 1,3 mil espécies de aves. Além disso, a bacia hidrográfica da região amazônica é a maior do planeta, com 1,1 mil afluentes e 6 milhões de km².

A região amazônica, em toda a sua extensão — que abrange outros oito países da América do Sul — tem cerca de 5,5 milhões de km² de floresta tropical, sendo que mais de 4 milhões estão localizados em território brasileiro, 26% do território total da floresta amazônica se encontra no estado do Pará.

Raízes e tradições indígenas

Não poderíamos falar da floresta ou mesmo da cidade de Belém sem mencionar uma das partes mais importantes da cultura local: os povos indígenas, que tiveram seu berço, sustento, tradição, sabedoria e raízes por entre as matas da Amazônia.

Muito antes de o território em que Belém está situada ser ocupado pelos portugueses, a região onde hoje se encontra o estado do Pará era habitada exclusivamente pela população indígena. Atualmente, um quarto do estado é composto por terras indígenas, que abrigam cerca de 16 mil índios de 32 povos distintos.

Por mais que os monumentos e construções da época da colônia acabem por esconder as raízes nativas na cidade, as tradições indígenas são bastante fortes em diversos aspectos da cultura local, como as festas e celebrações, a culinária, as expressões linguísticas, o artesanato, o folclore, a música e a dança.

O carimbó, ritmo tradicional da região do Pará tem forte influência indígena, com o uso de instrumentos musicais típicos como o tambor, o maracá, as flautas e os chocalhos.

As festas típicas do estado também são influenciadas diretamente pela cultura indígena pela presença marcante do folclore, como é o caso das celebrações de Boi-bumbá, que acontecem tradicionalmente nos meses de junho e julho.

A influência das línguas indígenas no vocabulário regional também é bastante significativa. A maior parte dos alimentos tradicionais e pratos típicos da região têm origem em palavras de línguas indígenas, como o tacacá, o tucupi, o jambu, a tapioca, o açaí e tantos outros.

Isso porque, antes mesmo de serem “descobertos” pelos portugueses, esses itens já faziam parte da alimentação dos povos da região, que dariam origem à riquíssima culinária tradicional do Pará — que você conhecerá mais a fundo no próximo tópico.

Culinária tradicional do Pará

Não podemos falar sobre Belém sem dar o devido destaque a um dos seus principais atrativos: a culinária típica. No ano de 2017, a cidade foi a primeira capital da Américas a sediar o Encontro das Cidades Criativas, um evento gastronômico internacional promovido pela Unesco.

O que não faltam são opções de delícias da gastronomia paraense para saborear em sua viagem a Belém. Confira os principais pratos da região a seguir:

Pato ao tucupi

O tucupi é feito a partir de um caldo amarelo retirado da mandioca, que, para ser usado na culinária, deve ser fervido por uma semana. Do contrário, apresenta um alto nível de toxinas e se torna venenoso para o organismo humano.

Após o processo, o caldo é temperado e fervido junto à carne de pato já assada e, finalmente, cobertos por folhas de jambu cozidas em água e sal. O resultado é um prato exótico e muito saboroso!

Tacacá

O tacacá é outro prato preparado a partir do caldo de tucupi e das folhas de jambu. Além dele, a receita leva camarão seco e goma de tapioca.

Para fazer o prato, despeja-se a goma de tapioca cozida por cima do caldo de tucupi já temperado. Essa mistura dá origem a uma espécie de mingau grosso que é servido junto ao camarão preparado com jambu e pimenta-de-cheiro.

Maniçoba

Apesar de muitos pensarem que a maniçoba também tem influência da culinária indígena, esse prato típico é oriundo dos povos africanos que também habitaram a região amazônica durante o período da escravidão no Brasil.

A maniçoba é um ensopado de folhas de mandioca moídas no pilão e refogadas com carne de porco ou de boi salgadas e moídas. O prato é servido com arroz, pimenta e farinha de mandioca como acompanhamentos.

Filhote

O filhote é um peixe de água doce muito consumido em toda a região amazônica. Ele pode ultrapassar os 100 kg e, na culinária, pode ser preparado das mais diversas formas.

