O local é conhecido como “o deserto brasileiro”: o calor é fortíssimo, o acesso é complicado e grande parte das estradas da região não é asfaltada. Além disso, a área — que soma 34 mil quilômetros quadrados — não conta com sinal de celular e não tem redes de hotéis conhecidas ou acomodações luxuosas.

Por que, então, o Jalapão é considerado um dos melhores destinos brasileiros para os amantes da natureza?

Não existe uma única resposta para essa pergunta. O Parque Nacional do Jalapão, nomeado em homenagem a uma flor abundante na região (a jalapa) é considerado uma unidade de conservação brasileira de proteção integral à natureza.

Isso significa que o Jalapão é um dos poucos locais do país — e do mundo — onde a natureza se encontra praticamente intocada — o que se traduz em paisagens exuberantes e cenários paradisíacos.

Não é à toa que a jalapa também é conhecida como “maravilha”. O local é composto por 5 áreas de conservação que podem ser visitadas durante todo o ano, mas a alta temporada vai de maio a setembro, quando a escassez de chuvas favorece os passeios ao ar livre.

Quer conhecer mais sobre as belezas naturais e as atividades de lazer e turismo do Jalapão? Confira:

Como chegar

O Jalapão se localizado no estado do Tocantins, e engloba 8 cidades:

  • Lagoa do Tocantins;
  • Lizarda;
  • Mateiros;
  • Novo Acordo;
  • Ponte Alta do Tocantins;
  • Rio Sono;
  • Santa Tereza do Tocantins;
  • São Félix do Tocantins.

Situado a leste do estado, o Jalapão fica próximo a divisa de 3 estados: Piauí, Maranhão e Bahia. A região se tornou um Parque Estadual em 2001, e a partir daí os esforços para preservar a natureza se intensificaram, equilibrando o potencial turístico com a sustentabilidade ambiental.

Para chegar ao Jalapão, o caminho é longo: até Ponte Alta do Tocantins, Novo Acordo ou Mateiros, saindo de Palmas, são 195 quilômetros de estradas asfaltadas e mais uma boa distância em estradas de terra.

O solo arenoso exige veículos 4×4 para circular no local, e a presença de um guia é praticamente indispensável, já que as estradas têm pouca sinalização.

É importante lembrar que a densidade demográfica do Jalapão é a menor do país, com apenas 0,8 habitante por quilômetro quadrado. O turista deve estar preparado, já que é possível dirigir por horas sem encontrar ninguém pelo caminho — outra prova da importância de um guia ou mapas detalhados do local.

Mas a dificuldade de acesso é recompensada por uma infinidade de locais exóticos e inesquecíveis. A região já foi cenário de diversos filmes (“Deus é Brasileiro”, “Xingu”), documentários sobre a cultura dos quilombolas, reality shows americanos (“Survivor”, “Naked and Afraid”) e até uma novela (“O outro lado do paraíso”), e inspirou a música “Passarim do Jalapão”, do cantor Dorivã.

Onde ficar

Campings são a forma mais comum de acomodações no Jalapão: existem acampamentos fixos no Rio Novo e na Cachoeira do Formiga que contam com tendas equipadas com camas confortáveis e chuveiros compartilhados.

Porém, existem pousadas simples em São Félix e Mateiros que recebem visitantes em busca de um pouco mais, mas não muito, conforto: duchas quentes, café da manhã e ambiente familiar são perfeitos para viajantes que desejam se desconectar da vida moderna e apreciar a natureza.

Para os mais exigentes, algumas pousadas em Ponte Alta, Mateiros e São Félix oferecem pequenos luxos, como wi-fi, ar-condicionado e frigobar nos quartos, áreas de lazer com piscinas e até sauna.

O que fazer

Não faltam atrações para os turistas no Jalapão: a variedade de pontos turísticos e atividades de lazer conquistam viajantes de todas as idades, dos mais jovens em busca de aventuras radicais aos mais maduros em busca de paz e tranquilidade.

Confira alguns locais que merecem entrar no roteiro de viagem:

Cachoeiras

As quedas d’água do Jalapão são verdadeiros oásis em meio à paisagem árida percorrida para chegar até elas. Água doce, translúcida e fresca aguarda os viajantes ao final de trilhas e passarelas com vários pontos de descanso, cercadas por natureza exuberante.

