Todo passageiro já passou ou passará algum dia pela experiência de uma turbulência no avião, nem que seja um simples sacolejo sem consequências mais graves.

E apesar de não ser uma experiência agradável, não há motivo para entrar em pânico: as aeronaves modernas e os pilotos estão completamente preparados para encarar as turbulências e minimizar suas consequências.

O termo turbulência é utilizado na aviação para se referir a diversos tipos de movimentações de ar que possam balançar um avião em pleno voo. As causas para esse desconfortável evento varia e, em muitos casos, a turbulência é inevitável.

Neste artigo, explicaremos melhor o que é exatamente uma turbulência, quais os tipos e como os passageiros devem reagir quando se deparar com uma delas. Confira!

Quais as causas de uma turbulência?

Todo movimento irregular do fluxo de ar que causa balanços ascendentes e descendentes aos aviões em pleno voo é chamado de turbulência, mas, na prática, existem três tipos principais de causa da turbulência no avião: turbulência mecânica, esteira de turbulência e turbulência térmica.

Turbulência mecânica

A turbulência mecânica é aquela causada pelo fluxo de vento em uma estrutura sólida, como nas montanhas, colinas e outras formas de relevo, além de prédios, torres e outras estruturas construídas por humanos.

Esse tipo de turbulência é relativamente fácil de ser prevista porque ocorre em regiões específicas que, normalmente, já são conhecidas por controladores de voo e pilotos. A sua intensidade depende de uma série de fatores, como a direção e magnitude do vento, além da rugosidade do relevo.

Em regiões de planaltos, como as chapadas do centro-oeste brasileiro, ocorrem as chamadas turbulências orográficas, que são um tipo de turbulência mecânica que acontece com o atrito do ar ao soprar contra elevações montanhosas irregulares.

Dependendo do tipo de vento, elas são amenizadas com mudanças na altitude. Como essas áreas de turbulência são facilmente identificadas, é improvável que um piloto seja totalmente surpreendido por elas.

E apesar de poderem ser tão ou mais fortes quanto as turbulências causadas por uma trovoada, a intensidade desse tipo de turbulência normalmente não é tão alta.

Esteira de turbulência

A esteira de turbulência é o efeito causado pela passagem de uma aeronave em voo ou durante a decolagem e aterrissagem. Muito conhecida também pelo nome em inglês Wake Vortex Turbulence, ela é como as ondas que um barco deixa quando navega por um lago.

No ar, esse rastro se estende consideravelmente na forma de vórtices na ponta da asa de aeronaves e pode chegar a até 300 km/h.

A intensidade está relacionada com peso, velocidade e a aerodinâmica da aeronave geradora. Mas a duração das esteiras de turbulência não passa de alguns poucos minutos.

Por isso, o risco desse tipo de turbulência é maior quando as aeronaves estão em espaços aéreos congestionados, compartilhando rotas próximas e, especialmente, em regiões de aeroportos, em que os aviões estão em aproximação ou partida.

Existem normas bem rigorosas sobre as distâncias entre as aeronaves em voo, além dos tempos entre decolagens e aterrissagens em aeroportos.

Mas além disso, pilotos são treinados para agir diante de risco desse tipo por meio de uma consciência situacional e é comum que controladores de voos façam alertas regulares dos perigos de uma esteira de turbulência, especialmente quando aeronaves mais leves estão no rastro de outras mais pesadas.

E além de aviões, helicópteros também podem gerar esteiras de turbulência quando estão voando em velocidades mais baixas, com força similar às aeronaves de asa fixa com peso equivalente.

Por isso, existem acidentes envolvendo helicópteros e pequenos aviões relacionados com a esteira de turbulência de outros helicópteros pairando pelo ar nas proximidades.

Turbulência térmica

Por fim, a turbulência térmica é aquela causada pelas correntes de ar verticais geradas pela diferença de temperatura entre o solo e a camada de ar sobre ele. Esse tipo de turbulência é muito comum em regiões de deserto, por exemplo.

As correntes de ar descendentes preocupam porque podem fazer com que a aeronave seja desviada para baixo e toque o chão um pouco antes do planejado durante uma aterrissagem, o undershot.

