O grande número de casos de febre amarela registrado especialmente nos últimos dois anos no Brasil vem desafiando a saúde pública do país e deixando a população cada vez mais apreensiva. Causas, sintomas, mortes, vacinação e cuidados com a febre amarela têm ganhado destaque nos noticiários.

Mas tantas informações também geram muitas dúvidas sobre a doença e sobre o que cada um pode fazer para evitar ser infectado. Pensando nisso, preparamos este post especial, para você entender melhor o que é a febre amarela e conhecer 7 cuidados imprescindíveis a serem tomados ao viajar. Confira!

O que é a febre amarela?

É uma doença infecciosa grave causada por um vírus transmitido por mosquitos vetores. Pode ocorrer tanto em áreas silvestres quanto urbanas. A transmissão da febre amarela se dá pela picada de insetos infectados, ou seja, ela não é contagiosa e não pode ser passada de pessoa para pessoa e nem de animais para pessoas.

No Brasil, o transmissor é o mosquito Aedes aegypti. O último caso de febre amarela urbana foi registrado no país em 1942. Atualmente, a transmissão ocorre apenas em ambientes silvestres. Entre as principais áreas de risco estão locais de matas, rios, florestas, cachoeiras, parques e zonas rurais.

Além da região amazônica, considerada endêmica, a doença também vem sendo registrada nos estados de Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo.

Principais sintomas da doença

Normalmente, o vírus fica incubado de 3 a 6 dias e somente após esse período é que os sinais da doença começam a aparecer. Em algumas situações mais raras, esse tempo pode ser bem maior, chegando a 10 ou 15 dias.

Conheça agora quais são os sintomas mais comuns da febre amarela:

  • febre súbita;
  • calafrios;
  • dor de cabeça intensa;
  • dores nas costas;
  • dores no corpo;
  • náuseas;
  • vômitos;
  • fadiga;
  • fraqueza.

Nos casos mais graves, a pessoa infectada pode ter ainda outros sintomas, como febre alta, icterícia (reconhecida a partir da pele amarelada e dos olhos brancos), hemorragia e até choque e insuficiência múltipla dos órgãos.

Ao apresentar algum desses sinais, a recomendação é procurar imediatamente um médico. Além de relatar os sintomas, é muito importante informar ao profissional da saúde, no momento do atendimento, se você já tomou a vacina, se viajou para alguma área de risco nos 15 dias que antecederam os sintomas e se foi registrada alguma morte de macaco no local visitado.

Lembrando que, ao tomar conhecimento de morte de animal em uma determinada região, é importante comunicar a vigilância sanitária ou o setor de controle de zoonoses, bem como outras autoridades sanitárias do município ou do estado.

Que cuidados com a febre amarela devem ser tomados antes de viajar?

Quem mora em áreas urbanas e tem alguma viagem marcada para zonas rurais e silvestres precisa tomar alguns cuidados importantes antes de se dirigir a esses locais de risco.

O primeiro deles é se vacinar contra a febre amarela, a forma mais efetiva de prevenção da doença. Aqui no Brasil, a vacina é produzida pelo Laboratório Bio-Manguinhos, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), com a chancela do Ministério da Saúde e da Organização Mundial de Saúde (OMS). E é exatamente por ela que vamos começar.

1. Tomar a vacina da febre amarela

A imunização é ofertada no Brasil pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e aplicada nos diversos postos de saúde espalhados pelo país durante todo o ano. Para que a vacina seja efetiva, é preciso receber a dose pelo menos 10 dias antes de viajar em direção a uma área de risco.

Hoje em dia, estão disponíveis dois tipos de vacina da febre amarela: a padrão e a fracionada. A dose-padrão contém 0,5ml da substância e, segundo o Ministério da Saúde, garante proteção para a vida toda. Já a dose fracionada tem 0,1ml, ou seja, um quinto da padrão. Nesse caso, a duração é de pelo menos 8 anos, e ela só pode ser aplicada a partir de 2 anos de idade.

