Seja a lazer ou a trabalho, a ideia de viajar é sempre atraente. Quem não gosta de conhecer lugares diferentes? E quando isso vem junto com uma nova oportunidade de negócios, então? Mal dá para segurar a empolgação de ter experiências únicas ao visitar outro país — ou até outro estado, quando falamos de um país tão grande e plural como o Brasil.

No entanto, muitas vezes toda essa animação pode ir embora quando nos deparamos com um choque entre culturas. Ao nos vermos em um local com costumes completamente distintos dos nossos, a forte sensação de deslocamento pode prejudicar inclusive o nosso desempenho no trabalho.

E como lidar com essa situação? Continue lendo para descobrir!

Choque entre culturas?

Mas, afinal de contas, o que isso significa? De acordo com o dicionário de Oxford, o choque entre culturas é o sentimento de desorientação que ocorre com uma pessoa que é subitamente sujeita a culturas, costumes e modos de vida não familiares.

As cinco fases

Todos somos suscetíveis aos efeitos das diferenças culturais. Esse impacto que sofremos é um fenômeno psicológico, que já foi tema de pesquisas e trabalhos acadêmicos.

Por convenção, é possível dividir o choque entre culturas em cinco fases diferentes, sendo que a duração de cada fase é particular para cada indivíduo. Veja a seguir quais são elas.

Fase I: a lua de mel

Nessa fase, o que ocorre é um estado de euforia. Tudo é novo e fascinante! As vestimentas, a culinária, o idioma — você se sente estimulado a explorar tudo.

Pequenos deslizes cometidos, assim como características da cultura local que normalmente seriam incômodas, são quase ignoradas por causa da empolgação de vivenciar novas experiências.

Na lua de mel, o viajante não se sente tão longe de casa. Isso pode durar vários dias, mas essa etapa se encerra assim que terminam as “descobertas”.

Fase II: a rejeição

O que antes era novo e emocionante, torna-se motivo de frustração, e até de raiva.

Começa-se a notar que, por mais que se domine o idioma local, a comunicação não é tão fácil assim. Uma ilustração clássica disso é o tipo de humor. Uma piada que faria vários latino-americanos gargalharem provavelmente não vai surtir o mesmo efeito em um país asiático, ou árabe, por exemplo.

Nesse estágio, você começa a fazer comparações com a sua terra natal. Isso se traduz em uma forte nostalgia e às vezes ressentimento com o local onde está. Pode surgir uma intensa sensação de “o que estou fazendo aqui?”, e é preciso tomar certo cuidado para que isso não evolua para uma depressão.

Fase III: a aceitação

Após passar pela tortuosa mistura de saudade, frustração e ressentimento, as atitudes negativas e hostis para com a cultura local começam a se diluir, pouco a pouco.

As más experiências não são simplesmente motivo de inquietação, mas também de amadurecimento e de aprendizado. Você começa a se sentir menos deslocado e vai se inserindo no cotidiano local aos poucos, já com uma boa ideia dos seus limites dentro do novo contexto.

Fase IV: a integração

A partir daqui, lidar com as diferenças se torna bem menos desafiador. A cultura local é assimilada, de modo que você não se sente mais um solitário, nem um forasteiro.

Alguns costumes são adotados sem que você perceba. Não leva muito tempo até que se sinta em casa, integrado nessa nova cultura, que inicialmente era tão distinta da sua.

Fase V: o “choque reverso”

E parece que justo quando você já é quase inteiramente parte de uma nova cultura, a viagem chega ao fim, e é hora de regressar à terra natal. Começa a fase do “choque reverso”.

É claro que seria um exagero dizer que, ao assimilar outra cultura, você se esqueceria da sua por completo. Mas, ainda assim, o impacto do retorno é uma realidade. Sentimentos de desorientação, nostalgia dos pontos positivos da viagem, e até tristeza e abatimento podem se manifestar.