Da mesma forma, as correntes ascendentes levam a aeronave para cima, o que pode fazer com que o toque seja além do ponto previsto, o overrun.

Em ambos os casos, existe preparo dos pilotos para reagir a essas incertezas, equipamentos que ajudam a corrigir erros e o suporte do controladores de voo no solo.

A turbulência de ar claro

A turbulência de ar claro, ou TAC, é um tipo específico de turbulência térmica que acontece em locais próximos às correntes de jato, ou jet streams, que são correntes de ar descobertas na Segunda Guerra Mundial durante os embates aéreos no Pacífico e utilizadas pela aviação civil a partir de 1952, inicialmente em voos de Tóquio para Honolulu.

Também chamadas pelo nome em inglês Clear Air Turbulence, ou CAT, essa turbulência é difícil de ser detectada e se trata de um fenômeno de microescala, afetando uma pequena região e se dispersando em pouco tempo.

Apesar de já existirem alguns equipamentos voltados para detecção da CAT, como o E-TURB Radar, um radar meteorológico da Nasa, as turbulências de ar claro ainda preocupam bastante, tanto pela sua intensidade variável como pela dificuldade de antecipação.

Em 1997 uma mulher japonesa de 32 anos faleceu em uma turbulência desse tipo no voo 826 da United Airlines, de Tóquio para Honolulu, que também deixou outros 15 passageiros e 3 tripulantes feridos. Depois desse acidente, as normas de segurança para esse tipo de ocorrência foram ajustadas para evitar outros acidentes.

Quais são as intensidades de uma turbulência?

Existem três categorias de intensidade de turbulência segundo as normas da WMO, a World Meteorological Organization, ou Organização Meteorológica Mundial, um órgão das Nações Unidas: turbulências leves, moderadas e severas.

As turbulências leves são as mais comuns em voos. Nelas, as variações de velocidade da aeronave vão de 2,6 a 8 m/s e são sentidos apenas pequenos solavancos. Os passageiros quase sempre devem permanecer sentados e com os cintos de segurança afivelados, mas objetos soltos na aeronave costumam permanecer em repouso.

Nas turbulências moderadas, com variações de velocidade entre 8 e 13 m/s, objetos soltos podem se mover, e os passageiros devem ficar com os cintos afivelados. Quem ainda está de pé terá dificuldades para se movimentar pelo avião até encontrar seu assento, mas é improvável que se machuque com gravidade.

Já as turbulências severas são incidentes graves com variações de velocidade entre 11 e 30 m/s. Nesses eventos, passageiros e objetos soltos são arremessados pela cabine e o risco de ferimentos graves é muito alto.

Quais os riscos principais de uma turbulência?

Passar por uma turbulência pode ser assustador, especialmente para quem não tem costume de viajar de avião. Algumas vezes, a cabine balança tanto que a sensação é de que a aeronave pode cair.

Mas, na prática, é impossível que uma turbulência consiga sozinha derrubar uma aeronave moderna. A resiliência dos aviões é alta e as suas estruturas são feitas para aguentar esse tipo de pressão.

As asas de alguns jatos chegam a dobrar até 90 graus e mesmo que o avião oscile bastante verticalmente, o treinamento dos pilotos e a qualidade do equipamento é mais que o suficiente para evitar o risco de queda.

Geralmente, os pilotos conseguem antecipar a maior parte das turbulências e evitá-las ou suavizar os riscos com alterações na rota e na altitude. Quando são inevitáveis, os passageiros são avisados para se preparar para o tranco.

Em aeronaves menores, com asas mais curtas, os efeitos das turbulências também é proporcionalmente reduzido, portanto, mesmo nesses casos é bem improvável que uma turbulência seja uma causa principal de uma queda.

As exceções são os acidentes de aviões de porte menor envolvendo esteiras de turbulência em pequenos aeroportos com helicópteros pairando por perto, mas boas práticas de segurança podem evitar esse tipo de ocorrência.

