Seja a negócios ou a lazer, o fato é que estamos viajando cada vez mais — e para mais longe. Mas, além de todos os prazeres, descobertas e experiências incríveis, embarcar em um avião para a Ásia, a Oceania ou a África traz também um desconforto comum: o Jet Lag, causado pela diferença de fuso horário entre o país de origem e o de destino.

Sonolência, insônia, cansaço, irritabilidade, mal-estar, dores de cabeça. Já sentiu esses sintomas após uma longa viagem de avião? Então, você já sabe em primeira mão como o Jet Lag funciona. A boa notícia é que, entendendo melhor o problema, é possível implementar hábitos e estratégias para diminuir ou até livrar-se de vez dos efeitos.

E então, quer ficar por dentro do fenômeno e saber como enfrentá-lo? Continue a leitura e descubra como impedir as mudanças de fuso horário de atrapalharem a sua próxima viagem longa!

O que é Jet Lag?

Cada um de nós tem uma rotina: a hora de acordar, de almoçar, de trabalhar, de ir para a academia, de dormir… Algumas pessoas são mais ativas durante o dia, enquanto outras percebem uma maior produtividade durante a noite. Isso acontece por que todo mundo possui um relógio biológico, que adapta-se de acordo com nossos cotidianos.

Essa rotina é fundamental para nosso bem-estar. Há, ainda, as rotinas do próprio corpo, que o relógio biológico também regula. Seguindo um ritmo de 24 horas, ele é ativado principalmente pela luz — é por isso que, salvo casos específicos, todos nós nos mantemos em um estado de vigília durante o dia e de repouso durante a noite.

Respeitar o relógio biológico é muito importante para que nosso corpo e nossa mente também mantenham-se equilibrados e, por isso, perturbá-lo afeta a saúde e o bem-estar. E é justamente isso o que acontece quando sofremos com o Jet Lag.

O Jet Lag, conhecido cientificamente como dissincronose, pode ser definido como uma fadiga de viagem. Ele acontece porque, ao passarmos muitas horas em um avião, percorremos diferentes fusos horários, fazendo com que a percepção da luz do dia ou da escuridão noturna não sincronize com as expectativas do nosso relógio biológico.

Com isso, nosso corpo fica “confuso”, sem saber exatamente como comportar-se. Devemos sentir sono e relaxar ou ficar em alerta? Está na hora de comer ou não? Por mais confortável que o voo pareça — você está cochilando, batendo papo, vendo filmes, se alimentando bem —, seu relógio biológico está em estado de estresse e, consequentemente, você também.

E as coisas não melhoram quando você desembarca. No destino, o ciclo natural de luz e escuridão já faz mais sentido, pois não muda com a rapidez percebida durante a viagem. Entretanto, o seu relógio biológico está completamente desregulado em relação ao da cidade em que você está e aos dos habitantes locais.

Seu corpo quer que você siga a sua rotina e, agora, você está em um ritmo que foi alterado por completo e de forma muito rápida. Sentir sono durante o dia e não conseguir dormir de noite são os mais comuns sintomas do Jet Lag, mas você provavelmente vai sentir também problemas digestivos e de apetite e variações no humor. Algumas pessoas identificam até mesmo falhas temporárias de memória ou irritações na pele.

As origens do Jet Lag

Não se sabe quem cunhou o termo Jet Lag, mas a primeira vez que ele apareceu em uma publicação foi em 13 de fevereiro de 1966, no jornal Los Angeles Times.

Falando sobre uma viagem ao continente africano, o jornalista Horace Sutton escreveu que o turista “pode contar com a ocorrência do Jet Lag, uma debilidade não muito diferente de uma ressaca. O Jet Lag decorre do simples fato de que um jato viaja tão rápido que deixa os ritmos do seu corpo para trás.”

Não é uma descrição muito exata do fenômeno, que não está conectado à velocidade do voo. Qualquer viagem de avião, por mais curta que seja, pode afetar o bem-estar do passageiro, especialmente por causa da ansiedade e do medo que muitas pessoas sentem nessas ocasiões. Entretanto, o Jet Lag pode acontecer com qualquer um em viagens longas, mesmo que você sinta-se perfeitamente confortável ao voar pelos céus.

