Fazer carreira no exterior é o sonho de muitos brasileiros. Porém, para que esse desejo se torne realidade, é necessário passar por um processo de emissão de visto para trabalho. É com ele que você vai ganhar a permissão de ter um emprego em solo estrangeiro.

O visto é um documento fornecido por um país autorizando um indivíduo a permanecer naquele território por um certo período de tempo e com determinadas finalidades (como turismo, estudo e emprego).

Com o visto para trabalho, o brasileiro poderá exercer um cargo no país estrangeiro de acordo com as suas leis. Isso dá a garantia de diversos benefícios, como obter uma carteira de motorista e carteira de identidade local, abrir uma conta bancária, ter um cartão de crédito etc.

Porém, antes de qualquer coisa, é preciso entender que o processo de emissão de visto para trabalho costuma mudar de acordo com o país. Alguns locais são bastante rigorosos, como é o caso dos Estados Unidos. Outros, apesar de também serem exigentes em relação à documentação, têm políticas mais brandas com os imigrantes — como é o caso do Canadá.

Se você quiser entender os processos de emissão do visto para trabalho, continue lendo nosso post! Vamos mostrar o passo a passo para tirar o documento nos países mais procurados por brasileiros: Estados Unidos, Canadá e Portugal.

Visto para trabalho nos Estados Unidos

Em primeiro lugar, o brasileiro que deseja trabalhar nos EUA deverá ter despertado o interesse de algum empregador estadunidense. Outro caso possível é a relocação do profissional para os Estados Unidos, porém dentro da mesma empresa em que ele trabalha no Brasil.

Em ambas as situações, só podem solicitar o visto para trabalho aqueles que já têm uma oferta de emprego dentro dos EUA. Por isso, se esse não é o seu caso, infelizmente não poderá requerer o documento.

Também é importante saber que os vistos para trabalho nos Estados Unidos podem ser complexos. Por isso, vamos falar dos mais importantes e que despertam interesse nos brasileiros: o visto temporário H2-B, o H-1 e o L-1.

Visto temporário H-2B

O H-2B deve ser solicitado quando o serviço é temporário, não especializado e de natureza não agrícola.

As empresas que mais empregam e pedem esse tipo de visto para trabalhadores estrangeiros são os hotéis, restaurantes, parques temáticos, parques aquáticos, resorts e navios de cruzeiros.

Esse tipo tem validade de um ano e pode ser renovado por até três vezes. As qualificações mínimas vão depender das vagas ofertadas.

Como emitir?

A parte mais burocrática fica a cargo do contratante. No caso do H-2B, as empresas interessadas em contratar estrangeiros devem comprovar perante o governo do país que no mercado estadunidense não existem pessoas com a qualificação necessária para a função.

Em outras palavras, é preciso mostrar que a vaga foi ofertada aos nativos, mas não houve nenhum concorrente que tivesse as competências requeridas para ser contratado.

Quando tudo estiver conforme a lei, a vaga passa a ser divulgada. Os interessados devem se candidatar junto ao Serviço de Cidadania e Imigração dos Estados Unidos (USCIS).

Muitas pessoas sentem dificuldade em procurar cargos temporários. A nossa sugestão é buscar em sites sponsors, que reúnem diversas oportunidades que podem ser pesquisadas mediante o pagamento de uma taxa. O mais popular é o H1 Base, que conta com grandes empregadores estadunidenses.

Se for aprovado, o H-2B oferece muitas vantagens aos profissionais estrangeiros, como a possibilidade da emissão de visto de estudante para os filhos e o cônjuge do contratado.

Visto H-1B

Esse é mais famoso e cobiçado pelos brasileiros que querem trabalhar nos Estados Unidos. Ele deve ser emitido por quem é contratado por uma empresa estadunidense e tem a qualificação universitária ou experiência requerida pela vaga. No caso de experiência, três anos de prática valem como um ano de curso universitário.

Nesse tipo de visto, não há uma restrição para área de atuação. Mas, ultimamente, vê-se uma procura maior por profissionais do setor tecnológico.

