Muita gente que ama viajar pelo mundo considera que as suas jornadas, além de serem um tempo para relaxar e curtir a família, também são uma maneira interessante de conhecer novas culturas.

Tudo o que absorvemos quando visitamos um destino turístico, desde a história do local até a arte que é produzida pelas pessoas dali, são instrumentos preciosos na nossa formação pessoal e intelectual. Fazer uma viagem, não importa se for para longe ou para perto, enriquece a sua alma.

Um dos elementos que mais podem definir uma cidade ou país é a sua gastronomia. Os convidados a apreciar uma boa mesa, procuram as melhores refeições que existem para provar todos os sabores de um lugar.

Contudo, como saber que um restaurante serve comida boa se você não conhece a localidade que vai visitar? Para isso, existe o Guia Michelin, que é a lista das casas que servem a melhor comida da Terra. Neste conteúdo, vamos explicar a origem do guia, qual a sua importância e o que significam as estrelas concedidas por ele.

Como surgiu o Guia Michelin?

Na virada do século XX, uma empresa francesa fabricante de pneus queria divulgar o uso do automóvel, naqueles tempos uma novidade tecnológica, para um público cada dia mais crescente.

A Michelin teve a ideia de oferecer um guia com informações práticas para fazer uma viagem de carro, como mapas, como trocar um pneu, onde ficavam os postos de gasolina, e, claro, quais eram os melhores lugares para comer e descansar.

No início o Guia Michelin era distribuído gratuitamente, mas em 1920 a lista começou a tomar o formato que é usado até hoje, com indicações de restaurantes divididos por categorias.

Em 1926 foram instituídas as famosas estrelas, que acabaram virando sinônimo de gastronomia do mais alto nível. Você já ouviu a expressão “restaurante estrelado”? Pois bem, ela faz referência ao número de estrelas do Guia Michelin que uma casa possui.

Foi nessa época que o guia introduziu os inspetores que avaliavam os restaurantes de forma anônima e concedem uma, duas ou três estrelas para aquela cozinha.

Durante o século XX, a importância da lista da Michelin foi aumentando, tornando o guia um best-seller e referência para os turistas que buscam experiências incríveis. Para os chefs de cozinha, ser agraciado com uma menção no guia é fator para mudar a história do empreendimento, já que a certificação traz à casa notoriedade e grandes oportunidades de negócios.

Você, provavelmente, já viu o mascote da empresa em algum anúncio, o fofinho Bibendum. O simpático personagem também está estampado no Guia Michelin e serve de referência na comunicação dos estabelecimentos estrelados.

A seguir, vamos contar como são feitas as análises da comida e o que é levado em conta na hora do guia conceder sua maior marca a um restaurante.

Como um restaurante ganha uma estrela?

Para entrar no rol dos melhores restaurantes do mundo, uma casa deve passar por um escrutínio feito por profissionais qualificados no ramo de gastronomia e hotelaria.

Esses inspetores têm o que muita gente pode considerar como um dos melhores empregos da vida, já que eles são contratados para verificar e recomendar o que há de melhor na culinária e hospedagem de cerca de 30 mil estabelecimentos espalhados por mais de 30 países em 3 continentes.

A função desses inspetores é visitar os locais de forma anônima, pagar pelos serviços oferecidos para, assim, manter a independência do seu julgamento. A decisão pela quantidade de estrelas que um empreendimento vai receber depende não apenas de um analista, mas sim de um grupo formado por vários especialistas em gastronomia e serviços de hospedagem.

O processo de avaliação é bastante rígido e leva alguns meses para ser concluído, já que são feitas muitas visitas para certificar que aquele estabelecimento merece uma estrela. No campo gastronômico, qualquer restaurante pode fazer parte do guia, desde que tenha uma comida de excelente qualidade.

Os critérios de avaliação dos inspetores segundo o próprio Guia Michelin são:

  • qualidade dos produtos;
  • domínio do sabor e técnicas culinárias;
  • a personalidade do chef na sua cozinha;
  • relação qualidade/preço;
  • consistência entre visitas.

Qual o significado de cada estrela?

Hoje em dia, o Guia Michelin é dividido em várias categorias de avaliação, que vão desde as menções honrosas para os restaurantes que se destacam até a apreciação do luxo e conforto de hotéis. Contudo, o carro chefe do guia são os seus pareceres sobre os melhores restaurantes.

