A comida de avião é uma parte essencial da experiência de voar. Boas refeições servidas em altitudes de mais de 10 mil metros fazem com que a viagem seja memorável. Por outro lado, uma comida ruim pode estragar o dia dos passageiros.

Mesmo em trechos mais curtos, em que teoricamente não seria necessário se alimentar, o serviço de bordo acaba sendo um evento que quebra o monotonismo usual do voo e anima os viajantes.

Mas a comida servida em aviões sofre com uma má reputação: é considerada por muitas pessoas simples demais, com apresentação compactada, sem sabor e nada fresca.

Pensando em reverter essa imagem e conquistar mais clientes, algumas companhias aéreas passaram a investir mais nas suas refeições, recorrendo até mesmo a menus requintados com a assinatura de chefs celebridades.

Neste artigo, vamos falar melhor sobre como a comida avião é feita e por que é possível se alimentar bem em um voo. Boa leitura!

Qual a diferença da comida servida em aviões?

Como era de se esperar, um avião comercial comum não conta com uma cozinha industrial e muito menos com uma equipe apenas para preparar as refeições das centenas de passageiros a bordo. Isso significa que os alimentos servidos são preparados anteriormente e esquentados no voo em fornos especiais.

Mas esse processo não interfere na qualidade da comida: é possível servir praticamente todo tipo de prato em aviões, de sushis até churrasco. Cada companhia escolhe o cardápio com base na duração e em outros detalhes do voo.

Em trechos mais curtos, é comum que sejam servidos alimentos simples que não demandam preparo como biscoitos, balas e batatas fritas. Mas em voos de maior duração, os passageiros precisarão de mais que um lanche: é fundamental servir refeições completas, muitas vezes, mais de uma delas.

Algumas empresas tentam economizar no cardápio, especialmente o das classes econômicas, e é dessa prática que vem a reputação ruim da comida de avião. Mas, por outro lado, existem companhias aéreas que levam muito a sério a alimentação dos seus passageiros.

A Turkish Airlines, por exemplo, é famosa pela alta qualidade das refeições servidas em todas as classes dos seus voos, com pratos bem elaborados e de sabor refinado. A Emirates serve três refeições completas no trecho entre São Paulo e Dubai, que tem 15 horas de duração.

E a Azul se destaca no Brasil pelo cardápio dos seus voos internacionais, que já foram assinados por ex-participantes do Masterchef Brasil e pela apresentadora Ana Maria Braga. A empresa valoriza ingredientes nacionais e receitas familiares, passando uma experiência agradável aos passageiros tanto da classe executiva como da econômica.

Para escolher os itens que serão servidos no cardápio de voos internacionais, é comum que as empresas busquem inspiração na gastronomia dos dois países conectados: a Etihad, por exemplo, serve sushi nas aeronaves com destino ao Japão e Biryani de frango quando aterrissa no golfo pérsico.

E como o paladar é alterado pela altitude e até pelo barulho das turbinas em um avião, é comum que especialistas façam a prova dos pratos durante voos reais para averiguar o sabor.

Com tanta variedade, é normal que surja a dúvida de como a alimentação de todos os passageiros é preparada e qual o caminho percorrido até que ela seja finalmente servida. Vamos explicar isso no próximo tópico!

Como é feita a comida de avião?

Como já foi dito, a comida servida nos aviões é feita no solo, normalmente em cozinhas de parceiros especializados em gastronomia que ficam nos aeroportos ou em locais bem próximos a eles, para facilitar a logística de transporte e embarque.

O ideal é que as refeições sejam preparadas em, no máximo, dez horas antes do horário em que elas serão servidas, ainda que existam exceções, como no caso de voos que duram muito tempo.

Os pratos nem sempre são totalmente cozidos: muitas vezes, ficam em um estágio de pré-cozimento e são finalizados no forno elétrico dos aviões. Em outros casos, são apenas aquecidos no voo, isso varia de acordo com o que será servido.

