Quando o assunto é voar, não é incomum entre os passageiros uma certa apreensão em relação à segurança desta via de transporte: o avião.

De fato, a ideia de desafiar a natureza e transportar, por longas distâncias, centenas de pessoas pelos ares, pode gerar alguma ansiedade.

Notícias e documentários sobre desastres aéreos e filmes sobre turbulências podem contribuir para criar uma ideia de que voar é sinônimo de um constante perigo. Mas, na realidade, há mesmo razões para temer?

Se você não consegue evitar um certo receio ao adentrar um avião — ou conhece alguém que é assim — este texto é para você! Reunimos aqui algumas informações sobre transportes aéreos, a fim de assegurar que viajar de avião é seguro! Continue lendo e confira!

Para o que der e vier

As aeronaves modernas contam com um conjunto extremamente completo de equipamentos de segurança, pensados e desenvolvidos para praticamente todos os cenários possíveis. Listamos aqui alguns exemplos:

Pressurização

Um avião comercial é feito para reproduzir condições atmosféricas que permitem aos tripulantes uma respiração normal, independente de sua altitude.

Mesmo normalmente voando a cerca de 41 mil pés (aproximadamente 12,5 mil metros), a sensação é de que se está a 8 mil pés (algo como 2,4 mil metros). Isso é possível graças ao sistema de pressurização.

No entanto, mesmo que raramente, algo pode desregular esse sistema — em geral, um mau funcionamento técnico — causando o que chamamos de despressurização. É aí que entram as máscaras de oxigênio.

“Máscaras de oxigênio cairão automaticamente”

Localizadas em um compartimento sobre as poltronas, as máscaras estão acopladas a uma cápsula de reação química, que começa a produzir oxigênio quando o passageiro puxa a máscara para si. Vale ressaltar que cada conjunto de poltronas possui uma máscara extra, para o caso de passageiro de colo.

O equipamento também é aplicável em animais de estimação caso necessário. O importante é nunca se esquecer das instruções da tripulação, e sempre colocar a própria máscara antes de auxiliar outros passageiros.

As máscaras utilizadas na cabine de comando são um pouco diferentes. Os pilotos contam com cilindros individuais de oxigênio, que podem ser ativados manualmente.

Isso garante plena disponibilidade do gás, para que possam realizar manobras na aeronave sem correr o risco de hipóxia (falta de oxigênio no organismo), atingindo uma altitude que torne dispensável o uso dos sistemas de oxigênio.

O estoque de oxigênio dura até 22 minutos, um tempo mais que suficiente para que os pilotos resolvam a situação. Então, mesmo que as máscaras caiam, não há motivo para entrar em pânico.

Saídas de emergência

Todos os aviões comerciais contam com várias saídas de emergência. Podemos citar como exemplo o Boeing 737 e o Airbus 330, modelos amplamente utilizados e que possuem 8 dessas saídas.

As aeronaves possuem, ainda, luzes de emergência que indicam a localização das portas em caso de perda de iluminação; além de escorregadeiras infláveis, que são ativadas a fim de garantir uma evacuação segura nos casos em que o avião se encontrar a mais de 2 metros de altura da superfície.

Cintos de segurança

Apesar de passarem a impressão de um aparato demasiado simples, cintos de segurança podem prevenir sérios ferimentos.

É principalmente durante turbulências que tripulantes e passageiros acabam se machucando, pois dependendo da intensidade do tremor, uma pessoa pode até mesmo ser arremessada para o teto da aeronave. O cinto de segurança protege seu usuário nessas situações, mantendo-o sentado na poltrona.

Apesar de oferecerem riscos praticamente nulos, as turbulências podem ser bastante imprevisíveis.

Por isso recomenda-se que os passageiros mantenham os cintos afivelados durante todo o trajeto, e não somente quando as luzes estiverem acesas.

Capuz antifumaça

Caso ocorra muita fumaça a bordo, as máscaras de oxigênio perdem eficiência por não isolarem as vias aéreas daquele que as utiliza. Para isso existe o capuz antifumaça, que fornece proteção e um suprimento de até 20 minutos de oxigênio.

Coletes salva-vidas

Para cada passageiro, há um colete salva-vidas com duas câmaras de ar, cada uma delas capaz de suportar até 60 kg. Quando necessários, os coletes devem ser ativados fora da aeronave.

