Você fez um planejamento de viagem detalhado, comprou as passagens com antecedência, checou e confirmou horários e chegou ao aeroporto com tempo de folga para o embarque, tudo como manda o figurino. E imagine a sua surpresa ao ver estampado no painel de partidas um aviso advertindo que seu voo foi cancelado!

Claro que a frustração e a preocupação são sensações comuns nessa hora. Mas, antes de qualquer coisa, é preciso entender que imprevistos do tipo eventualmente atrapalham a rotina dos aeroportos e dos viajantes — por mais que as companhias aéreas se empenhem em oferecer o melhor serviço possível aos passageiros.

Na maioria dos casos, o que pode parecer um aborrecimento para o passageiro é na verdade a garantia de uma viagem tranquila.

É o que ocorre nos casos de necessidade de alguma manutenção por conta de problemas identificados na aeronave ou de condições meteorológicas que comprometam a segurança do voo.

Cancelamentos de voos podem ser provocados por múltiplos fatores que fogem do controle das companhias aéreas.

Por isso mesmo, as empresas costumam ter planos de contingência para agir nesses momentos, seja transferindo pessoas para outros voos, avisando-as do cancelamento com antecedência (quando possível) ou providenciando a devida acomodação dos passageiros até que o contratempo seja solucionado.

Conheça os principais motivos que provocam os cancelamentos dos voos e entenda como eles interferem na dinâmica das viagens.

1. Condições climáticas

Chuvas, temporais, nevoeiros e ventos fortes são os motivos mais frequentes nos atrasos e nos cancelamentos de voos. Equipamentos modernos de navegação nas aeronaves até ajudam a contornar situações menos severas, mas há casos em que não há alternativa.

Condições meteorológicas adversas, como nevascas e furacões, chegam a impedir a operação de aeroportos por dias. Afinal, qualquer mínimo risco à segurança de um voo precisa ser considerado e evitado.

Se o mau tempo persiste por muitas horas, não há outra opção: é preciso cancelar os voos programados até que o clima se estabilize e permita pousos e decolagens 100% seguros.

2. Voos com baixa ocupação

Quando a venda de passagens é menor que 30% da capacidade de um avião, muitas vezes o custo de operação do voo se torna inviável para a companhia. Nesses casos, as empresas podem cancelá-lo e reacomodar os passageiros em um voo que parta logo em seguida.

Normalmente esse arranjo não causa grandes contratempos, já que o voo no qual os viajantes são realocados costuma decolar poucas horas depois do horário para o qual estava agendado o original.

3. Overbooking

O agendamento de mais passageiros do que o suportado pela aeronave não é só causado pela venda de tíquetes a mais, como pode parecer para a maioria das pessoas.

De fato, é comum a comercialização de assentos com uma pequena margem acima da lotação da aeronave. Isso ocorre em função de cálculos automatizados feitos a partir da média de passageiros que deixam de embarcar.

Mas há outros fatores que são motivos bem mais frequentes para o cancelamento de tíquetes de última hora.

Por exemplo: a substituição da aeronave originalmente prevista por outra de menor capacidade (por conta de problemas técnicos), cancelamentos de outros voos (o que obriga a realocação de passageiros) ou atrasos que fazem com que as pessoas percam conexões e necessitem ser remanejadas.

4. Passageiros não localizados

Nessa situação, o passageiro fez check-in normalmente, despachou suas bagagens e pegou seu cartão de embarque, mas acabou não entrando no avião. Como é norma internacional de segurança de aviação, nenhuma mala pode viajar desacompanhada.

Nos casos de desaparecimento, a companhia aérea tenta localizá-lo por avisos sonoros transmitidos por todo o aeroporto. Se não houver êxito e a segurança do voo puder ser comprometida, é possível que haja o cancelamento.

Quando se decide retirar a mala da pessoa sumida da aeronave, muitas vezes é necessário vasculhar entre toneladas de bagagem e esvaziar o porão, o que pode levar muito tempo e comprometer as viagens futuras programadas na rota diária do avião.

