Ao viajar para alguns países, você vai ser informado de que é necessário emitir um cartão de vacinação internacional. Muitas pessoas não sabem da existência desse documento, o que acaba frustrando o passeio tão desejado. Oficialmente, o seu nome é “Certificado Internacional de Vacinação ou Profilaxia” ou CIVP, e ele é gerado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Esse documento é solicitado para que estrangeiros possam entrar em alguns países. Ele comprova que você tomou as vacinas necessárias para estar imune a certas doenças. Hoje em dia, a vacina mais exigida é a da febre amarela, que pode ser tomada de forma gratuita nos postos de saúde. E, recentemente, a Anvisa divulgou que quem já tomou essa vacina pelo menos uma vez na vida não precisa de uma segunda dose.

Se você vai viajar e não tem certeza se deve emitir esse importante documento, não se preocupe! Estamos aqui para tirar as suas dúvidas. Confira neste post tudo sobre o cartão de vacinação internacional!

Quais países exigem o cartão de vacinação internacional?

Não são todos os locais que demandam o documento. Ele é obrigatório somente para aqueles viajantes que vão visitar países que exigem a vacina contra a febre amarela. Portanto, o primeiro passo é verificar se o seu destino está entre eles.

Na realidade, há países que pedem o cartão de vacinação internacional de todos os viajantes. Mas há aqueles que exigem apenas de quem veio de alguma área de risco.

Infelizmente, o Brasil é considerado um local de risco para a doença, por isso todo brasileiro deve apresentar o CIVP ao viajar para algum lugar que peça esse documento. Os principais são: África do Sul, Bolívia, China, Indonésia e Malásia.

No início de 2017, o Brasil sofreu com um grande surto de febre amarela em alguns estados. Isso fez com que vários locais, que antes não pediam a carteira de vacinação internacional, começassem a exigi-la dos brasileiros. Esse é o caso de Panamá, Nicarágua, Venezuela e Cuba.

Até hoje, são mais de 135 locais que demandam o cartão de vacinação internacional. Estados Unidos, Canadá e nações da União Europeia não têm essa exigência. Mas é importante que você preste atenção na conexão da sua viagem: caso ela seja em algum país que pede o cartão, você deve emiti-lo por precaução.

Os status de exigência dos países podem ser alterados a qualquer momento, portanto é necessário estar atento. Você pode ver todos os países que requisitam o documento nesta lista disponibilizada pela Anvisa.

O que é a febre amarela?

Para que você compreenda a importância da vacina contra a febre amarela, deve entender a doença em si.

Ela é viral, ou seja, é causada por um vírus. Sua propagação se dá por meio da picada do mosquito fêmea das espécies Haemagogus e Sabethe. Elas são as transmissoras da febre amarela silvestre, comum em áreas rurais, interiores e matas fechadas.

Em centros urbanos, a doença é transmitida pelo mosquito da espécie Aedes aegypti. Com certeza você já ouviu falar desse mosquito, pois ele também é o principal responsável pela dengue, enfermidade que assola diversas cidades brasileiras.

Não importa qual seja o transmissor da doença, o vírus da febre amarela sempre será o mesmo. Os principais sintomas são: dor de cabeça, febre altíssima, calafrios, fortes dores musculares, vômitos e náuseas. Eles ocorrem de maneira contínua durante três dias.

A vacina, com certeza, é a melhor forma de prevenção. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), ela é indicada para qualquer pessoa entre 9 meses e 60 anos de idade. Porém, ela é altamente aconselhável para pessoas que moram em áreas de riscos (afetadas por surtos) e para quem vai viajar para países que exigem a vacina como requisito de entrada.

Também é recomendado que tomem a vacina os viajantes que vão para destinos nacionais que constam como locais de risco da doença. Mas a orientação maior é que todos devem tomá-la, independentemente de viagens marcadas.

Como tomar a vacina contra febre amarela?

Antes de emitir o cartão, você deve ver se está em dia com a vacina contra febre amarela.