O sistema do Michelin consiste em premiar com as estrelas as melhores cozinhas. Para alcançar cada uma das três estrelas, o restaurante deve apresentar alguns requisitos esperados pelos julgadores, como o uso de ingredientes frescos e de qualidade, preparo perfeito e apresentação criativa, entre muito outros.

Para o guia, uma refeição consiste em três etapas: uma entrada, um prato principal e uma sobremesa. Esse cardápio é tudo o que interessa aos inspetores, que não se prendem à decoração, ao luxo e ao serviço prestado. Para a definição da estrela, o que importa mesmo é a comida servida pelo restaurante.

Essas são os requisitos de cada estrela segundo as regras do Guia Michelin:

1 Estrela

“Uma cozinha requintada. Vale conhecer! Produtos de primeira qualidade, execução claramente refinada, sabores marcantes e regularidade na realização do pratos”.

2 Estrelas

“Uma cozinha excelente. Vale o desvio! Os melhores produtos valorizados pela experiência de um chef talentoso, que assina, com sua equipe, pratos sutis e surpreendentes, às vezes, muito originais”.

3 Estrelas

“Uma cozinha excepcional. Vale a viagem! A assinatura de um grande chef. Produtos excepcionais, pureza e potência dos sabores, composições equilibradas: esta cozinha alcança o nível de obra de arte! Os pratos, executados com perfeição, muitas vezes, se tornam clássicos”.

Onde estão os restaurantes estrelados?

As cozinhas analisadas pelos especialistas do Guia Michelin estão espalhadas pelas Américas, Europa e Ásia. São 30 mil estabelecimentos julgados, em mais de 30 países.

A Europa, de onde o guia surgiu, concentra um grande número de casas estreladas, algumas consideradas pelos críticos e o público como as melhores do mundo. Porém, o país que concentra o maior número de restaurantes com 3 estrelas é o Japão, com 28 estabelecimentos com nível máximo de aprovação do guia.

Logo em seguida vem a França, com 27 restaurantes com a melhor avaliação dos inspetores do Michelin. Os Estados Unidos ficam em terceiro no pódio com 14 casas com as três tão cobiçadas estrelas. Alemanha está em quarto com 11 e a China fecha o top 5 oferecendo 10 restaurantes estrelados.

Nos destinos turísticos mais procurados sempre existem restaurantes agraciados com a estrela do Guia Michelin. Uma experiência gastronômica dessa qualidade é um passeio gratificante, além de render histórias para toda a sua vida.

Existem restaurantes brasileiros com estrelas?

A gastronomia brasileira é muito bem-vista mundo afora e muitos chefs do nosso país alcançaram o reconhecimento do guia mais famoso entre os amantes da boa mesa.

Na última edição do Guia Michelin, de 2017, foram premiados 15 restaurantes do Brasil com 1 estrela e outras três casas atingiram o nível de 2 estrelas na lista.

Os melhores restaurantes em nossas terras ficam em São Paulo e no Rio de Janeiro. A seguir, vamos apresentar alguns desses estabelecimentos e dar um breve resumo sobre o que cada um oferece.

D.O.M. (2 estrelas)

Comandado por Alex Atala, o chef de cozinha brasileiro mais conhecido do mundo, o restaurante D.O.M. é referência no uso de ingredientes regionais antes desprezados ou desconhecidos, como o arroz preto e o palmito de pupunha.

O resultado é uma gastronomia que se transforma numa viagem pelos sabores e texturas dos produtos do Brasil. Tudo preparado com técnica apurada, cheia de paixão e muita criativa. Ele fica na rua Barão de Capanema 549, São Paulo – (011) 3088-0761.

Tuju (2 estrelas)

O restaurante do chef Ivan Ralston acaba de conquistar a segunda estrela no Guia Michelin. Aliando a simplicidade dos ingredientes ao domínio de diversas técnicas, o jovem chef brasileiro apresenta pratos sofisticados e que sempre contam uma história.

Os produtos usados na cozinha do Tuju são selecionados após muita pesquisa entre pequenos produtores, que garantem a qualidade para a criação de receitas que fazem um jogo interessante entre os sabores e as texturas dos alimentos. Fica na rua Fradique Coutinho, 1248, São Paulo – (011) 2691-5548.