5. Tráfego aéreo

Em 30 anos, o volume de tráfego aéreo no mundo todo aumentou em mais de seis vezes, e esse ritmo segue crescendo. Congestionamentos na malha aérea são muito comuns, especialmente nas grandes metrópoles.

Com a grande quantidade de aeronaves circulando, problemas com atrasos e manutenções não rotineiras acabam provocando um efeito dominó capaz de afetar os horários dos voos em vários aeroportos e, em casos complexos, até de cancelá-los.

Além disso, a estrutura dos aeroportos brasileiros é precária e não dispõe de pistas suficientes para a grande demanda nem de espaço para o estacionamento das aeronaves. Isso forma um gargalo, especialmente quando há alterações na programação normal do terminal — como desvio de aviões de outro aeroporto que precisou ser fechado.

6. Problemas de infraestrutura

Os sistemas de radares aéreos operados no mundo não têm cobertura uniforme. Por questões de segurança, muitas vezes os controladores de tráfego aéreo determinam um prazo maior do que o normal entre as operações de decolagem e aterrissagem quando os radares não conseguem garantir a cobertura ideal. Com essas alterações, a programação de um voo agendado para aquele aeroporto pode facilmente ser cancelada.

7. Excesso de movimento nos aeroportos

Especialmente em época de férias, feriados, início da manhã e da noite, a movimentação nos grandes aeroportos costuma ser muito intensa, com programação bastante apertada de pousos e decolagens.

Com grandes filas para despachar bagagens e muita demora nos embarques e desembarques de aviões lotados, pode haver grandes atrasos que afetarão os voos futuros não só no aeroporto em questão, mas em vários terminais por onde esses voos passariam nas suas rotas programadas no resto do dia.

8. Problemas técnicos nas aeronaves

Como aviões são máquinas extremamente complexas e dotadas de sistemas ultrassensíveis de segurança, é frequente o cancelamento de voos por contratempos técnicos detectados nas checagens de rotina.

Questões simples (como abastecimento, manutenção dos pneus e limpeza do interior da aeronave) já são capazes de gerar atrasos.

Em grande parte das vezes, a equipe de manutenção consegue fazer o reparo e garantir a partida do voo. Mas o protocolo determina que ele seja cancelado se for detectada a necessidade de um conserto mais específico ou se houver um mínimo risco de o problema comprometer a segurança da viagem.

9. Regras de repouso da tripulação

Se as questões técnicas são essenciais na garantia de segurança de um voo, o fator humano tem peso equivalente. Afinal, pilotos, assistentes e comissários precisam estar 100% atentos e prontos para agir em qualquer intercorrência.

Normas internacionais determinam a escala máxima e o tempo mínimo de descanso desses profissionais entre um voo e outro, mas essas escalas podem ser influenciadas por atrasos em viagens anteriores.

De acordo com o regulamento em vigor, os integrantes de uma tripulação não podem, em hipótese nenhuma, trabalhar mais de 11 horas seguidas.

Para obedecer à regra, muitas companhias dispõem de equipes de sobreaviso. Mas quando a substituição não puder ocorrer, não há outra solução a não ser o cancelamento.

Da mesma forma, caso não haja tempo suficiente de repouso para a equipe, ela é impedida de embarcar e, com isso, o voo precisa ser cancelado. Equipes defasadas por conta da falta de um funcionário ou pelo atraso no voo que o traria também provocam problemas semelhantes.

10. Comportamento dos passageiros e emergências médicas

Mais raramente, a conduta de passageiros e problemas de saúde apresentados durante o voo também podem provocar seu cancelamento. A tripulação é treinada para lidar com a maioria dessas situações e contorná-las.

Mas comportamentos ameaçadores, brigas, pessoas alcoolizadas e fora de controle, surtos psicóticos, sintomas agudos de doenças, ataques de pânico e trabalho de parto são situações que podem fazer com que o voo não decole, retorne no meio da rota ou até mesmo pouse em alguma cidade não programada — afetando tanto a viagem em curso quanto as subsequentes que seriam realizadas pela aeronave.

11. Conexões atrasadas

A complexa lógica das conexões é um dos principais motivos de atrasos e de cancelamentos de voos no mundo.

