Desde os primórdios da nossa civilização, o homem desenvolve novas tecnologias para aperfeiçoar o modo como vivemos. Da invenção da roda até a comunicação via satélite, as facilidades do mundo moderno provocam mudanças profundas em nossas vidas.

O avanço tecnológico define novas tendências sociais, aumenta a expectativa de vida, remodela as relações de trabalho e abre portas para desbravarmos o desconhecido.

Como hoje em dia mais da metade da população da Terra vive nas áreas urbanas, é fundamental que as cidades poupem recursos para que tenham um desenvolvimento sustentável e duradouro.

Você já ouviu falar nas smart cities? Apesar de ser um termo novo, e

Neste texto nós vamos contar o que são as smart cities, quais são as suas características e mostrar 7 exemplos de como as cidades estão usando o conhecimento tecnológico para mudar o jeito como vivemos em sociedade.

Reconhecendo as smart cities

A União Europeia define que as smart cities são sistemas de cidadãos usando serviços, materiais, energia e financiamento de forma a incentivar uma melhor qualidade de vida e um desenvolvimento econômico sustentável.

As mudanças climáticas são uma verdade inconveniente, como disse Al Gore, ex-vice-presidente dos Estados Unidos e ativista do clima. Alguns lugares da Terra já enfrentam as consequências do degelo das calotas polares, o que interfere na vida cotidiana das pessoas.

Já existe uma crise hídrica no mundo, com regiões sem nenhum acesso à água. Isso força migrações em massa, que entopem cada vez mais as metrópoles.

Com esse cenário insustentável, as nações estão investindo bilhões de dólares todos os anos para desenvolver e renovar a infraestrutura das cidades, a fim de evitar o desperdício de recursos naturais e encontrar novos modelos de vida nos grandes centros.

Essa injeção de dinheiro possibilita o surgimento de novas aplicações da tecnologia nas cidades, tornando os sistemas integrados e melhorando a sua eficiência. Os resultados oferecem um crescimento econômico sustentável para suprir o aumento das populações das metrópoles.

Um exemplo prático para contextualizar o que são as smart cities: a Linha Amarela do metrô de São Paulo é operada por um computador, sem a necessidade de um condutor no vagão. Isso melhora o controle do fluxo das composições, diminuindo o intervalo para cada trem passar nas estações.

Transportando mais gente, a empresa que administra o transporte público tem maior retorno financeiro, que pode ser investido novamente em novas tecnologias para a operação diária do metrô.

Para identificar uma cidade inteligente, devemos considerar cerca de 10 atividades e fatores de aplicação da tecnologia na vida urbana. Vamos falar sobre cada uma delas a seguir.

Tecnologia

O uso da tecnologia é o motor que impulsiona as smart cities. Do planejamento estratégico à aplicação de melhorias na vida urbana, as ações dessas cidades estão interligadas por sistemas de informação digital.

O acesso aos dados em tempo real dá agilidade nas respostas do poder público às demandas da sociedade. Os resultados são serviços públicos eficientes, que trazem mais segurança, mobilidade, saúde e educação para os seus cidadãos.

Administração pública

Toda cidade precisa de recursos financeiros para gerir o seu funcionamento. Os serviços prestados pela administração local são pagos com o dinheiro dos impostos que todos os cidadãos pagam.

As smart cities têm sistemas integrados de cobrança de taxas. Esses recursos arrecadados são direcionados para as áreas da máquina pública de acordo com a necessidade de cada serviço.

O controle dos gastos também é mais eficaz quando todos os órgãos de fiscalização do poder público têm acesso aos números das ações da gestão. As cidades inteligentes são administradas por meio de plataformas digitais que mostram todos os níveis da execução do orçamento.

Planejamento urbano

As smart cities têm como característica o cuidado com o planejamento urbano, fundamental para a prestação de serviços públicos de qualidade.

O crescimento ordenado da cidade facilita a constante atualização de sistemas de água e esgoto, rede de energia elétrica, infraestrutura de comunicação e coleta de lixo.

Fazendo estimativas de crescimento populacional, os planos diretores das cidades inteligentes já sabem quais serão os impactos e as necessidades de cada região. Isso facilita a identificação de locais que precisam de equipamentos públicos, como escolas, hospitais, postos de saúde, comércio e espaços de lazer.

O planejamento também estabelece rotas inteligentes para o transporte público, integração entre os sistemas (ônibus, metrô, trem, VLT) e outras facilidades para a mobilidade urbana.