Apesar de não derrubar avião, a turbulência pode sim causar problemas graves como ferimentos. Na maior parte das vezes, a intensidade da turbulência é forte o bastante apenas para enjoar alguns passageiros, mas existem casos de que o balanço é tão acentuado que algumas pessoas na aeronave podem colidir com o teto, paredes, objetos soltos e até outros viajantes.

Um exemplo disso foi o voo 8095 da TAM, que fazia a rota Miami-São Paulo em 2009 e foi pego por uma turbulência forte e muitos passageiros bateram a cabeça no teto com a queda de altitude súbita, 21 pessoas ficaram feridas, sendo que 8 foram para hospitais após a aterrissagem.

Outros casos de turbulências que derrubou bebidas quentes pelo avião, queimando alguns passageiros e, um dos casos mais famosos, o já citado voo 826 da United Airlines, em que uma mulher faleceu após ser jogada no teto da aeronave.

Como sobreviver a uma turbulência?

Apesar dos casos citados no tópico anterior, não existem razões para pânico. Mesmo as turbulências mais fortes podem ser inofensivas para os passageiros se todos os procedimentos de segurança forem seguidos. É essencial cumprir as regras e as orientações dadas pelos comissários de bordo.

Em praticamente todos os casos de turbulência com ferimentos graves envolvendo passageiros na história da aviação, o aviso de afivelar os cintos de segurança foi soado alguns segundos antes da cabine começar a balançar. Ainda assim, algumas pessoas foram pegas de surpresa e se machucaram por isso.

Depois do acidente da United em 1997, as empresas reforçaram as práticas de segurança durante o voo e os tripulantes são orientados a sempre conferir se todos estão com os cintos de segurança afivelados quando sentados, mesmo se o alerta do piloto estiver desligado.

Dessa forma, nenhuma turbulência repentina será capaz de fazer com o que o passageiro bata com força nas paredes ou no teto da aeronave.Mas além da responsabilidade do piloto em evitar turbulências e comunicar a cabine quando antecipar ou começar a sentir uma, os próprios passageiros precisam zelar pela sua segurança e pela do próximo.

E a medida mais importante para isso é simples: manter o cinto de segurança afivelado sempre que estiver sentado. Apenas isso já impede que a pessoa seja arremessada pela cabine durante uma turbulência surpresa. E quando dormir no voo, afivele o cinto sobre a manta, de forma que ele fique visível para os comissários de bordo.

Além disso, quando o sinal de afivelar cintos estiver ligado é fundamental que todos imediatamente se sentem e sigam essa instrução. Algumas vezes, o piloto percebe uma turbulência poucos segundos antes dela acontecer e o tempo de reação é curto. Quem estiver em pé deve voltar para o seu lugar rapidamente para cumprir com essa recomendação.

Ainda não existem tecnologias confiáveis que consigam antecipar todas as turbulências e, algumas delas, especialmente as TAC, podem surpreender até o piloto. Ainda assim o sinal de afivelar cintos quase sempre é acionado a tempo, portanto, vale a pena ficar atento a ele.

Por fim, outra preocupação série em relação a turbulência são os objetos dentro da aeronave, que podem se espalhar pela cabine e ferir outras pessoas. Geralmente, o material distribuído no serviço de bordo é leve e inofensivo, salvo comidas e bebidas quentes que podem causar ferimentos sem muita gravidade.

Por outro lado, malas de mão, computadores e outros itens podem ser perigosos. Quando não estiverem sendo acessadas por qualquer razão, essas bagagens devem ficar nos compartimentos acima da cabeça ou abaixo das cadeiras e das pernas dos passageiros.

Também é fundamental fechar bem os compartimentos superiores após o acesso às bagagens, para evitar que elas caiam sobre os passageiros em uma turbulência. E, no caso do aviso de afivelar cintos ser soado enquanto algum item pesado como um laptop é utilizado, a recomendação é segurá-lo bem.

Ferimentos em passageiros causados por turbulências em aeronaves são extremamente raros, principalmente por que a maior parte das pessoas segue as medidas de segurança durante o voo. Por isso, é importante conhecer essas regras e segui-las sempre.

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