A regra no Brasil determina que se o passageiro estiver em um voo que atrasou e não houver alternativas para a conexão, a aeronave é obrigada a esperar até uma hora.

Imagine uma sequência desses atrasos, considerando que uma aeronave voa entre 7 e 12 horas por dia no Brasil: é uma reação em cadeia que possivelmente vai acarretar o cancelamento de algum voo programado.

12. Sistemas de controle e comunicação fora do ar

Assim como nos bancos, há um sistema que controla a movimentação de aeroportos, o tráfego aéreo e a comunicação com pilotos de maneira completamente interligada. As liberações de pousos e decolagens dependem dele.

A rigidez com os protocolos é tanta que exige-se a comunicação de todos os dados da aeronave, como número de passageiros embarcados, peso e medidas tomadas a bordo.

Como a segurança é o item prioritário no transporte aéreo, qualquer problema nesses sistemas obriga a paralisação de operações. Se a pane perdurar, vários voos podem sofrer cancelamentos até que o sistema seja restabelecido e seja possível garantir a operação segura das viagens.

Se o problema ocorre de forma isolada no sistema de comunicação de um avião, ele só será liberado para voar depois que o defeito for reparado.

E basta que o sistema de apenas um aeroporto apresente problemas para que vários outros terminais — e consequentemente os voos programados para eles — também sejam afetados.

13. Reforço na fiscalização de bagagens e passageiros

Mais comum nos EUA e na Europa, alertas de segurança determinando fiscalizações mais cuidadosas de passageiros podem alterar profundamente a programação de viagens.

Em alguns casos, as recomendações determinam checagens minuciosas no raio X e detectores de metal e até a abertura de malas e verificação manual de seus conteúdos.

Operações do tipo também são comuns durante grandes eventos, como as Olimpíadas ou a Copa do Mundo, e costumam complicar a rotina dos aeroportos, principalmente na fase inicial de implantação. Com a incorporação das novas medidas à rotina, os contratempos tendem a ser minimizados.

Situações assim retardam bastante os embarques e retêm voos por horas, gerando atrasos e cancelamentos em cadeia.

14. Cargas especiais

Você já parou para imaginar a infinidade de cargas que um avião pode transportar? Além da bagagem dos passageiros, pode haver carga viva, como animais de estimação, substâncias químicas, maquinários e produtos médicos.

A maior parte desses artigos demanda documentação e burocracia específicas para embarque e desembarque, e muitas vezes exige fiscalizações aduaneiras e da Polícia Federal.

Caso haja algum imprevisto que impeça a liberação desses objetos durante a vistoria técnica, o voo ficará retido até que o problema seja solucionado, o que vai impedir que a aeronave siga viagem.

Para os passageiros, nem sempre é fácil entender quantos fatores podem estar envolvidos no cancelamento de um voo.

Mas basta pensar na grande complexidade do gerenciamento da malha aérea e na facilidade de um evento isolado em um aeroporto provocar uma série de rebatimentos em vários voos. Assim, fica mais fácil entender como essa dinâmica funciona.

Claro que um cancelamento provoca aborrecimentos e nenhum viajante se programa para passar por essa situação.

Por isso, as companhias aéreas trabalham com o objetivo de evitá-los a todo custo. Mas como nem todos os fatores podem ser controlados por elas, as empresas se empenham em minimizar os contratempos e contornar possíveis contrariedades.

Embora os problemas que causam cancelamentos de voos sejam multifatoriais, a maioria deles se baseia na garantia de segurança dos passageiros.

Dessa forma, ao contrário do que se costuma pensar, em muitos casos trata-se muito mais de excesso de zelo com os viajantes do que descaso e falta de cuidados.

Por isso, além de manter a tranquilidade diante da adversidade de um cancelamento, é importante ter em mente que a solução do problema será providenciada rapidamente pela companhia aérea, seja realocando o passageiro no próximo voo, seja remarcando a passagem para outro dia ou horário mais conveniente.

Gostou de conhecer um pouco melhor a dinâmica das viagens de avião e de entender como e por que os voos são eventualmente cancelados? Então compartilhe este post nas suas redes sociais!