Criado para denominar um acordo de companhias aéreas brasileiras em 1959, o termo ponte aérea se firmou como um sinônimo para a rota que liga os aeroportos das cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, devido à alta frequência de voos diários para esse trajeto.

A demanda por transporte de passageiros entre as duas metrópoles do Sudeste faz desta a quinta rota mais movimentada de todo o mundo em número de voos, com uma média de mais de 100 partidas conectando os dois destinos todos os dias. Mas existe muito mais para saber a respeito dessa história do que apenas números.

Neste artigo, vamos explicar melhor o que é a ponte aérea Rio-São Paulo, como o termo surgiu e qual é o histórico do trecho, além de mostrar outras pontes aéreas famosas pelo mundo. Boa leitura!

Como surgiu o termo ponte aérea?

Atualmente, o termo ponte aérea é utilizado para designar rotas entre duas cidades com uma alta disponibilidade de voos, normalmente oferecidos por múltiplas companhias. Mas a origem da expressão está nas operações militares da Segunda Guerra Mundial, quando os aviões foram utilizados para abastecer a logística dos exércitos que lutavam na África, na Ásia e na Europa.

Uma das primeiras e mais famosas pontes aéreas foi a operação da Luftwaffe no cerco de Stalingrado. Com objetivo de levar suprimentos às tropas alemãs cercadas pelo Exército Vermelho na cidade soviética, a força aérea nazista teoricamente entregaria mais de 800 toneladas de produtos por via aérea, uma eficiência operacional que nunca foi alcançada, mas serviu para consolidar o termo Luftbrücke, que significa ponte aérea em alemão.

Mais bem-sucedida, a ponte aérea entre a Índia e a China — operada principalmente pela aeronáutica norte-americana — teve o objetivo de apoiar o exército chinês, que lutava para repelir os invasores japoneses, e foi a maior operação de logística com aeronaves da Segunda Guerra.

Alguns anos mais tarde, a palavra Luftbrücke ressurgiu para batizar uma nova operação de abastecimento aéreo: no começo dos atritos que dariam início à Guerra Fria, a União Soviética cortou o fornecimento de suprimentos e energia para a parte ocidental de Berlim, que era controlada por Estados Unidos, França e Reino Unido.

Para evitar que a população da cidade morresse de fome e frio, o presidente norte-americano Harry S. Truman mobilizou a força aérea do seu país para abastecer os mais de 2 milhões de habitantes da cidade, que ainda estava sendo reconstruída. O bloqueio começou em junho de 1948 e seguiu até maio de 1949. Nesse meio tempo, foram mais de 260 mil voos e muitas toneladas de suprimentos transportados.

Quando foi estabelecida a ponte aérea RIO-SP?

A operação Luftbrücke foi um plano que parecia mirabolante, mas acabou dando muito certo: além de garantir a sobrevivência da cidade cercada, reforçou a supremacia militar e industrial dos Estados Unidos. E fez com que o termo ponte aérea ficasse famoso.

Em 5 de julho de 1959, pouco depois do fim da operação, as empresas Cruzeiro do Sul, Varig e VASP firmaram um acordo para otimizar os voos entre as crescentes metrópoles Rio e São Paulo. O nome dado era ponte aérea.

Acompanhando o crescimento das duas cidades e o desenvolvimento da aviação comercial, os voos na rota eram numerosos, mas não tinham horários muito regulares, e, às vezes, acontecia de dois aviões decolarem quase na mesma hora, com um lotado e outro vazio.

Depois de acertar os termos de colaboração, as três empresas passaram a oferecer voos escalonados, de 30 em 30 minutos. Os bilhetes no trecho passaram a ser aceitos entre as companhias, o que significa que os passageiros podiam comprar a passagem em uma empresa e embarcar no avião de outra.

Muitos brasileiros voaram pela primeira vez na vida nessa rota, a bordo do Lockheed L-188 Electra, um avião de porte médio que se tornou o equipamento exclusivo da ponte aérea e operou até o começo dos anos 1990, quando foi substituído pelos aviões a jato, mais velozes e eficientes.