Acessibilidade

O acesso livre e democrático de todos os cidadãos é uma preocupação que deve fazer parte do planejamento das smart cities.

Os espaços públicos e privados têm que estar adaptados para o acesso de deficientes físicos, idosos e pessoas com outras necessidades especiais.

A tecnologia também é usada para gerir e fiscalizar vagas de estacionamento preferenciais, punindo os infratores e garantindo o direito de ir e vir das pessoas, não importando a sua condição.

Governança

O uso da tecnologia no governo das cidades traz eficiência no gasto público, além de oferecer à população transparência dos governantes sobre como o dinheiro dos impostos está sendo aplicado.

Já existem em muitos lugares os pregões virtuais, que agilizam e dão credibilidade às licitações de serviços e materiais que a cidade precisa comprar. O corte de custos nesses processos traz economia para os cofres públicos e faz o nível de competitividade aumentar, gerando crescimento econômico.

Conexões internacionais

Toda cidade inteligente é uma conexão direta com outras localidades do mundo. Isso significa que as pessoas podem transitar entre os territórios e fazer negócios com parceiros comerciais de outros países.

Essa interação com outras smart cities colabora para o desenvolvimento tecnológico e a importação de experiências que funcionaram em outros lugares.

Cuidado com o meio ambiente

Com os recursos cada dia mais restritos, a preservação de áreas naturais, como florestas, manguezais, rios, lagos e oceanos é uma responsabilidade de todos.

As smart cities têm coleta de lixo eficiente, que separa e recicla grande parte dos materiais. O lixo orgânico é usado na geração de energia, que abastece serviços públicos, como hospitais, escolas e iluminação.

O tratamento de esgoto também é gerido por novas tecnologias, que conseguem purificar os dejetos para obter água potável. Depois, dutos comandados por computadores levam esse bem valioso para ser reutilizado na agricultura e na indústria.

A preservação do meio ambiente têm papel fundamental no turismo das cidades inteligentes. As inovações são usadas para recuperar áreas degradadas e conscientizar os visitantes sobre os impactos do homem na natureza.

Capital humano

Para viver na nova realidade da era da informação, as pessoas têm que procurar conhecimento a todo instante. O uso da tecnologia na educação é fundamental para que os cidadãos das smart cities possam ser atores principais e os maiores favorecidos do seu desenvolvimento econômico.

Algumas profissões estão deixando de existir, aumentando o número de desempregados e, por consequência, criando mais pobreza. Por isso, é importante a atualização constante do conhecimento.

Estamos numa época em que a criatividade é um dos fatores mais importantes na hora de empreender. Como a humanidade está em plena transformação social, as novas ideias criam possibilidades que facilitam o modo como vivemos.

Coesão Social

Nada adianta uma cidade ser inteligente se a população não acreditar naquele modelo de vida. O fator humano e a coesão social são fundamentais para que as smart cities funcionem.

Por exemplo: quando um cidadão não separa o seu lixo por categorias, como orgânico e reciclável, a coleta seletiva é em vão, já que um funcionário terá que manusear aquele material, gerando gastos para a empresa que faz o recolhimento dos resíduos.

Sem um corpo social forte, unido e com os mesmos objetivos, nenhuma cidade pode se desenvolver de modo sustentável.

Economia

Com toda a cidade funcionando de modo integrado, a economia das smart cities crescem impulsionadas pelos novos negócios que surgem com o desenvolvimento de uma comunidade.

O ciclo da economia gera mais empregos, aumenta o poder aquisitivo das pessoas, cria possibilidades de carreiras, traz avanços na mobilidade urbana, faz a integração regional e melhora a qualidade de vida de seus cidadãos.

A seguir, vamos mostrar as 7 cidades inteligentes que estão revolucionando o modo de vida das pessoas.

1. Amsterdam

A capital da Holanda desenvolve desde 2009 um projeto chamado “Amsterdam Smart City”, que reúne empresas privadas, órgãos públicos, ONGs e os cidadãos.

O objetivo da iniciativa é desenvolver novas tecnologias que diminuam a emissão de gases tóxicos e o gasto excessivo de energia. Além da infraestrutura moderna, o programa visa mudar o comportamento dos habitantes da cidade, proporcionando um ambiente sustentável para todos.

As inovações concebidas no projeto são aplicadas primeiro em pequena escala e depois, caso aprovadas por um conselho gestor, são colocadas em prática em toda a cidade.

2. Copenhague

A Dinamarca é um dos países com melhor índice de desenvolvimento do mundo, assim como as outras nações nórdicas.