Alguns grupos de pessoas não devem tomar a vacina da febre amarela e, por isso, enquanto não puderem se imunizar, precisam evitar ao máximo visitar áreas consideradas de risco. Veja para quem são as restrições:

  • crianças menores de 9 meses de idade;
  • mulheres amamentando crianças com menos de 6 meses de idade;
  • pessoas com alergia grave à proteína do ovo;
  • portadores de HIV e que possuam contagem de células CD4 com valor inferior a 350;
  • pacientes em tratamento com quimioterapia e/ou radioterapia;
  • pessoas portadoras de doenças autoimunes;
  • pessoas submetidas a tratamento com imunossupressores (que diminuem as defesas do corpo).

Pessoas que fazem uso de corticoide, que têm algum tipo de doença hematológica (do sangue) ou enfermidades hepáticas e renais e aquelas que finalizaram tratamento de quimioterapia e radioterapia devem consultar um médico ou outro profissional da saúde para saber se podem ser imunizadas, tanto com a dose fracionada quanto com a padrão. O mesmo deve ser seguido com idosos e gestantes.

Eficácia da vacina

De acordo com o Ministério da Saúde, a vacina é produzida a partir do vírus atenuado — ou seja, quando ele está vivo, mas não tem capacidade de produzir a doença. Mesmo assim, existe ainda uma pequena chance de a pessoa vacinada desenvolver a febre amarela. Porém, segundo estimativas, essa proporção é de apenas uma única reação para cada 400 mil doses aplicadas.

Após a imunização, algumas pessoas podem apresentar hipersensibilidade e até alguns dos sintomas da doença (como febre, dor de cabeça e dor no corpo). Se isso ocorrer no período de até 15 dias após tomar a vacina, é necessário procurar um médico imediatamente.

Casos de morte registrados em até 30 dias decorrentes da vacinação devem ser investigados para descobrir se o óbito foi ou não relacionado à aplicação da dose vacinal.

2. Conhecer as cidades e os países com áreas de risco

Como já dissemos, a região amazônica brasileira é considerada endêmica, ou seja, um local típico de proliferação da doença. Mas, além desse território, outros estados do país já apresentam casos de febre amarela em suas áreas silvestres.

É o que vem acontecendo no Espírito Santo, na Bahia, em Minas Gerais, em São Paulo e no Rio de Janeiro. 15 estados — e o Distrito Federal — também têm municípios incluídos na lista de recomendação de vacinação. São eles:

  • Acre;
  • Amazonas;
  • Amapá;
  • Pará;
  • Rondônia;
  • Roraima;
  • Tocantins;
  • Goiás;
  • Mato Grosso do Sul;
  • Mato Grosso;
  • Maranhão;
  • Piauí;
  • Paraná;
  • Rio Grande do Sul;
  • Santa Catarina.

Geralmente, a ocorrência dos casos é sazonal e o período de maior incidência se concentra entre os meses de dezembro e maio. Mas o vírus também pode aparecer em surtos com periodicidade irregular, quando encontra condições favoráveis para se disseminar. É o que ocorre em:

  • épocas de temperaturas elevadas;
  • períodos de alta pluviosidade;
  • regiões com grande densidade de mosquitos vetores e hospedeiros primários;
  • ambientes com pessoas mais suscetíveis à infecção pela febre amarela;
  • locais com baixas taxas de cobertura vacinal.

Além do Brasil, outros 12 países da América Central e da América do Sul e 34 do continente africano são considerados endêmicos ou pelo menos têm zonas de febre amarela endêmica, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Pessoas que viajam para as áreas de risco podem levar o vírus aos locais até então livres da doença. Por isso a importância de tomar a vacina da febre amarela e a exigência que esses países fazem de que o visitante apresente um comprovante de sua imunização antes de entrar no território estrangeiro, o chamado Certificado Internacional de Vacinação e Profilaxia (CIVP).

3. Utilizar roupas adequadas para proteger a pele

Quem tem algum tipo de contraindicação para tomar a vacina da febre amarela e precisa viajar, ou vive em áreas consideradas de risco, deve adotar medidas de cuidado individual, que vão além da imunização.