A readaptação demanda um certo tempo. Muitas vezes, algumas pessoas acabam adotando definitivamente alguns costumes aprendidos durante a viagem.

Lidando com o problema

Bom, agora que já esclarecemos o que é e como ocorre o choque entre culturas, separamos algumas ideias para auxiliar você a encarar esse cenário que, na maioria das vezes, é bem mais desafiador do que parece.

1. Prepare o psicológico

Esteja psicologicamente preparado para o que está por vir. Antes de viajar, tenha plena consciência de que situações difíceis podem e vão emergir em algum momento, e que isso é normal.

A “mentalidade” correta vai te ajudar a ter jogo de cintura para lidar com questões como a saudade de casa, a insegurança provocada pelo desconhecido e a sensação de não pertencimento.

Para ajudar nesse processo de preparação, há até mesmo alguns livros para viajantes, que abordam os aspectos culturais de cada país.

2. Conheça o idioma

Você sabia que a língua mais falada do mundo é o chinês? Ocupando a terceira posição no ranking, o inglês pode ser um salva-vidas em alguns lugares. Mas, se você vai para algum país asiático ou para o leste europeu, uma boa precaução é aprender pelo menos algumas palavras e frases, a fim de conseguir se comunicar.

Afinal de contas, estar em um lugar que você não conhece, sem ser capaz de se expressar direito, pode agravar os sentimentos desagradáveis do choque entre culturas.

Existem diversas plataformas online que podem auxiliar na aprendizagem rápida de algumas noções básicas de idiomas. O Duolingo e o Babbel são bons exemplos.

Mas aqui vai uma sugestão de ouro no que se refere à comunicação: o sorriso é uma linguagem universal!

3. Pesquise muito

Pode ser impossível estar 100% preparado para toda e qualquer adversidade — mas é perfeitamente viável se informar bastante, a fim de não ser pego de surpresa o tempo todo.

Ler sobre o local de destino é essencial para qualquer viagem, especialmente para aquele que viaja a trabalho. Ao identificar de antemão as grandes diferenças culturais, você evita cometer gafes muito sérias e se previne de situações embaraçosas.

Viajar sem saber nada sobre a cultura local pode fazer com que os nativos tenham uma má primeira impressão de você — uma sensação de falta de respeito. E sabemos como isso é indesejável, em especial no contexto corporativo.

4. Misture-se com os nativos

Ao se deparar com o choque entre culturas, especialmente durante a fase de rejeição, é uma tendência natural do viajante tentar buscar contato apenas com conterrâneos, ou com pessoas com culturas semelhantes às dele.

É tentador resumir seu círculo social somente a indivíduos com os mesmos costumes que você. No entanto, lembre-se de que você continua em outro país, e que sempre será um forasteiro se insistir em agir dessa forma.

Estar disposto a aceitar o diferente é o primeiro passo para abrandar os efeitos do choque entre culturas. Pode parecer difícil no início, mas saber agir como os locais traz inúmeras vantagens — inclusive nas situações mais banais do cotidiano, como na hora de negociar preços!

5. Saiba quando não questionar

Às vezes você vai se deparar com cenas e situações que parecem completamente absurdas. É hora de respirar fundo e lembrar que está em um lugar com costumes distintos, e que aquelas circunstâncias não são absurdas para os nativos.

Saiba a hora certa de discutir assuntos polêmicos, como religião ou política. Em alguns lugares do mundo, as pessoas podem ser facilmente ofendidas, e isso vai gerar uma situação desconfortável para todos os envolvidos.

6. Evite comparações

Ficar constantemente pensando em casa e fazendo comparações entre as culturas não é saudável, e vai apenas atrapalhar o seu processo de adequação ao novo ambiente.

Compreender a diversidade e as suas razões te torna mais empático e tolerante — características que são fundamentais para manter boas relações!

7. Cuidado com pessoas tóxicas

Alterar completamente o contexto de sua vida não é uma tarefa fácil. É natural sentir-se sob pressão e stress durante esse processo. Por isso, é importante escolher bem as pessoas com as quais você vai se relacionar.