Conforme as viagens longas foram tornando-se mais recorrentes, cientistas passaram a compreender melhor o fenômeno do Jet Lag. Depois de um extensivo estudo conduzido pela NASA na década de 1980, pesquisadores declararam que um relógio biológico típico teria, na verdade, um ciclo um pouco mais longo do que 24 horas — quase 25.

Por isso, ao viajar, o ciclo natural pode ser estendido ou encurtado no processo de adaptação a um novo fuso horário. Isso faz com que nosso relógio biológico seja estimulado de uma maneira diferente de suas tendências naturais, causando o Jet Lag.

Ainda não há uma cura para o problema, e não se sabe se um dia haverá uma solução simples e eficaz que funcione para todo mundo. Mas os cientistas continuam procurando, já que as viagens longas são cada vez mais comuns e, com isso, há um número crescente de pessoas sofrendo com o Jet Lag.

Como reduzir os sintomas do Jet Lag?

Entretanto, não se preocupe! Como vamos ver agora, há diversas táticas para reduzir o fenômeno. O primeiro passo você já tomou: a busca por conhecimento e informação que fará com que você entenda melhor o Jet Lag. Conheça as estratégias que separamos para você, que podem até mesmo acabar definitivamente com o problema. Vamos lá?

Durma bem antes da viagem

Embarcar com uma boa dose de sono de qualidade nas costas vai ajudar muito a reduzir o impacto do Jet Lag sobre seu corpo e sua mente.

Além disso, aproveite as duas noites anteriores à viagem para já ir se acostumando com o fuso horário que vai encontrar no destino. Tente ir para a cama uma ou duas horas mais cedo ou mais tarde, de acordo com o fuso de onde você vai.

Se você for para a cama mais cedo, pode acabar acordando mais cedo na manhã seguinte também; e, caso vá dormir mais tarde do que de costume, sentirá mais sono no próximo dia. Mesmo assim, a medida é importante para que seu relógio biológico perceba que a rotina está mudando, mas de maneira menos brusca do que no Jet Lag.

Tenha cuidado com o que você come e bebe

Beber bastante água antes e durante o seu voo vai ajudar seu corpo a ficar melhor preparado para enfrentar o Jet Lag.

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Enquanto isso, no dia da viagem e durante o voo, evite refeições exageradas ou alimentos com os quais você não está acostumado — e que, portanto, podem cair mal, especialmente quando seu sistema digestivo encontra-se um pouco instável por causa do Jet Lag. Consumir álcool e cafeína também não é recomendado para quem deseja diminuir o impacto do fenômeno.

Alimente-se nos horários adequados durante a viagem

Além dos níveis de luz ou escuridão, nosso metabolismo também é um grande indicador para o relógio biológico. Por isso, a maneira com que nos alimentamos pode ajudar a reduzir os sintomas do Jet Lag.

Com o relógio biológico desestabilizado, o apetite é uma das rotinas mais abaladas. Como você ainda está em um ritmo noturno, por exemplo, provavelmente vai ter mais vontade de fazer um lanche do que de almoçar ao meio-dia.

Assim, o recomendado é que você “engane-se” e faça as refeições de acordo com o horário local. Dessa forma, seu corpo vai começando a entender as mudanças de rotina e, com isso, você se adapta à realidade da viagem mais rapidamente.

De início, isso pode exigir um pouco de esforço da sua parte, pois há grandes chances de você estar com pouco apetite por causa do Jet Lag. Entretanto, a medida vai acelerar bastante o processo de recuperação pós-voo, então, não deixe-a de lado, mesmo que você coma uma quantidade menor do que de costume.

Tente dormir nos horários certos também

Adaptar-se à rotina de alimentação do destino é importante, isso também vale para a hora de dormir e de levantar. Isso vai ser um desafio ainda maior, mas é um passo fundamental na recuperação do seu relógio biológico.