O acordo da ponte aérea durou oficialmente até 1999, quando novas empresas surgiram e passaram a oferecer ainda mais opções de voos, forçando o fim da parceria. Hoje, as duas cidades são conectadas por uma larga malha aérea das principais companhias brasileiras, com voos entre 6h e 21h.

Mesmo depois do fim oficial do acordo, o trecho continuou a ser conhecido como ponte aérea e, atualmente, conta com mais de 78 mil passageiros semanais. Não é incomum encontrar pessoas que têm a vida dividida entre as duas capitais e percorre o trecho várias vezes mensalmente.

Quanto tempo dura uma viagem na ponte aérea?

A distância de 400 quilômetros entre São Paulo e Rio de Janeiro é relativamente pequena, levando em conta o alcance e a velocidade dos aviões modernos. Em média, o voo conectando as duas cidades dura cerca de 45 minutos, mas, dependendo do volume do tráfego aéreo nos aeroportos, esse tempo pode ser maior ou menor.

Ou seja, muitos dos passageiros demoram mais no deslocamento terrestre até o aeroporto do que no avião, já que o trânsito nas ruas dessas cidades é bem intenso, especialmente nos dias de semana.

Além do tempo voando, é interessante considerar também as horas de espera e embarque nos aeroportos da ponte aérea. Para quem não quer viajar correndo riscos de atraso ou com pressa, é seguro separar algo como 4 horas para o trajeto completo.

A alta frequência de voos faz com que as decolagens entre as capitais paulista e fluminense aconteçam, em média, a cada dez minutos, de segunda a sexta. Nos finais de semana, o espaçamento entre os voos pode chegar até uma hora. Como não existe mais um acordo formal entre as companhias aéreas, nem sempre esses horários são regulares, mas, definitivamente, não é tão difícil encontrar assentos disponíveis para o percurso, mesmo se for preciso comprar de última hora.

Como aproveitar ao máximo a ponte aérea?

A facilidade de transporte aéreo entre Rio de Janeiro e São Paulo traz muitas vantagens aos viajantes que precisam realizar esse trajeto. A oferta de voos conectando os dois locais é imensa, logo, é fácil filtrar um horário ideal, que se encaixe bem nos objetivos da viagem.

Também é possível aproveitar essa alta disponibilidade para tentar adiantar o voo na hora do check-in. Se o passageiro chegar mais cedo ao aeroporto, pode ser possível pedir para embarcar em um avião da mesma companhia que vai decolar antes, otimizando ainda mais o tempo da viagem.

Mas é preciso ter atenção na hora de realizar esse procedimento, já que, em alguns casos, a empresa pode se reservar o direito de cobrar a mais pelo serviço.

Como o trecho é curto, as opções de comida oferecidas na ponte aérea RIOS-SP costumam ser lanches simples. Uma recomendação é que os viajantes se programem para se alimentar antes ou depois do voo, já que, na maior parte dos casos, não existe nem mesmo a opção de comprar refeições completas durante a rota.

Outra sugestão para quem faz o trecho regularmente é se fidelizar a uma companhia aérea e acumular milhas, que podem ser trocadas por novas passagens e qualificam o passageiro para categorias superiores. Esse progresso no programa inclui privilégios como prioridade no embarque, acesso à sala vip e franquias de bagagens extras.

E para viajar com mais agilidade e custos menores, é interessante levar apenas mala de mão, o que evita tanto a cobrança para despachar itens como a fila para recuperar a bagagem no terminal do destino.

Quais são as pontes aéreas mais famosas do mundo?

Apesar de intensa, a ponte aérea entre São Paulo e Rio de Janeiro não é a única rota aérea no mundo que merece esse título. Nem todos os países adotam oficialmente esse termo, mas existem exemplos lá fora de pontes aéreas que são ainda mais movimentadas.

Conheça as 10 principais!

