Um país com dimensões continentais como o Brasil tem muito território para ser explorado pelos aventureiros e amantes da natureza. São tantas belezas e paisagens surpreendentes, que é até difícil de acreditar que esses lugares são tão pouco visitados em relação aos destinos turísticos mais consagrados.

Como se trata de áreas de recursos naturais, a visitação é incentivada, mas a biodiversidade deve ser preservada. Portanto, a melhor forma de conhecer esses destinos é por meio de uma viagem de ecoturismo. Você sabe o que isso significa?

Vamos explicar isso logo abaixo, mas, por ora, basta dizer que, se você gosta de ter contato com a natureza e desfrutar de seus atrativos, como trilhas, montanhas, cachoeiras, rios, rochas, cavernas, lagos, dunas, montes e praias, a sua próxima viagem será para um dos destinos que listamos neste texto. Descubra o que o Brasil tem de melhor!

O que é ecoturismo?

Os termos “ecoturismo” e “turismo ecológico” foram criados para caracterizar o “segmento da atividade turística que utiliza, de forma sustentável, o patrimônio natural e cultural, incentiva sua conservação e busca a formação de uma consciência ambientalista por meio da interpretação do ambiente, promovendo o bem-estar das populações”.

definição é do Ministério do Meio Ambiente e do Instituto Brasileiro de Turismo — Embratur, que seguem as orientações da Sociedade Internacional de Ecoturismo — The International Ecotourism Society (TIES), que tem uma conceituação semelhante: “Ecoturismo é uma viagem responsável a áreas naturais, visando preservar o meio ambiente e promover o bem-estar da população local”.

Quais são os melhores lugares para se fazer ecoturismo no Brasil?

1. Chapada Diamantina — Bahia

As chapadas brasileiras são um verdadeiro espetáculo. Uma das mais conhecidas fica na Bahia, e ela não leva o nome de uma das pedras mais preciosas do mundo à toa: realmente, é um lugar único e transformador. Além disso, se a sua ideia é descansar e fugir da rotina, pode preparar as malas, pois esse é o seu lugar.

A experiência de conhecer a Chapada Diamantina vai além de contemplar suas belezas naturais — ela é mágica. Faz o visitante perceber-se diante da imensidão do mundo e sentir a energia vibrante do destino. A mistura do selvagem com o rústico, o natural e o histórico cria o ambiente perfeito para ter uma viagem inesquecível.

A 426 quilômetros de distância de Salvador, você vai encontrar montanhas, cânions, cachoeiras, poços, cavernas, rios, grutas, rios, morros e um patrimônio histórico belíssimo, formando um verdadeiro paraíso. Tantos atrativos assim tornaram a região conhecida no mundo todo. Prepare-se para ouvir vários idiomas, pois os estrangeiros amam a Chapada Diamantina!

Independentemente do clima, faça sol, chuva ou tempo nublado, o destino nunca decepciona. E as atrações são para todos os gostos, tanto para aventureiros quanto para quem deseja apenas descansar e contemplar as belezas locais. E não pense que precisa de muita companhia para conhecer a Chapada, pois muitas pessoas viajam sozinhas — inclusive mulheres — e é um lugar fácil para fazer amizades.

Como chegar

Dependendo do local de partida, é possível chegar à Chapada Diamantina por vários meios de transporte. No entanto, muitos visitantes vão primeiro para a capital Salvador e, de lá, pegam avião, ônibus ou carro. Veja, a seguir, quais as vantagens de cada modal.

Avião

Quem prefere o conforto, a segurança e a comodidade do avião deve comprar uma passagem com a Azul Linhas Aéreas, pois é a única companhia que faz o trajeto entre a capital baiana e Lençóis, uma das cidades-sede da Chapada.

Os voos de Salvador para Lençóis partem às quintas e domingos, às 11h55, e chegam ao destino às 13h05. Já para retornar, os voos partem de Lençóis nesses mesmos dias, às 13h30, e chegam a Salvador às 14h30.

Aeroporto Horácio de Matos fica na BR-242, a aproximadamente 20 quilômetros de distância do centro de Lençóis. Há várias empresas de traslado para percorrer esse trajeto, mas, dependendo da hospedagem escolhida, o serviço pode ser gratuito. E vale lembrar que o aeroporto também recebe voos de Confins (MG) e São Paulo (SP).