Uma delas é muito simples: proteger ao máximo a pele. Ao visitar matas, florestas, cachoeiras, parques, rios, entre outras áreas silvestres, vista roupas mais largas (nada de peças coladas ao corpo), calça, blusas de mangas compridas (sem decotes) e meias. Também é importante usar sapatos fechados.

Além disso, dê preferência a roupas de tons claros, pois elas chamam menos a atenção dos mosquitos. Procurem, ainda, não usar perfume ao ar livre, pois o cheiro forte pode atrair os insetos vetores.

4. Usar repelente de forma adequada

Tenha sempre em mãos um repelente de insetos e aplique na pele seguindo as orientações de uso e de reaplicação. Lembre-se de observar a faixa etária à qual o produto se destina. Também é muito importante ficar atento aos seguintes detalhes:

  • evite repelentes que contenham protetor solar na composição, pois ele tira o efeito do produto. A recomendação é passar o protetor solar antes do repelente;
  • crianças com idade inferior a 2 anos não devem usar repelente.

Lembre-se ainda de que o repelente só deve ser aplicado nas partes do corpo que estiverem expostas e nas roupas que você vestir, e não por baixo das peças. O produto também não pode ser passado em ferimentos, na pele irritada e nem sobre os olhos ou a boca.

5. Evitar áreas de risco no período de maior incidência da febre amarela

Ainda segundo o Ministério da Saúde, a maior frequência de casos da doença é observada entre dezembro e maio — período que compreende boa parte do verão brasileiro. Nesses meses do ano, há um aumento nas temperaturas e nos índices de chuva, cenário mais propício para a proliferação do mosquito transmissor.

Por isso, se possível, não agende sua viagem para uma região de risco nessa época. Também é válido ficar atento aos horários do dia nos quais há maior risco de levar uma picada do mosquito vetor. Esse inseto tem hábitos diurnos e costuma ficar ativo nos momentos mais quentes, geralmente entre as 9h da manhã e as 16h da tarde.

6. Permanecer mais tempo em ambientes protegidos nas áreas de risco

Se for inevitável viajar para uma área de risco sem estar imunizado contra a febre amarela, é imprescindível tomar outros alguns cuidados durante o período de permanência no seu destino.

Evite adentrar em matas e em outras áreas silvestres ao ar livre. Procure sempre passar mais tempo em ambientes com refrigeração ou que façam uso de mosquiteiros e de telas de proteção nas portas e janelas.

7. Procure atendimento médico imediato se necessário

Se durante a sua viagem, mesmo tomando todos esses cuidados essenciais, você manifestar alguns dos sinais mais comuns da febre amarela (como febre súbita, dores intensas na cabeça e no corpo, entre outros) não hesite em procurar atendimento ainda no local.

Não espere voltar para casa e só então buscar um diagnóstico, pois os sintomas podem piorar e gerar um caso de febre amarela grave, o que pode levar a óbito. Vá até uma unidade de saúde e se consulte com um médico. Ele é o único profissional capaz de constatar a doença e iniciar o tratamento adequado.

Qual é o tratamento da febre amarela?

Ainda de acordo com informações do Ministério da Saúde, o tratamento da doença é apenas sintomático. Isso significa que o paciente recebe uma medicação com o objetivo de aliviar os sintomas, mas ela não age sobre a causa do problema.

As vítimas da febre amarela devem ser hospitalizadas e permanecer em repouso, beber muito líquido e passar por reposição sanguínea, quando indicada pela equipe médica. Nos casos mais graves, a internação precisa ser feita em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), a fim de reduzir possíveis complicações, que podem levar o paciente à morte.

Com a febre amarela não se brinca! Para você ter uma ideia, segundo a última atualização dos dados divulgados pela pasta de saúde, o Brasil tem confirmados 353 casos da doença e 98 mortes, somente entre julho de 2017 e 6 de fevereiro de 2018.

Por isso, é muito importante tomar todos os cuidados com a febre amarela, especialmente quando for viajar para alguma área considerada de risco. Afinal, sua saúde vem em primeiro lugar, não é mesmo?

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