Em caso de pouso em alto-mar, os aviões também contam com assentos flutuantes — que suportam até 90 kg — e botes salva-vidas amplamente equipados (contendo alças de embarque, mastros infláveis e uma âncora).

Além disso, há um kit de sobrevivência no mar contendo itens como sinalizadores, medicamentos, apitos, e até mesmos purificadores de água salgada.

Extintores

Existem diversos tipos de extintores, cada um apropriado para uma classe de incêndio. O extintor de CO² (gás carbônico) é utilizado para incêndios de origem elétrica; o extintor de pó químico deve ser direcionado a líquidos inflamáveis; e o extintor de água para incêndios em materiais como papel e madeira.

Seja qual for a origem do fogo, os aviões estarão equipados com os métodos necessários para contê-lo.

Além dos extintores, também existem luvas isolantes térmicas e detectores de fumaça, estando estes últimos espalhados por vários pontos da aeronave.

Primeiros socorros

Poderão estar contidas no avião até quatro “farmácias”. Cada farmácia é composta por dois kits: um de comissário (com remédios e materiais para ferimentos leves) e um médico (contendo equipamento cirúrgico como bisturis e material de sutura).

Também estão presentes na aeronave desfibriladores, caso seja necessário um procedimento de ressuscitação.

Sobrevivência na selva

Por último, mas não menos importante, há ainda o conjunto de sobrevivência na selva. Não são todos que sabem disso, mas todas as aeronaves possuem estes kits, além de uma tripulação treinada para lidar com as insalubridades da selva.

O kit contém itens como bússolas, equipamento para pesca, açúcar, sal, e até mesmo repelentes para insetos.

Muito bem acompanhado

Além dos equipamentos citados, os voos comerciais também contam com uma equipe altamente treinada e capacitada para lidar com quaisquer adversidades que possam vir a ocorrer, assim como operar e gerenciar todos os aparatos de segurança.

A cabine de comando

Aqui ficam os pilotos e copilotos, sendo que o primeiro é designado como Comandante e o segundo como Primeiro Oficial. Todo resto da tripulação — e dos passageiros — está subordinado a eles.

Ademais de passarem por um rigoroso processo até se tornarem pilotos, a função dos Comandantes é bem mais abrangente do que se imagina.

Além de operar a aeronave, o Comandante também está preparado para fazer mudanças no plano de voo quando julgar necessário e é responsável pela declaração de situações de emergência.

Os copilotos, em geral, cuidam da parte de comunicações, e são sucessores imediatos dos Comandantes, caso a situação exija. Algumas duplas revezam entre si após cada pouso.

Para voos muito extensos, há ainda um Segundo Oficial, um terceiro piloto que pode assumir a função do Primeiro Oficial, quando o Comandante precisar de descanso.

A tripulação

Além dos pilotos, trabalham no avião os comissários de bordo. Responsáveis pelo contato direto com os passageiros, também possuem um treinamento e preparo que vão muitíssimo além de cuidar do serviço de bordo.

Exemplos das capacitações do comissariado de bordo incluem sobrevivência na selva e no mar, primeiros socorros e noções técnicas e mecânicas de aeronaves.

Além disso, esses profissionais estão permanentemente atentos tanto à situação do avião durante o voo quanto ao comportamento dos passageiros.

O manipulador de bagagens

Responsáveis pela logística das malas e por garantir que todas as bagagens cheguem no local de destino, esses profissionais fazem o possível para que não surjam transtornos para os passageiros.

O manipulador de bagagens, muitas vezes, é alvo de críticas, geralmente devido a uma suposta ausência de cuidado na hora de lidar com as malas dos passageiros. No entanto, é preciso levar em consideração que há um tempo limitado para transportar itens — muitas vezes pesados — de centenas de passageiros por voo.

Além disso, o asfalto das pistas de pouso pode chegar a 50ºC em dias de verão, e o porão das aeronaves fica ainda mais quente; não se trata de um trabalho fácil, e os bagageiros fazem o melhor possível!

Técnicos e mecânicos

Encarregados de realizarem checagens e inspeções antes de cada voo, os mecânicos verificam a integridade do motor, a fuselagem, lubrificação, e outros parâmetros fundamentais para garantir o bom funcionamento da aeronave. Esse procedimento é denominado “inspeção de trânsito”.

