Minas Gerais é um dos estados mais ricos em história, cultura, arquitetura, gastronomia e autenticidade. Grande parte de suas obras datam da época do Brasil Colônia. O território, que teve grande relevância no auge do ciclo do ouro, é repleto de atrações e surpresas. 

Ou seja, visitar as cidades históricas mineiras é uma verdadeira viagem no tempo, com a vantagem de contemplar todas as belezas naturais e o carisma de seu povo nos dias atuais. 

Para você entender melhor o assunto, reunimos vários destinos, atrativos turísticos da região, caminhos para uma road trip e algumas curiosidades. Assim, fica mais fácil planejar a viagem. Gostou da ideia? Então, continue a leitura!

Estrada Real: roteiro para conhecer as cidades históricas mineiras

As cidades históricas brasileiras têm atrativos para todos os gostos. Desde conjuntos arquitetônicos, exposições artísticas, esculturas, artesanatos, patrimônios históricos, igrejas e museus até belezas naturais, como serras e cachoeiras. Além dessas características, as cidades históricas de Minas Gerais têm uma via em comum: a Estrada Real.

Trata-se de um percurso que surgiu em meados do século 17, quando a Coroa Portuguesa instituiu caminhos para que os colonizadores realizassem o trânsito de ouro e diamantes de Minas Gerais, passando por São Paulo, até os portos do Rio de Janeiro. Como as trilhas foram delegadas pela realeza, deram-lhe o nome de Estrada Real.

Apesar de carregar a história sofrida de colonização, a estrada passou por um projeto, em 2001, para transformar-se em um ponto turístico. E funcionou: hoje, é tida como a maior rota turística do país. Por meio dela, os visitantes conhecem as tradições do percurso e valorizam a identidade e belezas da região.

São mais de 1.630 quilômetros de extensão, que percorrem 177 municípios — a maioria em Minas Gerais, o resto dividido entre Rio de Janeiro e São Paulo. Toda essa distância pode ser explorada por diferentes caminhos. Conheça.

Caminho Novo

Como o próprio nome diz, é o mais recente. Foi definido entre 1722 e 1725. Tem 515 quilômetros de extensão, divididos em 18 trechos. A maior parte é de estrada de terra (63%) e de asfalto (32%), mas também existem áreas de trilhas (25 km).

No caminho, o visitante encontra uma série de elementos da época das bandeiras, como túneis e chafarizes. As fazendas, com construções dos séculos 18 e 19, foram transformadas em charmosas hospedagens, ideais para um descanso ou mesmo uma visita, com café e boa prosa.

Caminho Velho

Esse foi o primeiro caminho aberto oficialmente pela Coroa Portuguesa para levar o ouro de Minas Gerais até o litoral fluminense: tem 710 quilômetros de extensão e 27 trechos. A maior parte é de estrada de terra, com pouco asfalto e pequenas partes de trilha e calçamento. 

O percurso, que vai de Ouro Preto (MG) até Paraty (RJ), é um prato cheio para quem gosta de conhecer diferentes culturas. As atrações turísticas são um misto de raízes indígenas, africanas e europeias. Para relaxar, há charmosas pousadas no caminho e algumas áreas com nascentes.

Vale a pena uma parada em Ouro Preto, para admirar sua arquitetura; em Tiradentes, para saborear suas delícias gastronômicas; em Cunha, para admirar a vista da Pedra da Macela, que abrange Paraty, a baía de Angra dos Reis, Ilha Grande, a Serra da Mantiqueira e a Serra da Bocaina; nos municípios mineiros que compõem o Circuito das Águas, para refrescar-se, e, lógico, em Paraty, para contemplar toda a riqueza histórica e cultural do destino.

Caminho dos Diamantes

O Caminho dos Diamantes foi adotado a partir de 1729, quando as pedras preciosas do município de Diamantina ganharam destaque tanto na economia brasileira quanto na portuguesa.

Ao todo, são 395 quilômetros de extensão, com 18 trechos, divididos em estrada de terra, asfalto e trilha. Normalmente, o trajeto é feito de carro, mas há quem prefira a aventura de viajar de bicicleta (cerca de 8 dias) e até a pé (em média, 27 dias).

O grande diferencial desse caminho é que ele tem como pano de fundo a Reserva da Biosfera da Serra do Espinhaço, de natureza exuberante e paisagens incríveis. A história, a cultura e a gastronomia são outros fatores que se destacam na viagem — ideal para famílias.