Em Copenhague, um sistema de trocas de informação foi desenvolvido para que empresas, governos e empreendedores pudessem colaborar com o intuito de trazer melhorias para a comunidade.

Também existiu muito investimento em educação, moradias e transporte público de qualidade. O resultado é uma geração de pessoas capacitadas e prontas para lidar com os avanços da era da informação.

Hoje a capital da Dinamarca é conhecida como uma das principais smart cities. A população foi incentivada a deixar os carros na garagem e utilizar meios de transportes mais limpos, como a bicicleta.

Com menos automóveis nas ruas, os semáforos inteligentes desligam automaticamente, poupando eletricidade e cortando os custos de fornecimento.

A meta do país é zerar as emissões de gás carbônico até 2025, fazendo uso de energia solar e eólica.

3. Curitiba

As smart cities no Brasil também já colhem os frutos de um modelo sustentável de urbanização. A cidade de Curitiba, no Paraná, é exemplo de planejamento urbano, mobilidade e qualidade de vida da população.

A administração pública investiu em um sistema de transporte rápido e eficiente, que faz uso de tecnologia de ponta na operação diária.

A qualidade do serviço é aprovada pela população, já que cerca de 70% das pessoas dão prioridade para os deslocamentos em coletivos.

Capital com a melhor qualidade de vida do Brasil, a cidade conta com bibliotecas digitais, que facilitam o acesso à cultura e à educação.

4. Nova York

A maior metrópole dos Estados Unidos sempre foi inovadora quando se trata de desenvolvimento urbano. Em 2017, a cidade recebeu o título de mais inteligente do mundo.

A cidade de Nova York, em parceria com uma empresa de tecnologia, desenvolveu um novo sistema de telefonia, que deu acesso à internet a todos os residentes.

A plataforma também traz informações importantes para a população, como eventos sociais, notícias dos bairros, opções de entretenimento e alertas de segurança.

5. São Francisco

Na costa oeste americana, a cidade de São Francisco assumiu o protagonismo tecnológico da Califórnia, com ações que estimulam a criação de novas fontes de energia, colaboram para a mobilidade urbana e facilitam as vidas das pessoas.

A cidade já é o lugar do mundo com o maior número de casas sustentáveis, que são fabricadas seguindo normas certificadas de controle e mitigação dos problemas provocados pela emissão de poluente na natureza.

Para atender a demanda que o crescimento econômico tem provocado, existem iniciativas que estudam opções de transporte compartilhado e o desenvolvimento de carros autônomos.

6. Singapura

Essa cidade-estado está no caminho para se tornar completamente inteligente nos próximos anos. O investimento em tecnologia já permite que infrações cometidas em qualquer lugar sejam identificadas e os responsáveis autuados.

Por exemplo: quando uma pessoa está fumando em local proibido ou descarta lixo nas ruas, o sistema emite um alerta e as providências são tomadas de imediato.

Para facilitar a comunicação entres os serviços públicos, Singapura tem a internet mais rápida do planeta, que proporciona sistemas eficientes de transporte coletivo, programas de preservação ambiental e capacidade de produção de energia limpa.

7. Tokyo

Sede da próxima Olimpíada, em 2020, a capital do Japão é sinônimo de tecnologia e futurismo. Com mais de 10 milhões de habitantes, os prédios e casas de Tokyo têm sistemas inteligentes de uso de energia, que reduzem o desperdício e geram economia.

As maiores empresas japonesas são incentivadas a criar facilidades e melhorias para a sociedade.

A Panasonic, por exemplo, construiu um bairro inteiro sustentável, onde as casas têm aparelhos de consumo eficiente de energia, sistemas de tratamento de lixo e esgoto e conectividade com a internet.

Durante os Jogos Olímpicos, diversas iniciativas sustentáveis serão colocadas em prática, para diminuir os impactos das obras no meio ambiente. Para termos uma ideia, as medalhas distribuídas aos atletas serão construídas com peças usadas de celulares e computadores.

Conheça as smart cities

Agora que você já conhece mais sobre os conceitos que envolvem uma cidade inteligente, é a hora de planejar uma viagem para ver de perto como a tecnologia está mudando a nossa sociedade.

As smart cities chegaram para ficar, então é essencial estar atualizado para as novidades e possibilidades que o mundo moderno está proporcionando.

Que tal compartilhar esse conteúdo com os seus amigos nas redes sociais? Quem sabe eles têm uma ideia para melhorar a vida das pessoas no Brasil?