Assim como no H-2B, a iniciativa para emitir o H-1B deve ser da empresa que pretende contratar. E ela também precisa comprovar perante o governo do país que não há cidadãos estadunidenses com a qualificação necessária.

Depois isso, o trabalhador tem que agendar uma visita ao consulado ou embaixada no Brasil. A embaixada fica localizada em Brasília/DF, e os consulados gerais podem ser encontrados em Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e São Paulo. O agendamento pode ser feito neste link.

O solicitante também terá que pagar uma tarifa de US$ 190 pelo pedido e US$ 100 pela taxa de reciprocidade quando o visto for aprovado.

Com o visto em mãos, o trabalhador poderá permanecer nos Estados Unidos por três anos, com a possibilidade de renovar a estadia por mais três anos. Após esse tempo, ele pode requerer o seu Green Card, documento de permanência definitiva no país. Caso não solicite, deve voltar ao Brasil.

Visto L-1

O L-1 é emitido para quem for transferido dentro de uma empresa que atua no Brasil e nos Estados Unidos. Nesse tipo de visto para trabalho, a pessoa deverá obrigatoriamente ocupar algum cargo de gerência ou direção que exija um conhecimento específico.

Como já mencionado, a fase inicial é responsabilidade da empresa nos Estados Unidos. Depois, deverá ser agendada uma entrevista no Brasil com o contratado, solicitada na embaixada ou nos consulados gerais.

Os procedimentos são os mesmos do H-1B: a pessoa tem que pagar US$ 190 pela solicitação e mais US$ 100 de taxa de reciprocidade (somente quando o visto for aprovado). A diferença é a possibilidade de acelerar o processo e conseguir o visto em aproximadamente 15 dias úteis. Para isso, é preciso pagar uma taxa de US$ 1.225.

Assim como o H-1B, o L-1 é concedido por até três anos de duração. Após o término desse período, ele pode ser renovado para até sete anos, dependendo do tamanho da empresa contratante.

Além disso, o profissional também pode pedir a sua permanência no país, o Green Card. Caso isso não ocorra, ele deve retornar ao Brasil.

Visto para Trabalho no Canadá

A opção de trabalhar no Canadá vem atraindo muitos brasileiros nos últimos anos. Isso ocorre por conta das diversas políticas que facilitam a entrada de imigrantes no país.

Além disso, o Canadá conta com uma ótima infraestrutura, alta qualidade de vida e o hábito de receber muito bem os imigrantes. A diferença cultural em relação ao seu vizinho, os Estados Unidos, é imensa. Os canadenses valorizam os estrangeiros como ninguém.

Para exercer um cargo no país, existem dois tipos de documento: visto para trabalho (LMIA) e permissão para trabalho para estudantes universitários (Post-graduation Work Permit).

Esses vistos são necessários na maior parte do país, como na província de Ontário e British Columbia. Para aqueles que pretendem fazer carreira no Quebec, a solicitação é diferente. Isso ocorre porque Quebec é a única província canadense francófona, portanto tem as suas singularidades em relação às instâncias governamentais do resto do país. Você pode analisar melhor neste link.

Visto para trabalho – LMIA

Assim como nos Estados Unidos, só podem solicitar o visto para trabalho no Canadá aqueles que já conseguiram uma vaga no país.

Isso pode ocorrer se o profissional for contratado por uma empresa canadense ou transferido de sua atual companhia para uma sede em território canadense. Em ambos os casos, a categoria do documento será Labour Market Impact Assessment (LMIA).

Nesse tipo de visto, assim como os estadunidenses, a empresa que pretende contratar deve comprovar ao governo do país que não houve nenhum interessado canadense com as qualificações necessárias.

Quando a empresa conseguir o LMIA, é possível pedir o visto para trabalho. Porém, esse tipo de visto serve somente para a empresa contratante. Ou seja, ele não é Open Work Permit.

A solicitação do visto pode ser feita no site do governo do Canadá.

Permissão de trabalho para estudantes universitários – Post-graduation Work Permit

Esse visto é especial para aqueles que estão fazendo graduação ou pós-graduação no Canadá. Para a solicitação, também é importante que o curso possibilite que o estudante trabalhe apenas quando não estiver em aula.