Caminho de Sabarabuçu

Esse é o menor caminho, com apenas 160 quilômetros e 6 trechos, dividido em estrada de terra e trilhas. Ele surgiu a partir de uma possível existência de ouro e de outras pedras preciosas. Para explorar esse “tesouro”, os bandeirantes criaram uma rota alternativa entre o Caminho Velho e o Caminho dos Diamantes, que logo ficou conhecido como Caminho de Sabarabuçu.

A tese defendida pelos bandeirantes surgiu porque, no topo da montanha (atual Serra da Piedade e antigo Pico de Sabarabuçu), havia um brilho semelhante ao ouro, mas, na verdade, era minério de ferro refletindo a luz do Sol.

A região reúne vários atrativos naturais, como a Serra da Piedade, com 1762 metros de altitude, e o Rio das Velhas, além de pontos de interesse cultural e histórico, com dezenas de igrejas e festas populares. Uma verdadeira aula de campo para quem deseja viajar com crianças.

As principais cidades históricas de Minas Gerais 

Agora que você já sabe como utilizar a Estrada Real durante a sua viagem pelas cidades históricas mineiras, chegou a vez de descobrir os principais destinos da região. Eles são válidos tanto para a hospedagem quanto para passeios.

Veja, a seguir, a história de cada cidade, seus pontos turísticos e opções de entretenimento.

Congonhas

A maioria das obras de Minas Gerais são do estilo Barroco. Em Congonhas, um dos locais mais importantes a seguir essa tradição é a Basílica do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, declarada pela Unesco como Patrimônio Mundial. Outra atração imperdível são as seis Capelas dos Passos.

O cartão-postal da cidade são as esculturas em pedra-sabão dos 12 profetas, de Aleijadinho, representando a Paixão de Cristo. Por esse motivo, durante a semana santa, o lugar fica repleto de turistas, que se misturam a moradores e percorrem as ruas da cidade em procissões.

Tiradentes

Esse é um dos destinos mais bem-conservados do país, com uma gastronomia reconhecida mundialmente. Desde 1997, é realizado o Festival Cultura e Gastronomia Tiradentes, que transforma a cidade histórica em um caldeirão de cheiros, sabores e histórias, atraindo turistas do mundo todo.

O lugar, que já foi chamado de Arraial Velho de Santo Antônio e de Vila de São José do Rio das Mortes, é pequeno e aconchegante. As ruas de pedra e os charmosos restaurantes dão um ar bucólico ao ambiente. E para quem gosta de turismo religioso, esse é o destino certo. Confira alguns atrativos:

  • Igreja Matriz de Santo Antônio (segunda mais rica em ouro do Brasil);
  • Igreja de Nossa Senhora do Rosário;
  • Capela Nossa Senhora das Mercês;
  • Capela Bom Jesus da Pobreza;
  • Capela João Evangelista;
  • Capela São Francisco de Paula;
  • Santuário da Santíssima Trindade;
  • Museu Casa Padre Toledo;
  • Museu da Liturgia.

E quem gosta de atrações mais diversificadas vai querer fazer um passeio pela praça principal, Largo das Forras, pelas Ruas Padre Toledo, Direita, Ministro Gabriel Passos e a ladeira da Rua Câmara, além de conhecer o Centro Histórico e o Chafariz de São José.

São João Del-Rei

Assim como a maioria das cidades mineiras, São João Del-Rei surgiu a partir de movimentos colonizadores. O nome, claramente em homenagem a Dom João V, comprova isso. No entanto, a cidade sobreviveu aos bandeirantes, cresceu economicamente e hoje é um dos destinos mais procurados de Minas Gerais. Do passado, ficaram apenas a arquitetura portuguesa, as igrejas e os memoriais. 

O comércio local é bastante movimentado, e o turismo é intenso — tanto pelos atrativos locais quanto pela proximidade com Tiradentes, que fica a menos de 15 quilômetros de distância. A cidade é habitada, principalmente, por estudantes de três universidades. Por isso, também é comum encontrar diversas repúblicas.

O passeio por São João Del-Rei é semelhante a uma viagem ao passado ou a uma cidade cenográfica. Tanto de dia quanto à noite, o clima aconchegante de cidade do interior encanta os visitantes. As casas coloniais, a Ponte da Cadeia, a Praça Frei Orlando, a Ponte do Rosário, as ladeiras de paralelepípedo, a ferrovia de 1881, as cores e a religiosidade são um verdadeiro espetáculo, digno de muitas fotos.