1. Jeju (CJU) – Seul Gimpo (GMP): a ilha localizada ao sul da península coreana se conecta à capital do país com 178 voos por dia;

2. Melbourne (MEL) – Sydney (SYD): o trajeto entre as duas metrópoles australianas tem uma média de 149 voos diários;

3. Mumbai (BOM) – Nova Delhi (DEL): cerca de 130 voos percorrem os 1.150 km entre as duas cidades na Índia;

4. Fukuoka (FUK) – Tokyo Haneda (HND): em média, 117 voos conectam as duas cidades japonesas a cada dia;

5. Rio de Janeiro (SDU) – São Paulo (CGH): a famosa ponte aérea brasileira é o quinto lugar na lista das mais movimentadas;

6. Sapporo (CTS) – Tokyo Haneda (HND): a principal cidade da ilha de Hokkaido está ligada a Tokyo por 105 voos diários;

7. Los Angeles (LAX) – San Francisco (SFO): 95 voos diários ligam as duas cidades da Califórnia, nos Estados Unidos;

8. Brisbane (BNE) – Sydney (SYD): mais uma ponte aérea da Austrália na lista, esta apresenta uma frequência média de 92 voos diários;

9. Cidade do Cabo (CPT) – Johanesburgo (JNB): duas das cidades mais importantes da África do Sul estão conectadas por uma média de 87 voos diários;

10. Pequim (PEK) – Xangai (SHA): em décimo lugar, fica a ponte aérea entre as chinesas Pequim e Xangai, com expectativa de 82 voos por dia.

Existem outras pontes aéreas no Brasil?

Usualmente, o termo ponte aérea é utilizado para designar a rota agitada entre São Paulo e Rio de Janeiro. Mas existem outras rotas que contam com um alto volume de passageiros e voos diários. Apesar de não serem chamadas de pontes aéreas, essas rotas tem voos por quase todo o dia, com uma vasta gama de opções.

Se a rota mais famosa e movimentada é o trecho entre as capitais fluminense e paulista, com mais de 4 milhões de passageiros ao ano, o segundo lugar tem aproximadamente metade desse fluxo: a rota entre Brasília e São Paulo, que movimenta mais de 2 milhões de passageiros ao ano.

A terceira ponte aérea com maior fluxo de passageiros também conecta a capital paulista: é a rota Salvador-São Paulo, em que voam algo como 1,6 milhão de pessoas por ano, quase o mesmo fluxo do quarto lugar, que é Brasília-Rio de Janeiro.

São Paulo também é uma das pontas da quinta rota mais movimentada do país, que é a conexão aérea com Porto Alegre, com cerca de 1,5 milhão de passageiros ao ano. No sexto lugar, fica Belo Horizonte-São Paulo, que tem movimentação similar.

Os voos entre Curitiba e São Paulo são a sétima maior ponte aérea do Brasil, com 1,3 milhão de passageiros transportados em cada ano, seguida pela rota Recife-São Paulo, com média de 1 milhão de passageiros anuais. Um fluxo parecido com esse é observado nos trechos de Florianópolis-São Paulo e Belo Horizonte-Rio de Janeiro, respectivamente a nona e a décima rotas mais movimentadas do país.

Os dados são do estudo O Brasil que Voa, divulgados pela Secretaria de Aviação Civil e referentes ao ano de 2017.

Quais as expectativas para o futuro da ponte aérea RIO-SP?

Com o crescimento das metrópoles do Rio de Janeiro e de São Paulo, a tendência é de que o volume de passageiros aumente e, junto dessa demanda, a oferta de voos também. As duas capitais do Sudeste concentram muitas empresas e negócios, além de um potencial turístico que não é totalmente explorado.

Essa tendência pode oscilar em razão de dois fatores principais:

  • a crise financeira encarada por algumas empresas aéreas, o que pode acarretar redução operacional;
  • o surgimento de outros modais de transporte, como o trem de alta velocidade (TAV), um projeto considerado pelo governo federal no passado.

A infraestrutura de aeroportos no Brasil também pode ser um limite. Para transportar um número maior de passageiros, com aumento no volume de aeronaves na rota, são necessários mais terminais e pistas de decolagem e aterrissagem.

Por fim, a ponte aérea é um importante símbolo do passado e do presente da aviação comercial no Brasil.

E agora que você já conhece um pouco mais sobre a famosa ponte aérea entre Rio de Janeiro e São Paulo, que tal encontrar os voos ideais para os seus trajetos? Descubra as melhores opções com a Azul!