De ônibus

A empresa que oferece o trajeto entre Salvador e Lençóis é a Real Expresso. A viagem tem cerca de 6 horas de duração, mas existe a opção leito, em que você viaja numa espécie de cama para ter mais conforto. O ônibus tem 3 paradas curtas e três horários de saída: 7h, 13h e 23h.

De carro

Para quem gosta de personalizar a viagem, essa opção é a mais indicada, porque dá mais liberdade para organizar os horários e o roteiro, bem como o deslocamento para as atrações. Você pode contratar o traslado Salvador-Lençóis ou alugar um carro.

Consulte o mapa e o GPS para montar o planejamento do percurso. A rodovia é asfaltada, mas existem alguns trechos em estrada de terra; mesmo assim, não há necessidade de utilizar um veículo com tração. Já para os passeios, é fundamental ter um carro 4X4.

Recomendações

Como se trata de um destino com muita natureza, não se esqueça de repelente, protetor solar e chapéu. Se possível, leve capa de chuva ou guarda-chuva, por precaução. Prefira uma mochila cargueira a uma mala de rodinhas, pois será mais fácil para se locomover — as ruas têm muitas subidas, e a maioria delas é pavimentada com paralelepípedo.

Entre as principais atrações, estão:

  • Vale do Pati;
  • Poço do Diabo;
  • Morro do Pai Inácio;
  • Cachoeira do Mixila;
  • Cachoeira do Buracão;
  • Travessia Águas Claras;
  • Poço Azul e Poço Encantado;
  • grutas Azul, Pratinha e Lapa Doce;
  • Cachoeira da Fumaça (por cima e por baixo).

A mistura do verde exuberante com a firmeza das rochas e as águas cristalinas cria sensações fora do comum, sendo possível entender (e concordar) apenas quando você chegar ao destino. O turista volta com as energias renovadas, com o olhar voltado para o simples, o que realmente importa. Além disso, sempre fica com um gostinho de “quero mais”, pois é praticamente impossível conhecer todos os atrativos em uma única viagem.

2. Pantanal — Mato Grosso e Mato Grosso do Sul

Se você quer fugir do barulho da cidade grande e de passar horas no trânsito, esse destino é uma boa escolha. No Pantanal, você vai acordar com o canto dos pássaros e também vai apreciar a natureza na sua forma mais autêntica.

As atrações naturais incluem trilhas, cachoeiras, rios, paredões de rochas, vegetação exuberante e animais exóticos como jacarés, capivaras e onça-pintada. Tanto nos passeios quanto na própria hospedagem, você terá contato total com a natureza, num visual de tirar o fôlego. E o melhor: as cores do céu são surpreendentes. Não deixe de contemplar o nascer ou o pôr do sol no Pantanal: é inesquecível!

O Pantanal Mato-grossense é uma das maiores áreas alagadas contínuas do planeta — são 151.487 quilômetros quadrados. A biodiversidade é impressionante: são 3,5 mil espécies de plantas, 463 de aves, 325 de peixes de água doce, 177 de répteis e 124 de mamíferos, segundo o Ministério do Meio Ambiente.

Além disso, abriga três sítios Ramsar, isto é, Áreas Úmidas de Importância Internacional: Parque Nacional do Pantanal Mato-grossense, Reserva Particular do Patrimônio Natural Sesc Pantanal e Reserva Particular do Patrimônio Natural Fazenda Rio Negro.

Por esses motivos, o Pantanal é considerado Patrimônio Nacional, Reserva da Biosfera e reconhecido como Patrimônio Natural da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

No território brasileiro, a maior planície inundável do mundo vai do Sul do Mato Grosso ao Noroeste do Mato Grosso do Sul. No entanto, o bioma também abrange o Norte do Paraguai e o Leste da Bolívia, onde é chamado de “chaco boliviano”.

Como chegar

Os aeroportos de Cuiabá e de Campo Grande recebem voos das principais capitais brasileiras. De lá até as cidades pantaneiras, os turistas podem escolher entre ônibus, transfer ou carro. Uma das principais vias de acesso é a Transpantaneira (MT-060), uma estrada de terra com 140 quilômetros de extensão que passa por Poconé, portal do Pantanal Mato-Grossense, e pela localidade de Porto Jofre.

Também é possível chegar de barco, por meio da navegação pelo Rio Cuiabá até Barão de Melgaço. E quem vem de Cáceres pode navegar pelo Rio Paraguai. Vale lembrar que, devido à extensão do bioma, o Pantanal é dividido em duas regiões, com vários destinos. Veja quais são e qual a distância delas para as capitais.