Procure evitar quem tem uma postura negativa em relação à cultura local. O que já é desafiador pode se tornar muito mais penoso ao lado de alguém que ressalta somente os pontos negativos das coisas.

8. Encontre um novo hobby

Achar uma maneira de se distrair pode ajudar bastante a aliviar as tensões, e a se inserir melhor no contexto social local.

Dê preferência para um hobby que não seria possível na sua terra natal. Dessa forma, você une o útil ao agradável: além de encontrar uma distração, faz isso de um modo exclusivamente associado à nova atmosfera da sua vida!

9. Explore

Viagens proporcionam experiências enriquecedoras. Aproveite para conhecer lugares novos. Visite cidades e paisagens que vão te relembrar de como essa oportunidade é única, e de que você pode explorá-la ao máximo!

Caminhe, percorra, aprenda, e o mais importante: não deixe para olhar para trás e se perguntar: “E se…?”.

10. Compartilhe

Apresente sua cultura aos nativos! Mostre-os nossa música, nossa culinária, nossa história — ou qualquer coisa que te faça ter orgulho da sua identidade cultural.

Além de ajudar a matar um pouco a saudade de casa, isso desperta o interesse dos locais e mostra a eles, na prática, as divergências entre as culturas. Assim, as pessoas mais próximas vão ter uma ideia melhor do impacto com o qual você está precisando lidar no seu dia a dia, e vão ter empatia.

11. Não perca o contato

Fale frequentemente com a sua família e amigos que permaneceram em casa. Fazendo isso, você não dará a mínima chance para os sentimentos de solidão e desamparo.

A internet facilita muito essa comunicação, e não há nenhum mal em explorar isso. Só tome cuidado para não resumir suas relações sociais a um ambiente virtual e acabar se fechando para novas experiências e amizades!

12. Tenha um espaço só seu

Leve em suas malas algo que faça você se sentir à vontade. Alguns livros, um pôster ou um porta-retratos com uma foto que te lembre de casa, por exemplo.

Será como possuir um pequeno santuário capaz de te transportar para o lar quando as coisas parecerem muito difíceis.

13. Seja comunicativo

Não tenha medo de dizer como se sente. Passar por dificuldades durante uma extensa estadia longe de casa não é simples para ninguém. Falar sobre seus sentimentos com amigos e colegas não é um sinal de fraqueza, mas sim de maturidade.

14. Mantenha o bom humor

Pedir pratos errados em um restaurante, sofrer para aprender a utilizar o transporte público, demorar para descobrir onde ficam o sal e o açúcar no supermercado — esses são só alguns exemplos entre as várias situações que podem ocorrer, especialmente durante o período de adaptação.

Sabemos como costuma ser difícil manter a calma diante dessas pequenas frustrações. No entanto, aprender a rir de si mesmo em determinados momentos pode amenizar bastante a situação.

Saiba que você não está sozinho nessas dificuldades — mesmo o viajante mais experiente está vulnerável! Confira algumas histórias engraçadas de jornalistas que foram morar no exterior.

15. Dê tempo para si

Pode parecer clichê, mas essa é talvez uma das ideias mais valiosas que você vai encontrar. Tenha paciência consigo mesmo, saiba que está passando por um processo de adaptação e que não há nada de errado em se sentir cansado de vez em quando.

Respeite seus próprios limites, não se cobre demais e nunca abra mão de uma atitude positiva!

Após passar por essas dificuldades, você vai perceber que se tornou uma pessoa mais madura e resiliente. Vai aprender a reconhecer o seu padrão de ajustamento a novas experiências e saber quais são as táticas que funcionam melhor. Dessa forma, você desenvolve sua adaptabilidade e se vê preparado para continuar produtivo aonde for!

Por mais que as nossas sugestões pareçam simples, garantimos que elas serão de grande ajuda, mesmo diante de um fenômeno tão complexo quanto o choque entre culturas.

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