A América do Sul é um destino cheio de surpresas e encantos. Não é à toa que abriga duas das sete maravilhas do mundo moderno: o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, e Machu Picchu, no Peru. 

O primeiro é conhecido por estar em um elevado na Cidade Maravilhosa, já o segundo está no topo de uma montanha de granito e foi descoberto há pouco mais de 100 anos, mas carrega muita magia e mistério sobre a sua criação e serventia. Curioso, não é mesmo? 

Neste texto, você vai entender a intrigante história da cidade perdida dos Incas e conhecer suas atrações turísticas. Confira!

Onde fica e por que conhecer Machu Picchu?

Quem gosta de frio e regiões montanhosas vai adorar a cidadela inca no vale do Rio Urubamba. Ela fica localizada a 2,4 mil metros de altitude, na Cordilheira dos Andes, a 74 quilômetros de distância de Cusco e um pouco mais que 1.106 quilômetros da capital do país, Lima. 

Machu Picchu — “montanha velha”, na língua indígena quéchua — foi declarada pela Unesco como Patrimônio Cultural e Natural da Humanidade. Ou seja, tem respaldo para estar no topo da sua lista de próximos destinos de viagem.

Com apenas um século de descoberta, Machu Picchu é uma excelente opção de viagem tanto para mochileiros, quanto para casais, famílias e grupo de amigos.

Qual a origem e história de Machu Picchu?

A descoberta da cidadela inca foi anunciada em 1911 pelo historiador americano Hiram Bingham. Na época, ele decidiu atravessar a selva peruana e, no trajeto, encontrou um sítio arqueológico cravado em um cenário montanhoso coberto de vegetação e árvores. 

No ano seguinte, o pesquisador decidiu retornar ao local. A expedição foi patrocinada pela Universidade de Yale e pela National Geographic Society, que registrou em uma edição especial da revista, centenas de fotografias e informações sobre o lugar, popularizando a região.

De acordo com as pesquisas realizadas, Machu Picchu é um dos principais símbolos do Império Inca e foi construída no século 15, a mando do então imperador Pachacuti. As tradições locais afirmam que a cidade exala energia e permite aos visitantes conhecer um pouco desse povo, que guardava um conhecimento muito avançado — especialmente para a época.

A misteriosa arquitetura da Cidade Perdida dos Incas é dividida em várias partes: zona agrícola, zona urbana e zona sagrada. As famílias que viviam na região cultivavam, principalmente, milho e batata. E apesar de toda essa riqueza, a cidade foi abandonada antes mesmo de os colonizadores espanhóis chegarem à América do Sul.

Há várias teses sobre a real motivação da construção da cidade, que tinha capacidade para abrigar até mil pessoas. A maioria dos estudiosos acredita que era um local secreto para cultos religiosos, mas há quem defenda que trata-se de uma espécie de universidade de astronomia e de técnicas agrícolas. O fato é que, apesar de antiga, ela é considerada muito moderna para a sua época.

Os incas deixaram para trás muitos elementos enigmáticos, como pirâmides em degraus, templos, calendários solares, pinturas e diversas construções em pedras. Também criaram a tradição de domesticar animais como a alpaca e a lhama, pois, deles, extraíam a lã, além de os usarem para transporte de carga e de alimento. Por muito tempo, essa foi a base da economia do povo quéchua. Entretanto, atualmente, o turismo é uma das principais atividades econômicas da região.

Como planejar a logística para conhecer Machu Picchu?

Agora que você já sabe um pouco mais sobre a localização e o contexto social e histórico de um dos destinos mais procurados da América do Sul, chegou a vez de descobrir como explorar, da melhor forma, uma das sete maravilhas do mundo. Confira alguns detalhes importantes para montar a sua logística.

O aumento do turismo em Machu Picchu — cerca de 1,6 milhão de visitantes por ano — fez com que as autoridades tomassem algumas medidas para conservar o local. Desde janeiro de 2019, as visitas passaram a ter hora marcada e um limite de permanência para os visitantes:

  • 4 horas para as ruínas;
  • 6 horas para Machu Picchu e a Montanha Huayna Picchu (ou Wayna Picchu);
  • 8 horas para as ruínas e a Montanha Machu Picchu.

Vale lembrar que o reingresso não é mais permitido, e é proibido correr, subir nas ruínas ou alimentar os animais presentes no parque. Portanto, seja um turista responsável e obedeça às normas. 