Pantanal Norte — Mato Grosso (Cuiabá)
  • Cáceres (219 km);
  • Poconé (104 km);
  • Barão de Melgaço (110 km).
Pantanal Sul — Mato Grosso do Sul (Campo Grande)
  • Miranda (206 km);
  • Aquidauana (140 km);
  • Corumbá (426 km).

Todos os destinos têm fauna e flora exuberantes, mas alguns são mais recomendados para atividades específicas. Por exemplo, se você gosta de relaxar e praticar pescaria em rios, deve ir a Cáceres (MT) e Porto Murtinho (MS). Já quem prefere passar o dia trilhando campos e avistando ícones do reino animal deve ir a Poconé (MT) e Miranda (MS).

Recomendações

A melhor época para visitar o Pantanal é durante o período de seca, que vai de julho a outubro, porque facilita a observação da fauna e da flora. É recomendado levar calça, camisa de manga comprida e repelente para proteger-se dos mosquitos. Um casaco também é válido, pois, à noite, costuma esfriar.

As principais atrações são:

  • conhecer Bonito;
  • flutuação nos rios;
  • explorar a Transpantaneira;
  • safári fotográfico ou noturno;
  • realizar cavalgada ecológica;
  • passeio de barco ou a cavalo;
  • visitar a Chapada dos Guimarães;
  • contemplação da floração de ipês;
  • saborear a gastronomia pantaneira.

3. Amazônia — Região Norte

Esse é o principal destino de ecoturismo do Brasil e um dos melhores do mundo. Localizado no Norte do país, ele é um misto de vegetação, animais e cultura. Apesar de Manaus ser a cidade mais procurada pelos turistas, o território amazônico inclui os estados do Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e parte do Maranhão. Para se ter uma ideia do tamanho, dentro da Amazônia, caberiam 20 cidades de São Paulo ou toda a Europa Ocidental.

O pulmão do mundo também se estende por oito países: Colômbia, Venezuela, Peru, Bolívia, Equador, Guiana, Guiana Francesa e Suriname. Somente no Brasil, a Amazônia ocupa 18% do território, com 67 municípios e apenas 14 deles acessíveis por terra. São 66 etnias na região — 20 delas ainda não tiveram contato com o homem branco.

A união dos rios Amazonas, Negro, Solimões, Tapajós e Madeira compõe a maior reserva de água doce do planeta.

Como chegar

Algumas cidades, como Manaus, no Amazonas, e Santarém e Belém, no Pará, recebem voos das principais capitais brasileiras, mas, para chegar a algumas regiões, podem ser necessários outros tipos de transporte, como trem, hidroavião, barcos, lanchas e canoas.

Recomendações

O turismo local é baseado em visitas a comunidades locais e tribos indígenas, atividades na selva, projetos socioambientais, focagem noturna, canoagem por igarapés, mergulho com botos e praias de rios. As principais cidades são: Manaus, Presidente Figueiredo, Parintins, Belém e Santarém (Alter do Chão).

As principais atrações da região são:

  • encontro das águas do Rio Negro e Solimões;
  • Parque Nacional do Jaú;
  • Alter do Chão;
  • Anavilhanas.

Visitar a Amazônia não é apenas contemplar um cenário deslumbrante, mas também descobrir a história do Brasil, viver a cultura e saborear a gastronomia de um dos lugares mais singulares do mundo. Um destino que o brasileiro tem praticamente a obrigação de conhecer, de tão importante e espetacular.

4. Outros destinos de ecoturismo nacionais

Além dos locais citados no texto, existem muitos outros que valem a pena. Alguns já são bastante lembrado, enquanto há outros ainda poucos explorados, mas todos têm belas paisagens e atrações imperdíveis. Veja:

  • Caravelas — Bahia;
  • Jericoacoara — Ceará;
  • Delta do Parnaíba — Piauí;
  • Alto Caparaó — Minas Gerais;
  • Lençóis Maranhenses — Maranhão;
  • Fernando de Noronha — Pernambuco.

Viu como uma viagem de ecoturismo pode ser melhor do que você imaginava? Além de respirar ar puro, ter contato com a natureza e observar a vida animal, você renova as energias e aumenta sua conexão consigo mesmo e com o mundo. O turismo ecológico funciona como um verdadeiro detox, cria consciência ambiental e ajuda na conservação e preservação da natureza, algo cada vez mais necessário.

Gostou da nossa seleção de destinos? Então, reserve a sua passagem e visite esses verdadeiros paraísos brasileiros!