Depois de preparadas nas cozinhas no solo, as refeições são armazenadas em temperaturas de 2ºC a 5ºC. Em pouco tempo são levadas até os aviões em veículos refrigerados e, já embarcadas, são armazenadas também em geladeiras especiais dentro do avião.

Usualmente, todo esse transporte já é feito nas vasilhas de plástico em que os alimentos serão servidos dentro do avião, com exceção da classe executiva e primeira classe, em que os comissários de bordo costumam empratar as refeições.

Também é comum que já na cozinha no solo as refeições sejam colocadas nos trolleys, que são os carrinhos especiais que serão embarcados e utilizados pelos comissários de bordo para o serviço de bordo.

No caso de atrasos no voo, existe um limite de tolerância para que as refeições possam ser servidas. Se ultrapassarem esse prazo, são descartadas, para não correr o risco de que passageiros tenham alguma intoxicação alimentar.

Para os tripulantes do avião, a alimentação costuma ser diferente da refeição dos passageiros, já que para ele aquela é a sua refeição cotidiana e não algo eventual. E uma curiosidade é que na maior parte das companhias aéreas o piloto e o co-piloto não podem comer o mesmo prato: as refeições de cada um é feita com ingredientes diferentes para evitar que algo estragado faça mal para os dois.

Para as bebidas servidas no voo, não existe muito mistério: são levadas já refrigeradas para os aviões na maior parte dos casos, mas a maior parte das aeronaves conta com geladeiras poderosas que conseguem resfriar qualquer bebida com muita rapidez.

Vale a pena levar a própria comida no voo?

Com medo do que será servido no avião, algumas pessoas podem preferir levar seus próprios lanches, para evitar passar fome ou comer algo que não goste. Mas pode levar comida em avião?

A resposta para essa pergunta não é simples. Boa parte dos alimentos podem sim ser embarcados, mas existem regras e restrições que precisam ser observadas. Na hora de cruzar os postos de segurança de aeroportos, certos itens precisam ficar de fora, como garrafas de vidro e, em voos internacionais, líquidos.

Além disso, o transporte de certas sementes e vegetais presentes em alimentos pode ser proibido pelas autoridades tanto do país de destino como do de partida. Vale a pena pesquisar quais são antes de levar comida no avião.

Uma recomendação é deixar para comprar lanches rápidos nos restaurantes e lanchonetes que ficam já na área de embarque, após os postos de segurança. Praticamente tudo que é vendido nesses locais pode ser levado para o avião sem nenhum problema.

Mas, além de poder levar comida, será que vale a pena embarcar com suas próprias refeições? Mais uma vez, isso depende. Em voos domésticos dentro dos Estados Unidos, por exemplo, é incomum que existam refeições incluídas no valor da passagem. Para comer é preciso pagar separadamente pelo prato e não são tantas opções assim disponíveis.

Nesses casos, levar a própria comida pode sim ser uma alternativa para evitar a fome e, pelo menos, escolher melhor o que comer.

Por outro lado, em voos que terão refeições incluídas no serviço de bordo, pode ser um desperdício comprar ainda mais comida. Se o passageiro já sabe o cardápio e gosta do que será servido, é melhor aproveitar a experiência.

E se tem dúvidas ou não gosta das opções, pode entrar em contato com a companhia para se informar sobre o menu e se existe a possibilidade de pedir algo especial, como uma refeição vegana, kosher ou halal.

E caso o passageiro decida levar comida para o avião, lembre-se de que ele não será autorizado a utilizar os equipamentos da aeronave para esquentar sua refeição, portanto, leve algo que possa ser comido na temperatura ambiente.

Como comer bem no avião?

A escolha mais importante para quem quer comer bem no avião é a da companhia aérea. Nas empresas norte-americanas, por exemplo, a reputação das refeições é bem mediana. Já as aéreas do golfo pérsico como Emirates, Etihad e Qatar são famosas pelas experiências gastronômicas oferecidas no voo.