Se possível, chegue dois ou três dias antes dos passeios, para a ambientação à altitude e para conhecer melhor a região. Também é recomendado conhecer primeiro Machu Picchu (2,4 mil metros acima do nível do mar) e, por último, a Montanha Colorida (5 mil metros de altitude). Assim, o seu corpo vai adaptar-se melhor.

Qual é a melhor época para visitar Machu Picchu?

Com tantas atrações, certamente, você já está considerando a possibilidade de fazer um mochilão pela América do Sul. E se tem uma coisa que combina com viagem é planejamento

Um dos pontos mais importantes é definir quando ir. Dezembro a abril, por exemplo, são meses marcados pelas chuvas. Durante esse período, nos dias de precipitação mais intensa, o parque é fechado. Por isso, é recomendado viajar quando o tempo é seco, isto é, de maio a setembro. A alta estação vai de julho a setembro.

Para quem busca mais tranquilidade e preços mais agradáveis, a viagem com melhor custo-benefício pode ser planejada para os meses junho e outubro.

Como chegar a Machu Picchu?

Agora começou a grande aventura! Sim, desbravar a cidade perdida dos incas requer um pouco de paciência e disposição. Mas uma coisa é certa: a chegada é recompensadora. Toda a energia e o esforço da viagem rendem fotos belíssimas e momentos únicos e inesquecíveis.

Uma vez que o trajeto envolve muitos quilômetros e tempo, é comum os turistas acrescentarem outros destinos no roteiro. Paradas na capital Lima ou em Cusco são vantajosas devido à riqueza de atrações históricas e excêntrica gastronomia.

Quem busca uma viagem mais econômica, como os mochileiros, começa a trip na Bolívia e pega o famoso “trem da morte”. Apesar de ser mais barato, ele requer maior disponibilidade de tempo. Já os viajantes tradicionais devem fazer a seguinte jornada. Acompanhe de acordo com cada fase da viagem.

Fase 1: Chegada a Cusco

O primeiro passo é ir até Cusco — cidade grande mais próxima do sítio arqueológico. 

Avião

O meio mais rápido e prático de chegar ao Peru é o avião. Como não há voo direto do Brasil para Cusco, você deve comprar as passagens juntas (Brasil/Lima/Cusco). Isso também facilita a sua vida quando o tempo está ruim, pois os aeroportos podem fechar. Nesse caso, é melhor tratar do assunto com um único tíquete do que vários bilhetes de avião.

O voo entre Lima e Cusco tem apenas uma hora de duração e — curiosidade — é muito mais vantajoso do que fazer o trajeto de ônibus, que pode durar até 24 horas. Sem contar a economia de tempo, há o conforto da aeronave e a paisagem vista do alto.

Fase 2: De Cusco a Aguas Calientes

Desta vez, o trajeto leva até Aguas Calientes, o vilarejo mais próximo de Machu Picchu. Ao chegar lá, você ainda estará a 11 quilômetros de distância do sítio arqueológico, que podem ser percorridos em diversos modais.

Ônibus (econômico)

Se a ideia é economizar diante do tempo livre, ao chegar a Cusco caminhe até o Terminal Santiago, que está a 30 minutos do Centro. Lá, você deve pegar um ônibus com destino à cidade de Santa María, trajeto que toma 5 horas e custa 15 soles (moeda local). 

Ao desembarcar, encontrará várias vans que oferecem a continuidade da viagem até a Hidrelétrica de Santa María, por mais 15 soles em uma hora e meia. Por fim, basta encarar os 11 quilômetros finais caminhando até a cidade do Império Inca.

Agências de viagem (intermediário)

Ao redor da Praça das Armas, há várias empresas de turismo que oferecem o traslado, e há um hotel em Aguas Calientes em que os turistas podem descansar antes de encarar os 11 quilômetros até Machu Picchu. Por isso, é muito comum que o visitante pegue o transfer, pernoite em Aguas Calientes e guarde as energias para subir à Cidade Perdida bem cedo no dia seguinte.

Trem (luxo)

Se você deseja realizar a viagem em apenas um modal, esta é a melhor opção. Não só é a mais cômoda (não é preciso caminhar os 11 quilômetros), como é a mais luxuosa. Isso, porque, assim como as companhias aéreas e empresas de ônibus, o bilhete é emitido de acordo com a classe econômica escolhida, variando entre 50 e 400 dólares. 

Se decidir pela viagem de trem, escolha um assento na janela, para observar as belas paisagens do caminho. O trajeto de Cusco a Machu Picchu dura entre três e quatro horas, mas também é possível comprar um bilhete até destinos anteriores ao sítio arqueológico.