As principais — e mais visitadas — cachoeiras da região são:

Cachoeira da Velha

Formada por duas quedas em formato de ferradura, com 100 metros de largura e 15 metros de altura, fica dentro de uma antiga propriedade de Pablo Escobar, o famoso narcotraficante colombiano.

A cachoeira recebeu esse nome por conta da Lenda da Velha, que afirma que uma mulher que vivia pelas redondezas gostava tanto de admirar as águas que continuou visitando o lugar mesmo depois de sua morte, em espírito.

Misticismos à parte, a cachoeira conta com um volume impressionante, o que a torna imprópria para o banho devido à força da água. Porém, é possível aproveitar as águas calmas e rasas da Prainha do Rio Novo, nas proximidades da cachoeira.

Cachoeira do Formiga

Água limpa que varia de tonalidades azul-turquesa a verde-esmeralda, formando uma enorme piscina natural de quase 8 metros de diâmetro, é a principal atração dessa queda d’água. Apesar de pequena, a Cachoeira do Formiga atrai muitos turistas de todas as partes do mundo.

É considerada uma das mais bonitas da região, perfeita para banho e mergulho. O nome é uma homenagem ao Rio Formiga, e a cachoeira fica em uma propriedade particular — por isso, é preciso pagar para entrar. Existe ainda uma área para camping para quem deseja estender a visita.

Cachoeira do Soninho

Com grande volume de água e uma queda de 30 metros de altura, a cachoeira termina em um poço próprio para banho e relaxamento, com águas claras e esverdeadas.

A trilha de acesso é curta, perfeita para famílias com crianças e pessoas sem preparo físico para aventuras mais radicais. Ao final da queda, a força da água proporciona uma leve massagem.

Cachoeira da Fumaça

É composta por duas grandes quedas, com 18 e 40 metros de altura, que formam uma imensa nuvem de vapor de água que pode ser observada até mesmo a distância — daí o nome do local.

A enorme cortina de fumaça rende fotos incríveis, mas o banho é desaconselhado devido à forte pressão da água.

Cachoeira do Lajeado

Acessível por uma escadaria de cerca de 25 metros, inclui uma sucessão de pequenas quedas d’água com 15 metros de altura, que desaguam em uma piscina natural de água transparente.

Outras cachoeiras que encantam turistas de todas as idades no Jalapão são a Talho do Brejo do Boi, a Roncadeira, a das Araras, a Escorrega Macaco e a Cachoeira do Córrego, de onde é possível observar animais silvestres como iguanas, camaleões e vários tipos de pássaros.

Praias

Se as cachoeiras já oferecem um visual impressionante aos turistas, o que dizer das praias do Jalapão? Por se localizarem em áreas de preservação ambiental, os viajantes podem esperar praias limpíssimas, bem conservadas e repletas de natureza.

As mais procuradas são:

Praia da Nascente

O acesso é feito exclusivamente por rafting, por isso não é um passeio para todos os públicos. Mas quem se arrisca na aventura até essa praia do Rio Novo chega a um cenário paradisíaco: areia de tom avermelhado e águas claras e calmas.

Praia da Lagoa Escondida

Ao contrário da maior parte das praias do Jalapão, a Lagoa Escondida só abre para visitação no período de seca, que ocorre entre maio e outubro.

No local é possível observar pegadas de diversos animais (inclusive de onça), comprovando a existência de fauna diversificada. As águas cristalinas abrigam pequenos peixes coloridos que podem ser observados da margem.

Praia do Alecrim

Próxima ao Fervedouro de mesmo nome, essa praia conta com águas cristalinas, muita vegetação natural e uma grande extensão de areia limpa. O local serve de palco para eventos culturais e esportivos, especialmente na alta temporada, e atividades recreativas são comuns entre os turistas.

A área é propícia para banhos e observação da fauna e flora local. A estrutura da praia não deixa a desejar, incluindo espaços para relaxamento, alimentação e prática de esportes, existe até um campo de vôlei no local.

Praia dos Buritis

Buriti é um tipo de palmeira do cerrado que pode chegar a 35 metros de altura e, no caso dessa praia, está presente em toda a extensão da margem.