No Brasil, a Azul ficou famosa pelas batatas fritas oferecidas em voos domésticos de curta duração e nos últimos anos foi reconhecida também pelos menus mais elaborados dos seus voos internacionais, como os pratos assinados por Ana Maria Braga.

Em boas companhias aéreas que investem na comida de avião, é bem provável que tanto os alimentos da classe econômica como os da classe executiva e primeira classe sejam muito bons, mas, naturalmente, quem pagou por tarifas mais altas contará com refeições mais requintadas.

Além de pratos com uma apresentação mais cuidadosa, a classe executiva também costuma oferecer mais opções de alimentos e de bebidas. E na primeira classe, além de ainda mais opções, o passageiro ainda pode pedir a refeição quando quiser.

Outra diferença da comida de avião servida nas classes diferentes são os talheres e pratos em que elas serão servidas. Na classe econômica quase sempre os alimentos são entregues nos mesmos recipientes em que eles foram transportados, em pequenas vasilhas de plástico descartável. Os garfos e faca também são do mesmo material.

Na classe executiva e primeira classe, o comissário de bordo capricha na apresentação e leva o alimento em pratos de verdade, com talheres de aço ou prata e taças de vidro para as bebidas, além de outros mimos como guardanapos de pano.

Ou seja, para quem pode pagar por uma tarifa mais cara, certamente a experiência gastronômica como um todo será melhor. Mas como os preços de passagens de classe executiva e primeira classe podem ser mais de 10 vezes maiores, isso não é uma opção para a maior parte dos viajantes.

Portanto, a escolha principal que pode ser feita é por qual companhia viajar. Vale a pena verificar e pesquisar sobre o que será servido nos voos daquela empresa. Em alguns casos, pode ser mais interessante pagar um pouco mais caro por uma passagem de uma companhia com um bom serviço de bordo e economizar nos gastos com lanches frios para serem levados no avião.

Por fim, vale a pena destacar que quase sempre o passageiro terá, pelo menos, duas opções de refeição durante o voo, sendo uma delas vegetariana.

Quem precisa de algo mais específico, como quem tem doença celíaca, é vegano ou segue alguma religião com restrições alimentares, é importante conversar com a companhia com antecedência para pedir por uma refeição especial.

A comida dos aviões piorou nos últimos anos?

Existe uma lenda repetida, muitas vezes, por saudosistas de uma suposta era de ouro da aviação comercial de que a comida de avião era melhor há algumas décadas, quando os voos tinham mais luxo e a experiência de voar, em teoria, era mais charmosa.

Todo tipo de nostalgia se baseia mais em memórias imprecisas do que fatos, mas nesse caso específico vale a pena quebrar o mito com uma boa dose de realidade. Nos primórdios da aviação, quando teoricamente as refeições eram mais requintadas, não existia algo como a classe econômica dos dias de hoje.

Voar era muito mais caro e poucas pessoas tinham acesso a esse tipo de transporte. Portanto, para oferecer um serviço compatível com as expectativas desse público, as companhias entregavam mais luxo nas cabines.

Mas esse luxo não deixou de existir. Para ter uma experiência similar ao do passado, os passageiros podem embarcar na classe executiva ou na primeira classe. E além da gastronomia, terão outras comodidades como entretenimento a bordo e aeronaves bem mais seguras e confortáveis.

O preço de uma passagem na classe executiva hoje é proporcionalmente mais baixo que as tarifas mais baixas da suposta era de ouro da aviação. Portanto, na prática, a experiência de voo de alto nível não só continua existindo como está ainda melhor e mais acessível.

Portanto, vale a pena aproveitar tudo que a aviação comercial moderna tem para oferecer e viver experiências especiais a bordo das aeronaves atuais, sem sentir saudades de um passado que, na verdade, não era tão bom assim.

E agora que você já sabe como é feita a comida de avião e que é possível ter uma boa experiência gastronômica nas alturas, aproveite para assinar nossa newsletter para ficar por dentro de tudo sobre viagens de avião e turismo.