Uma das paradas é Aguas Calientes, com viagem de duas a três horas de duração. O trem leva até a estação Poroy e, de lá, é preciso pegar um ônibus até Aguas Calientes. Outra opção de parada é no vilarejo de Ollantaytambo, bastante conhecido pela cultura local.

Fase 3: Aguas Calientes a Machu Picchu

Esse trecho vai ser definido pela sua disposição física e financeira. Veja os exemplos.

Micro-ônibus

É possível chegar ao topo da montanha sem fazer a trilha. Há micro-ônibus que oferecem o trecho por 12 dólares. Considerando a distância (apenas 11 quilômetros) e a duração do trajeto (30 minutos), o valor pode sair mais alto. No entanto, este é o único veículo autorizado a trafegar até a entrada do sítio arqueológico.

Trilha 

Caso não queira pagar pelo microônibus, você pode percorrer os 11 quilômetros caminhando. Trata-se de uma subida íngreme. Saia, de preferência, no início da manhã e aproveite melhor o dia. A caminhada é feita pelos trilhos do trem, acompanhada de belas paisagens de rios e montanhas, com duração média de três horas.

Bônus: Trilha Inca

Esse trajeto é voltado para os mais aventureiros: começa em Cusco vai até Machu Picchu. O trecho, também conhecido como Trilha Inca, tem 42 quilômetros de extensão e é uma das rotas de trekking mais famosas do mundo. Normalmente, é percorrida em quatro dias de total contemplação da natureza. Contudo, para chegar pela trilha, o visitante precisa fazer uma reserva e estar acompanhado de, pelo menos, uma pessoa.

Como comprar ingressos para o parque?

Existe um site oficial para compra dos ingressos. Eles devem ser adquiridos com bastante antecedência, principalmente se a viagem ocorrer durante a alta temporada. Conheça as opções disponíveis.

Machu Picchu

A entrada acontece de hora em hora, entre 6h e 14h, e podem ser realizados três circuitos: o mais longo e completo, que contempla todas as ruínas (3h), o médio, que passa pelas áreas centrais da cidade, e o da parte inferior, indicado para pessoas com dificuldade de locomoção. Há uma limitação diária de 5.940 visitantes, e a entrada custa 152 soles.

Machu Picchu e a Montanha Huayna Picchu

Nesta opção, você conhece as ruínas e a famosa montanha retratada ao fundo das fotos tiradas no local. Se quiser conhecê-la, organize-se bem, pois há apenas 400 disponíveis por dia: metade para o horário entre as 7h e as 8h, e a outra metade para o horário entre as 10h e as 11h. O ingresso custa 200 soles.

Machu Picchu e Montanha Machu Picchu

Como o próprio nome diz, além das ruínas de Machu Picchu, é possível conhecer a montanha homônima, de 3.082 metros de altitude, num trajeto de 2 quilômetros de extensão e 3 horas de duração. Os ingressos, que custam 200 soles, são divididos para dois grupos: o primeiro, das 7h às 8h, e o segundo das 9h às 10h, totalizando apenas 800 visitantes por dia.

Onde ficar para visitar Machu Picchu?

Como você viu, há três cidades no caminho de Machu Picchu que podem ser escolhidas para a hospedagem. As três oferecem desde hostel a hotel cinco estrelas. Veja o diferencial de cada uma.

Cusco

É a mais urbana, fica próxima ao aeroporto e tem uma cultura apaixonante. As cores de Cusco e a receptividade do povo peruano são inesquecíveis.

Ollantaytambo

É conhecida como Vale Sagrado dos Incas e fica no meio do caminho entre Cusco e Machu Picchu. Suas principais atrações são as ruínas, o Templo do Sol e a montanha Pinkuylluna.

Aguas Calientes

É a mais próxima das ruínas, então, é uma opção para quem quiser visitá-las mais de uma vez, fazer fotos e até aventurar-se pela trilha de 11 quilômetros.

Conhecer Machu Picchu requer um planejamento diferenciado, mas trata-se de uma viagem incrível, capaz de gerar memórias inspiradoras e divertidas. Enfrentar todas as etapas do trajeto até a cidade do Império Inca é, também, uma jornada de autoconhecimento e superação. Vale para qualquer viajante!

Animou-se com o destino? Então, comece a pesquisar as passagens e reserve na agenda a sua viagem até uma das sete maravilhas do mundo moderno!

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