O dia está acabando e ainda nem sinal de sono? Em vez de desesperar-se por causa da insônia, tente descansar, mesmo que não consiga dormir tantas horas quanto de costume.

Deite-se e leia um livro ou assista a alguma coisa na televisão (nada muito agitado ou barulhento) até pegar no sono. Evite comidas e bebidas pesadas antes de deitar — isso vai ajudar você a ficar mais relaxado para dormir bem. Acordou de madrugada? Nada de conferir o celular! Ele é um dos maiores inimigos do sono, pois vai colocá-lo em estado de alerta e acabar com qualquer relaxamento, dificultando que você volte a dormir.

Caso o problema seja inverso e você esteja com sono mais cedo do que o habitual, vá passear ou jantar em algum lugar — manter-se em movimento ajudará você a não pegar no sono antes da hora. Logo, logo seus horários estarão regulados aos da cidade! Mas não se preocupe: ir para a cama apenas uma ou duas horas antes do normal não é problema algum e, inclusive, vai ajudar a combater os efeitos do Jet Lag.

Afinal, imagine chegar em Auckland, na Nova Zelândia, às 8 da manhã, morrendo de sono por causa do Jet Lag. Se você for dormir a essa hora, vai acabar perdendo a manhã toda e, pelo menos, o começo da tarde. E ninguém quer desperdiçar tempo durante uma viagem, não é? Combata o sono e, no dia seguinte, você estará novo em folha!

Evite remédios para dormir

Algumas pessoas recorrem a medicamentos para dormir durante o voo e, com isso, “escapar” dos efeitos do Jet Lag. Entretanto, a coisa não é tão simples assim.

Caso você esteja acostumado a tomar remédios para dormir, os efeitos negativos podem não ser tão perceptíveis. Entretanto, se você não tiver esse hábito, o dia de uma longa viagem de avião não é a hora indicada para começar. E, é claro, jamais faça isso sem a orientação de um médico!

Isso acontece por que, depois de um sono fora do horário regular e ainda forçado pelo remédio, você vai acordar um tanto desorientado e, somando ao Jet Lag, a sensação de cansaço e de mal-estar vai ser ainda maior.

Prefira chás ou outros calmantes naturais antes e durante a viagem e, para ajudar o corpo e a mente a relaxarem, fones de ouvido com músicas tranquilizantes, máscaras para dormir e travesseiros de pescoço são ótimas medidas para o voo.

Não preocupe-se demais

Aos poucos, você vai identificando como seu relógio biológico responde ao Jet Lag e quais sintomas são mais fortes no seu caso. Seguindo as nossas sugestões e até mesmo pensando em estratégias próprias, você vai descobrindo o que funciona melhor.

E para que o Jet Lag não atrapalhe a diversão e o encantamento da sua viagem ou, se você estiver se deslocando a negócios, não prejudique sua produtividade e concentração, a preocupação em excesso também deve ficar longe.

Nos primeiros dias da viagem, especialmente no dia da chegada ao destino, tome cuidado para não colocar-se desnecessariamente em situações de perigo. Como o Jet Lag pode causar exaustão e desorientamento, evite dirigir enquanto estiver com os sintomas.

Pegue leve e deixe seu corpo adequar-se à nova rotina. Mas não deixe de aproveitar a viagem! Passear bastante é ótimo para cansar o corpo e deixar você pronto para uma boa noite de sono. Além disso, exercícios físicos, como caminhar ou andar de bicicleta, ajudam o corpo a manter-se ativo e ainda são excelentes maneiras de conhecer a cidade.

Viu só? Agora, você não vai ser mais derrubado pelo Jet Lag e deixá-lo atrapalhar o seu passeio ou seus negócios.

Ele faz parte da vida de qualquer pessoa que viaja para muito longe, mas pode ser significativamente reduzido ou até mesmo eliminado se você souber lidar com ele e entender como seu corpo e sua mentem respondem às mudanças de fuso horário.

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