Oro (2 estrelas)

Famoso por apresentar diversos programas de culinária na TV, o restaurante do chef Felipe Bronze recebeu o reconhecimento do Guia Michelin por sua cozinha brasileira contemporânea, que apresenta sabores delicados com texturas surpreendentes.

A visita ao Oro, que fica no Rio de Janeiro, proporciona ao apreciador da boa comida uma experiência para recordar por toda a vida. Fica na avenida General San Martin, 889, Rio – (021) 2540-8768.

Mee (1 estrela)

Especializado em comida da ásia, o restaurante Mee tem um ambiente sofisticado onde são servidos os sabores da gastronomia do Japão, China, Tailândia, Camboja, Malásia e Vietnã.

O guia oferece como sugestão o Omakase Itamae, uma deliciosa sequência de pratos preparados no balcão pelo sushiman da casa. Fica na avenida Atlântica, 1702, Rio de Janeiro – (021) 2548-7070.

Esquina Mocotó (1 Estrela)

Na cidade de São Paulo existem centenas de “Casa Norte”, que são pequenos restaurantes que servem as delícias típicas da parte mais ao Norte do Brasil, mas com um toque da capital paulista.

O chef Rodrigo Oliveira transformou o antigo restaurante de seu pai, na zona norte de SP, em um dos estabelecimentos de maior sucesso no mundo da gastronomia. Vale a pena provar o famoso dadinho de tapioca, além do nhoque de mandioca com tucupi, cogumelos e queijo de cabra. Fica na avenida Nossa Senhora do Loreto, 1108, São Paulo – (011) 2949-7049.

Olympe (1 estrela)

Radicado no Brasil há muitos anos, o chef-celebridade Claude Troisgros passou o comando da cozinha do seu restaurante para o filho, Thomas. Mesmo com a mudança, a casa continua com a mesma filosofia de servir o melhor da culinária francesa preparado com uma seleção de produtos brasileiros de alta qualidade.

O guia define essa experiência gastronômica como chegar às nuvens, fazendo jus ao nome de Olympe. Experimente o clássico do local desde 1982: a sobremesa La crêpe passion. Fica na rua Custódio Serrão, 62, Rio de Janeiro – (021) 2537-8582.

Lasai (1 estrela)

Descrito como representante da nova gastronomia brasileira, o Lasai trabalha apenas com ingredientes sazonais. Isso significa que o restaurante tem como fornecedores pequenos produtores, que oferecem produtos de excelente qualidade e obedecendo aos períodos para cultivo.

A casa também dispõe de uma criação própria de galinhas, que garante aos seus clientes uma comida sempre fresca para desfrutar os pratos do chef Rafa Costa e Silva. Fica na rua Conde de Irajá, 191, Rio de Janeiro – (21) 3449-1854.

É muito caro comer nessas casas?

Apesar de toda a pompa em torno dos melhores restaurantes do mundo, os valores gastos com uma experiência gastronômica diferenciada podem variar bastante. Existem casas que oferecem refeições completas (entrada, prato principal e sobremesa) de alta qualidade a preços honestos.

Por exemplo: para comer no Tuju, que tem duas estrelas no Guia Michelin, você gasta a partir de R$85,00. Em outros países o cenário não é diferente, pois muitas casas têm menus com preços partindo de 40 dólares. Considerando o nível dos pratos apresentados, não chega a ser um absurdo tão grande se dar a esse “luxo”.

Por outro lado, alguns restaurantes podem exigir recursos mais substanciosos para um cliente comer. Pesquise bastantes antes de visitar uma casa e escolha os estabelecimentos conforme as suas possibilidades.

Aproveitar uma boa cozinha, seja no leste europeu ou na “Cidade Maravilhosa”, proporciona uma imersão completa na cultura do destino turístico escolhido. Por meio dos sabores podemos conhecer mais sobre os costumes de outro lugar, além de poder se deliciar com o que existe de melhor na alta gastronomia.

Bon apetit!

Deu vontade de experimentar a maravilhosa comida dos restaurantes estrelados pelo Guia Michelin? Agora você já pode usar o que conheceu aqui para escolher as cozinhas para aproveitar na sua próxima viagem.

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