Um prato típico da cozinha paraense é o filé de filhote assado na brasa, acompanhado de molho de camarão e uma crosta de castanha-do-pará. De dar água na boca!

Sorvetes Cairu

A tradicional sorveteria Cairu, que tem mais de 50 anos de existência, é bastante famosa em todo o estado e já foi eleita como a melhor sorveteria do país!

Sua especialidade são os sorvetes feitos a base de frutas nativas da região, como bacuri, graviola, cupuaçu e açaí, além de outros sabores como o de tapioca e o de castanha-do-pará.

Açaí

Se, nas outras regiões do Brasil, o açaí é consumido em forma de creme gelado e com sabor adocicado, em sua terra natal a história é bem diferente!

Nos pratos da culinária paraense, o fruto tão conhecido em todo o país é preparado como acompanhamento para pratos salgados, como peixes fritos.

Cachaça de jambu

A cachaça de jambu é uma das queridinhas dos turistas que visitam Belém! Isso porque um dos efeitos da planta é a sensação de formigamento e anestesia na boca, que fica ainda mais forte quando vira cachaça.

Além dos pratos típicos que citamos, há ainda uma infinidade de receitas e ingredientes tradicionais da região, como a castanha-do-pará, a tapioca, o muruci, a taperebá e tantos outros. Um prato cheio para quem busca sabores exóticos!

Veja o que fazer em Belém do Pará

A melhor maneira de ilustrar a história e a cultura da cidade é visitando seus pontos turísticos. Belém conserva ainda construções tradicionais do período da colonização e também da Belle Époque, como as encontradas na cidade velha, o bairro mais antigo da cidade.

Abaixo, listamos alguns lugares imperdíveis para quem visita a capital do Pará:

Forte do Presépio

O Forte do Presépio é o berço da cidade de Belém. Essa foi a primeira construção, feita em 1616 às margens da baía de Guajará, que deu origem à capital paraense.

Atualmente, a edificação é aberta à visitação e abriga o Memorial dos povos indígenas, com exposição de objetos e artesanato dos povos nativos daquela região.

Casa das Onze Janelas

Projetada por Antônio José Landi no séc. XVIII, o famoso arquiteto responsável por muitos dos mais famosos edifícios da cidade, a Casa das Onze Janelas é um dos pontos turísticos mais visitados em Belém.

Hoje, o casarão é sede do mais importante Museu de Arte Moderna e Contemporânea do estado do Pará, que recebe exposições temporárias e também conta com um acervo fixo com obras de artistas renomados, como Tarsila do Amaral.

Localizado na Cidade Velha, o centro histórico de Belém, o local tem um belíssimo jardim e uma vista de tirar o fôlego.

Mercado de Ver-o-peso

O mercado de ver-o-peso é um dos principais cartões-postais da cidade e parada obrigatória dos turistas que querem explorar tudo o que Belém tem a oferecer.

O mercado é uma grande feira livre que proporciona uma experiência de imersão na cultura paraense. Ali, você poderá encontrar todos os ingredientes típicos da culinária da cidade, como o caldo de tacacá, a castanha-do-pará, as frutas nativas da região, além de artesanatos diversos e ervas medicinais.

Além dos pontos turísticos tradicionais da cidade, como as belíssimas igrejas e monumentos arquitetônicos do centro histórico de Belém, você não pode deixar de fazer os passeios de barco para conhecer as ilhas do arquipélago, as comunidades ribeirinhas enfeitadas pelos grafites do artista Sebá Tapajós, e, é claro, se encantar pela magia da Floresta Amazônica.

Belém do Pará é uma das capitais mais ricas em história e tradição de todo o Brasil. Com uma cultura singular e encantadora, além de ótima estrutura para o turismo, o que não faltam são possibilidades para quem deseja explorar tudo o que a região tem a oferecer!

E agora que você já sabe o que fazer em Belém do Pará, que tal ficar sempre por dentro de mais destinos imperdíveis como esse? Curta a nossa página no Facebook e não perca nenhuma novidade!