Isso pode ser verificado na carteira de vacinação nacional. Caso você ainda não tenha tomado, procure algum posto do Sistema Único de Saúde (SUS) próximo de sua residência.

Para tomar a vacina, não é necessário pagar nada. Porém, não se esqueça de levar um documento oficial com foto e a sua carteira de vacinação nacional. É ela que vai conter o carimbo e a assinatura do agente de saúde responsável.

A carteira com essa assinatura é um dos papéis necessários para emitir o seu CIVP. Mas se você não tiver a carteira, não se preocupe, pois é possível adquirir uma nova no posto de saúde.

A vacina é indolor e rápida, dificilmente você vai esperar mais que alguns minutos. E lembre-se de que ela deve ser tomada pelo menos 10 dias antes do seu embarque. Isso ocorre porque você estará imune ao vírus da doença apenas após o décimo dia desde que tomou a dose.

Além disso, de acordo com a OMS, quem já foi vacinado contra a febre amarela uma vez não precisa tomar de novo. Antigamente, era recomendada a “manutenção” após dez anos da primeira dose. Porém, por conta de novos estudos relacionados à doença, essa orientação foi alterada.

Podem ser exigidas vacinações contra outras doenças?

Apesar de a febre amarela ser a mais exigida entre os países que pedem o CIVP, alguns locais podem solicitar precaução contra outras doenças.

Por exemplo, a vacina contra febre tifoide é recomendada por ser solicitada por alguns países da África e da Ásia, principalmente aqueles que têm problemas de saneamento básico.

Para ter certeza das vacinas que podem ser requisitadas, sugerimos entrar em contato com o consulado do país de destino.

Também devemos destacar que, apesar de algumas vacinas não serem obrigatórias, elas podem ser recomendadas em viagens para países que estão apresentando epidemias de doenças.

Esse é o caso da Itália que, em 2017, sofreu com um surto de sarampo. Por esse motivo, é aconselhável que os viajantes para esse país estejam em dia com a vacina tríplice viral, que dá proteção contra sarampo, caxumba e rubéola.

No geral, o Ministério das Relações Exteriores recomenda as vacinas contra sarampo, rubéola, caxumba, tétano, difteria e tuberculose para qualquer tipo de viagem.

Como emitir o cartão de vacinação internacional?

A emissão do documento é feita de forma gratuita. Basta procurar os Centros de Orientações para a Saúde do Viajante, administrados pela Anvisa. Os centros ficam localizados nos principais portos, aeroportos e postos de fronteira do Brasil.

Além disso, o cartão de vacinação internacional pode ser emitido em algumas unidades do Sistema Único de Saúde (SUS), que podem ser postos de saúde, hospitais e clínicas particulares. Porém, verifique antes se esses locais estão credenciados pela Anvisa para fornecer o documento.

Outra informação que deve ser ressaltada é que os postos da Anvisa não aplicam a vacina contra febre amarela, apenas emitem o cartão. Para tomar a vacina, você deve procurar unidades de saúde devidamente qualificadas para o serviço.

Quais documentos devem ser apresentados?

A pedido da Anvisa, a emissão do CIVP só é feita quando o viajante apresenta a carteira de vacinação em dia e um documento de identificação válido — que pode ser a carteira de identidade (RG), carteira de motorista (CNH) ou passaporte. Indígenas que não têm documento de identificação estão dispensados da apresentação.

Para agilizar o processo, a Anvisa disponibiliza um cadastro eletrônico, que pode ser feito neste link. Lembrando que a emissão só é possível com a presença do viajante interessado. Por ser internacional, a assinatura no cartão de vacinação deve ser idêntica à do documento pessoal apresentado.

E em casos de menores de 18 anos?

Se você vai viajar com crianças ou adolescentes menores de 18 anos, é seu dever como responsável solicitar a emissão da carteira internacional de vacinação deles.