O acesso também é feito por rafting, e o destaque fica por conta da quantidade de araras que sobrevoam o local frequentemente, em especial ao amanhecer e no final da tarde.

Praia dos Crentes

Outra bonita praia fluvial do Jalapão, conta com águas limpas e cristalinas e areia fina, mas não tem a mesma infraestrutura encontrada em outros locais próximos. A área é usada para retiros espirituais e manifestações religiosas, chegando a receber até mil pessoas por vez.

Além do viés religioso, o local é ponto de acesso para prática de atividades aquáticas (rafting, boia cross e acquaride) no Rio Novo.

Prainha do Rio Novo

O Rio Novo é um dos maiores rios de água potável em todo o mundo, e a prainha de mesmo nome mistura pontos de águas calmas e outros com correnteza forte. A piscina natural de águas claras é propícia para mergulhos, e o visual rodeado pela mata virgem é de tirar o fôlego dos turistas.

Fervedouros

Eles são uma novidade para muitos visitantes, que não escondem a surpresa ao visitar esses pontos turísticos do Jalapão.

Para quem não conhece, um fervedouro é um pequeno poço de água cristalina e aquecida, formado a partir de uma nascente de um rio subterrâneo. O nome se deve à aparência de fervura, causada pelo solo arenoso que sobe com a força da água.

Mas a verdadeira curiosidade é que é impossível afundar nas águas de um fervedouro — o fenômeno, chamado de ressurgência, é causado pela pressão dos gases submersos, aumentando a densidade da água e fazendo com que os visitantes boiem naturalmente.

Existem mais de 120 fervedouros catalogados na região, mas boa parte não é aberta ao público. Entre os fervedouros acessíveis aos turistas, estão:

  • Alecrim;
  • Bela Vista;
  • da Glorinha;
  • do Buritizinho;
  • do Encontro das Águas;
  • do Lino;
  • do Rio Sono;
  • do Soninho.

Alguns deles tem infraestrutura completa para turistas, com restaurantes, decks, áreas para descanso e camping e até redário em meio à natureza. É importante lembrar que é preciso pagar para visitar os fervedouros do Jalapão.

Dunas

É impossível falar de turismo no Jalapão e não citar as impressionantes dunas: bancos de areia de cor alaranjada de até 40 metros de altura que contornam a serra do Espírito Santo e formam um dos mais famosos cartões-postais da região.

A paisagem é responsável pela fama de “deserto” do local, e a areia parece mudar de cor ao nascer e ao pôr do sol.

As dunas são formadas pela erosão das rochas de arenito da serra, consequência da ação do vento, que deposita a areia sempre nos mesmos pontos. A caminhada até o topo leva cerca de 20 minutos e pode ser feita por uma trilha lateral, já que o paredão de areia não é liberado para turistas — para preservar a formação.

O passeio pode ser estendido até Pedra Furada, um conjunto de blocos de arenito enormes esculpidos pelo vento. São três buracos na rocha, de onde é possível observar o Morro Solto e o pôr do sol, cercado por uma paisagem surpreendente.

Aventura

Uma viagem até o Jalapão não está completa sem experimentar um dos muitos esportes e roteiros de aventura disponíveis na região.

O lugar é famoso por suas atividades radicais, mas existem opções para todos os tipos de turistas, dos mais corajosos aos que preferem tranquilidade.

Alguns passeios que atraem visitantes de todo o país são:

  • boia cross pela corredeiras sem usar remos;
  • caminhada pela Trilha do Espírito Santo, em um percurso de 8 quilômetros até o topo do mirante;
  • canoagem no Rio Novo em um percurso simples de 5 quilômetros, com corredeiras que não oferecem perigo;
  • esportes:
    • caiaque;
    • mountain bike;
    • stand up paddle;
    • trekking.
  • passeio pelo Cânion Sussuapara, uma fenda com 25 metros de profundidade que esconde uma cachoeira de 5 metros de altura;
  • rafting pelas corredeiras do Rio Novo — por um trecho de 6 quilômetros que pode durar até 3 horas.

Não é à toa que o Jalapão é considerado um dos destinos mais bonitos do Brasil, não é mesmo? Com essa diversidade de atrações e pontos turísticos, é impossível visitar apenas uma vez!

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