Esse documento é conhecido como Post-graduation Work Permit (PGWP), que dá aos alunos de instituições canadenses o direito de entrar no mercado profissional. O visto autoriza trabalhar por até 20 horas semanais, e até três anos após a conclusão do seu curso.

Para conseguir o PGWP, o estudante deve seguir uma série de requerimentos, como comprovar proficiência na língua inglesa, enviar comprovantes e diplomas traduzidos (em caso de pós-graduação) e ter carta de recomendação de professores. As exigências variam de acordo com a instituição de ensino.

Visto para trabalho em Portugal

Muitos brasileiros têm interesse de trabalhar em Portugal. Isso se dá pelo valor atrativo do salário mínimo do país, que é € 557 (aproximadamente R$ 2.150). E outro motivo é a língua, pois, ao contrário de Estados Unidos e do Canadá, não há necessidade de aprender um idioma completamente diverso se quiser seguir carreira em Portugal.

Para que um brasileiro consiga um visto de trabalho em Portugal, também é exigido que ele já tenha uma oferta de emprego. Ela deve ser comprovada com uma carta convite de trabalho ou pelo próprio contrato.

Nesse caso, a maior dificuldade é conseguir uma vaga garantida no país. Para isso, é preciso elaborar um CV (curriculum vitae) de acordo com os padrões europeus e enviá-lo às empresas de interesse. Você pode encontrar oportunidades em sites de ofertas de empregos em Portugal e em redes sociais voltadas às atividades profissionais, como o LinkedIn.

Com a carta convite de trabalho ou o contrato em mãos, aí sim a pessoa pode pedir o visto.

Documentos necessários

A fim de conseguir o visto para Portugal, o solicitante deve ter em mãos os documentos listados abaixo:

  • contrato de trabalho;
  • declaração de pedido de visto;
  • passaporte válido;
  • comprovantes financeiros;
  • comprovante de acomodação;
  • seguro de viagem;
  • certificado de antecedentes criminais;
  • duas fotos tamanho 3×4 recentes;
  • cópia da carteira de identidade autenticada em cartório;
  • carteira de vacinação internacional;
  • pagamento de taxa do consulado no valor de R$ 420.

O site da Embaixada Portuguesa no Brasil disponibiliza o boleto para pagar e uma lista de todos os documentos necessários. Eles podem ser entregues pessoalmente ou enviados pelo correio ao consulado mais próximo da sua cidade.

Os solicitantes não podem ter sido comprovadamente imigrantes ilegais na Europa ou apresentar qualquer antecedente criminal.

O tempo de demora

O trabalhador que pedir o visto terá que esperar cerca de 30 dias úteis. Nesse tempo, o consulado português ficará com o passaporte do solicitante. Depois da análise, o documento será devolvido pelo correio ou retirado pessoalmente.

Durante esses 30 dias, o Consulado de Portugal vai estudar o caso e verificar se todos os papéis estão condizentes com a lei.

Documentos em Portugal

Ao conseguir o seu visto e viajar para Portugal, o brasileiro é obrigado a se apresentar no Serviço de Estrangeiros e Fronteiras. Lá, ele deve mostrar toda a documentação novamente e solicitar o Título de Residência de Portugal. Além disso, é necessário pagar uma taxa de € 37,50.

Também é lá que o governo português vai fornecer o seu Número de Identificação Fiscal (NIF). Ele é equivalente ao CPF em território brasileiro.

Com esse documento em mãos, o brasileiro terá a autorização do governo português para abrir contas em bancos e ter um cartão de crédito, entre outros benefícios que qualquer cidadão nativo poderia ter.

Como você pode ver, emitir o visto para trabalho demanda paciência e, acima de tudo, cuidado. Cada país tem as suas regras e requisitos, por isso é sempre bom pesquisar bastante antes. Acima de tudo, certifique-se de que você está apto a requerer o visto e faça uma checklist de todos os documentos necessários e providências que você precisa tomar.

Os processos de visto para trabalho normalmente são longos, mas os benefícios proporcionados são inúmeros.

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