O menor de idade não precisa estar presente na hora da solicitação, uma vez que os responsáveis podem assinar por ele. Porém, se o menor optar por assinar, é recomendado que a assinatura seja idêntica ao documento apresentado.

O importante é que o CIVP esteja assinado. Caso contrário, perde sua validez e o viajante pode ser deportado para o seu país de origem.

O que fazer quando a vacina é contraindicada?

Para algumas pessoas, a vacina de febre amarela é contraindicada. Em casos assim, o Regulamento Sanitário Internacional (RSI) afirma que o viajante deve apresentar um atestado médico verificado que explique os motivos da contraindicação.

Não há um modelo específico para o atestado, mas ele deve estar traduzido para o inglês ou francês.

A aceitação ou não do atestado apontando os motivos da contraindicação fica por conta do local de destino. Pelas leis internacionais, ele tem total autonomia para tomar essa decisão. Caso não aceite, possivelmente vai adotar algumas medidas adicionais para que o viajante possa entrar no país.

Lembrando que o atestado deve ser emitido por um médico. E, apesar de não haver um modelo oficial de atestado, a Anvisa oferece um exemplo a ser seguido.

Em alguns casos, o Centro de Orientação para Saúde do Viajante poderá pôr chancela no atestado médico com as contraindicações escritas em português. Nessa situação, será emitido o Certificado de Isenção que, apesar de não ser previsto no Regulamento Sanitário Internacional, tem a mesma validade que o atestado traduzido para inglês ou francês.

É imprescindível que o médico responsável explique os motivos para a contraindicação. No caso da vacina contra a febre amarela, as razões confirmadas pela Anvisa são: gravidez; alergia às substâncias que compõem a fórmula e pessoas imunodeprimidas.

Quem apresentar ocorrência de hipersensibilidade também não deve tomar. O mesmo ocorre quando o viajante tem histórico de reação alérgica grave após a ingestão de ovo.

Os demais motivos não são chancelados pelo órgão. Entre eles, estão: viajantes com idade igual ou superior a 60 anos; mães que estão amamentando e quem usa outros medicamentos que não sejam imunossupressores.

É responsabilidade do médico avaliar a situação. O profissional da saúde deverá atestar as contraindicações em inglês ou francês.

O que fazer em caso de perda, extravio ou roubo?

Como qualquer documento, pode haver perda, extravio ou roubo da carta de vacinação internacional. Quando isso ocorrer, o viajante deve se dirigir ao mesmo posto de saúde onde tomou a vacina contra a febre amarela. Lá, ele deve solicitar uma segunda via, que é emitida de forma gratuita.

Além disso, é possível se dirigir a um dos Centros de Orientação à Saúde do Viajante. Nesse local, membros da Anvisa também podem gerar gratuitamente a segunda via do certificado.

Porém, para que a emissão seja realizada, é necessário que sejam apresentados os mesmos documentos que foram exigidos para a primeira via.

O que pode ocorrer se eu não tiver o cartão de vacinação internacional?

O cartão de vacinação internacional é requerido apenas por algumas nações. Então, se você não está viajando para uma delas, não há com o que se preocupar.

Porém, se o seu voo tiver conexões ou escalas em locais que exigem essa documentação, é recomendado que você esteja com o seu CIVP em mãos. Caso contrário, corre o risco de ser deportado de volta ao seu local de origem.

Essas questões sobre a aplicação de normas sanitárias em conexões ou escalas podem ser esclarecidas com as representações oficiais dos próprios países (embaixadas ou consulados).

Porém, se você for viajar para um local que exija o cartão de vacinação internacional e não estiver com ele em mãos, infelizmente não vai poder entrar no país. Não há nada que você possa fazer, pois o documento é uma exigência sanitária. No mesmo dia, será deportado.

Agora que você já sabe tudo sobre o cartão de vacinação internacional, é só correr atrás dessa importante documentação e viajar com tranquilidade. Mas é preciso ter em mente que a vacina contra a febre amarela não é apenas para quem vai para destinos específicos. Ela é importante para todo brasileiro!

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