Além da inspeção de trânsito, também é realizado o Daily Check, uma verificação mais minuciosa do avião que ocorre a cada dois dias. Há ainda, uma manutenção geral, realizada a cada 12 meses em um hangar.

O ciclo de manutenções é determinado pelo Programa de Manutenção de Aeronave (PMA), que é elaborado pelo fabricante da aeronave e posteriormente aprovado pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC).

Controlador de tráfego aéreo

Poucos se lembram desse importantíssimo profissional. O controlador de tráfego aéreo é quem garante que o fluxo aéreo seja seguro e organizado.

Normalmente situados em torres de comando, eles constantemente monitoram parâmetros como posição, velocidade e a altitude de várias aeronaves ao mesmo tempo. Além disso, também participam do planejamento dos roteiros de voo e do processo de decolagem.

É considerada uma das carreiras mais desafiadoras — e estressantes — que existem, exigindo competências como excelente memória, habilidades matemáticas e capacidade de tomar decisões rapidamente e sob pressão; além de conhecimentos de outros idiomas, pois, muitas vezes, diferentes voos terão diferentes nacionalidades.

Intempéries da natureza

Você verifica a previsão do tempo para o trecho do seu voo, e descobre que há grandes chances de haver uma tempestade no caminho, e para piorar, o voo é noturno. Mas será que realmente existem motivos para preocupação?

Voando na chuva

Por mais forte que seja uma tempestade, nunca se esqueça de que o avião foi projetado minuciosamente para lidar com essas condições adversas.

O máximo que poderá ocorrer são as turbulências, que não oferecem nenhum risco de queda à aeronave.

E se for à noite?

Fique tranquilo. Os recursos tecnológicos presentes nos aviões compensarão a falta de iluminação sem grandes problemas.

Além disso, podemos contar ainda com os já citados Controladores de Tráfego Aéreo para orientar os pilotos durante o trajeto, garantindo assim um deslocamento perfeitamente seguro.

Números

Sabemos que mesmo esclarecendo a plenitude dos aparatos de segurança e a amplidão do preparo dos profissionais envolvidos, pode continuar um pouco difícil admitir que viajar de avião é seguro. Para isso, separamos algumas estatísticas tranquilizadoras:

Outros meios de transporte

Poucas são as notícias que chocam mais do que desastres aéreos, então compreendemos que tais ocorrências possam gerar bastante receio nos potenciais passageiros de avião.

No entanto, as chances de uma pessoa sofrer um acidente aéreo é de apenas 1 em 8 milhões — menores do que as de ser atacado por um tubarão!

Para fins de comparação: as chances de acidentes de carro são de cerca de 1 em 18 mil; de bicicleta, 1 em 341 mil; e de barco, 1 em 402 mil. Estes números fazem do avião o meio de transporte mais seguro que existe, ficando atrás apenas do elevador.

Taxa de sobrevivência

Cerca de 95% das pessoas que sofrem acidentes aéreos, sobrevivem. Isso não pode ser dito do transporte rodoviário. Só no Brasil, ocorrem aproximadamente 40 mil óbitos por ano relacionados a acidentes rodoviários.

Número de ocorrências

Nas estatísticas brasileiras, ocorre 1 acidente de trânsito a cada 57 segundos. Segundo a IATA (International Air Transport Association) — Associação Internacional de Transporte Aéreo, em tradução livre — em 2012, ocorreu 1 acidente a cada 5,2 milhões de voos realizados.

Variáveis

É claro que a finalidade deste texto não é transformar o medo de voar em medo de andar de carro. Vale salientar que 70% dos acidentes rodoviários possuem o fator álcool envolvido; então se trata de uma questão de responsabilidade social, cidadania e saúde pública.

Diferente dos carros, os aviões possuem equipes competentes que dão o máximo de si para garantir que cada voo ocorra de maneira fluida e tranquila. O número de variáveis e pessoas envolvidas é bem menor do que o observado no transporte terrestre.

Esperamos ter sanado algumas dúvidas e esclarecido questões acerca dos transportes aéreos, assim como esperamos ter assegurado convincentemente de que não há o que temer quando o assunto é voar.

Em síntese, é verdadeiro o fato de que viajar de avião é seguro — muito mais seguro do que outras formas de transporte.

Se mesmo após ler este texto você ainda sente alguma insegurança em relação à aeronaves, não deixe de conferir nosso post sobre como acabar com o medo de voar!