Um de seus nativos mais conhecidos é o advogado, empresário e político Tancredo Neves, que foi eleito presidente da República, mas faleceu antes de assumir o cargo. Seu corpo está enterrado no cemitério localizado nos fundos da Igreja São Francisco de Assis, conhecida pela linda arquitetura barroca e rococó. A história de vida do advogado são-joanense está retratada no Memorial Tancredo Neves.

Além dos que já foram citados, os principais atrativos turísticos do município, que não podem faltar no seu roteiro, são o Centro Histórico, a Catedral Basílica de Nossa Senhora do Pilar, a Igreja de Nossa Senhora das Mercês e a Rua das Casas Tortas.

Ouro Preto

Pela proximidade com Belo Horizonte (cerca de 132 quilômetros), essa é uma das mais famosas cidades históricas mineiras. É nela que está a igreja mais rica do Brasil: a Matriz Nossa Senhora do Pilar. E por falar em igreja, prepare-se para encontrar incríveis construções e artes barrocas.

Mas não pense que Ouro Preto só tem prédios históricos, a natureza também se destaca. Além do Parque de Itacolomi, com extenso território para trilhas e caminhadas e um pico de 1700 metros de altitude, os amantes do ecoturismo podem conhecer o Parque Horto dos Contos, o segundo jardim botânico do Brasil.

Quem gosta de belas paisagens também vai querer conhecer o Mirante do Morro São Sebastião, de onde se tem uma visão panorâmica da cidade — excelente para fotografias. No entanto, não se esqueça de usar calçados confortáveis, pois o trajeto, como toda a cidade, é repleto de ladeiras.

O conjunto arquitetônico de Ouro Preto é tombado pela Unesco como Patrimônio Cultural da Humanidade. Vale a pena caminhar e conhecer todos os atrativos, como o Museu da Inconfidência, o Teatro Municipal, as igrejas Nossa Senhora do Carmo e São Francisco de Assis, a Casa dos Contos, o Museu do Oratório e a Feira do Largo de Coimbra. 

E que tal um passeio de trem de Ouro Preto até Mariana? Veja o que fazer na cidade vizinha no próximo tópico.

Mariana

Sem dúvidas, o grande diferencial de Mariana é a Mina de Ouro da Passagem, uma das maiores minas abertas para a visitação em todo o mundo. São 120 metros de profundidade, com salões, túneis e lagos. É uma experiência inesquecível.

O Centro Histórico é outro lugar indispensável, com belos casarões coloniais e igrejas construídas no século 18. As atrações religiosas ficam em torno da Praça Minas Gerais: Catedral da Sé de Mariana, que tem, ainda em funcionamento, um órgão alemão de 1701; Igreja São Francisco de Assis e Igreja Nossa Senhora do Carmo.

Próximo à praça, também há a Casa de Câmara e a Cadeia de Mariana (atual Câmara de Vereadores), com um imponente medalhão de pedra-sabão com o símbolo da Coroa Portuguesa.

No Pelourinho, visite a Casa dos Artistas Mestre Ataíde e interaja com os artistas trabalhando no local. Nos andares superiores, é possível contemplar e até comprar as obras expostas.

Diamantina

O nome da cidade revela a grande obra-prima da natureza que lhe deu notoriedade. O território, que já foi muito explorado no garimpo de diamantes e outras pedras preciosas, hoje, tem uma riqueza muito maior: sua história, cultura e herança arquitetônica. Em 1999, Diamantina foi declarada pela Unesco como Patrimônio Cultural da Humanidade.

Além dos becos e casarios coloniais e barrocos que compõem o Centro Histórico, a cidade natal do ex-presidente Juscelino Kubitschek — cuja casa é aberta à visitação — também é marcada pela religiosidade, com as igrejas de São Francisco de Assis e de Nossa Senhora do Carmo.

Se você gosta de turismo histórico, vale fazer uma visita ao Garimpo Real e ao Passadiço e Instituto Casa da Glória, além de hospedar-se em incríveis construções coloniais.

Viu como as cidades históricas mineiras são apaixonantes? Os prédios antigos, as estradas novas e antigas, as cachoeiras, o acervo de igrejas e museus, o sotaque carismático, a culinária mineira e os festivais formam o pacote completo para uma viagem única!

Se você já está considerando viajar para a região, escolha já a cidade de partida e adquira as suas passagens!